O impacto de uma ejeção de massa coronal (CME) lançada pelo sol no dia 16 de maio começou a chegar à Terra nesta segunda-feira, 19 de maio de 2026, com assinaturas claras de um golpe tangencial. Velocidades do vento solar subiram para níveis moderados-altos por volta das 5h30 UTC, enquanto o campo magnético interplanetário também registrou aumento ligeiro cerca de meia hora depois. Esses sinais indicam que os efeitos glancing da ejeção estão se materializando, com o componente Bz apontado predominantemente para o sul condição que favorece displays auroras em latitudes altas.
Previsores do espaço esperavam exatamente esse cenário desde o fim de semana. A CME saiu do sol há três dias com uma trajetória que não apontava diretamente para nosso planeta, mas as simulações indicavam que a onda de plasma solar iria passar perto o suficiente para gerar perturbações mensuráveis na magnetosfera terrestre. Uma tempestade geomagnética isolada de nível G1 (menor) é possível conforme o material da ejeção varre a Terra ao longo do dia.
Vento solar e campo magnético chegam em escalada
As primeiras 18 horas de segunda-feira trouxeram confirmação clara do aviso emitido pelos centros de previsão. O vento solar começou a acelerar gradualmente a partir das primeiras horas da manhã, ultrapassando os 400 quilômetros por segundo velocidade característica de eventos coronal mass ejection. Instrumentos a bordo de satélites como DSCOVR, posicionado no ponto de Lagrange L1 entre o sol e a Terra, capturaram em tempo real o aumento de densidade de partículas carregadas aproximando-se do campo magnético terrestre.
Simultaneamente, o campo magnético interplanetário total começou a ganhar força. Leituras oscilaram entre níveis fracos e moderados conforme diferentes estruturas do plasma solar passavam pelas sondas de monitoramento. O comportamento do componente Bz a orientação norte-sul do campo tornou-se particularmente relevante. Mergulhos sustentados para o sul começaram por volta da 1h UTC em 19 de maio e continuaram pela manhã, criando exatamente as condições que favorecem atividade aurorral intensa em regiões polares.
Meteorologistas espaciais descrevem um cenário onde o impacto não será “frontal” não há colisão direta e violenta, mas sim um “golpe glancing”, ou seja, um impacto oblíquo onde parte da energia se dissipa, mas o resto ainda consegue perturbar significativamente a magnetosfera.
Índice Kp sobe, aurora alcança latitudes incomuns
O índice Kp, que mede a severidade da atividade geomagnética em escala de 0 a 9, começou a subir gradualmente. Leituras que se mantinham em 2-3 durante todo domingo saltaram para 3 nesta segunda pela manhã, com potencial de atingir 4-5 conforme as horas avançassem e mais material da CME chegasse. Um G1 isolado significa que pessoas em latitudes altas do Hemisfério Norte particularmente na Escócia setentrional, Islândia e Escandinávia teriam oportunidades reais de observar auroras.
Sob condições G1, as auroras boreais ficam restritas principalmente à zona auroral primária, localizada entre 65 e 72 graus de latitude norte. No entanto, sob eventuais picos de G2 (moderado), as displays poderiam se estender mais para o sul, potencialmente alcançando localidades como Edimburgo, norte da Inglaterra e até regiões da Escócia central. Observadores de aurora nos continentes europeu e norte-americano receberam alertas para monitorar céus noturnos após o anoitecer.
A previsão não esperava que essa atividade ultrapassasse o nível G2, minimizando riscos de danos a satélites ou redes de energia, mas mantendo a janela aberta para displays auroras visualmente impressionantes.
Atividade solar retorna a níveis baixos, mas AR4436 permanece vigilante
Enquanto a tempestade geomagnética se aproximava, o próprio sol apresentava um comportamento paradoxal: atividade retornou a níveis baixos nesta segunda. Apenas oito eventos foram registrados nas últimas 24 horas dois flares de classe C (os mais comuns entre tempestades solares) e seis de classe B (fracos). O flare mais intenso foi um C2.1 originado de AR4436, atingindo pico às 7h40 UTC em 19 de maio.
A região ativa AR4436 manteve sua posição como principal produtora de eventos, responsável por sete dos oito flares. Essa região solar continua a exibir configuração energética complexa e potencial para novas explosões, ainda que em escala menor que as do fim de semana anterior. Não há indicação de novos CMEs dirigidos à Terra nas próximas horas, mas a região não foi descartada como possível fonte de futuros eventos.
Cinco regiões solares numeradas orbitam o lado da esfera solar virado para a Terra. Todas permanecem estáveis com configurações magnéticas simples (alfa ou beta), o que reduz significativamente o risco de flares fortes emanando dos pontos ativos conhecidos. Contudo, a região AR4441, deslocando-se para posição geoefetiva, merece atenção contínua conforme evolui ao longo dos próximos dias.
Previsão para os próximos dias: desaceleração gradual esperada
Conforme o material da CME de 16 de maio continua seu curso pela magnetosfera, meteorologistas espaciais projetam mudanças no cenário. Para terça-feira, 20 de maio, espera-se retorno a condições quieto-agitadas (Kp 1-3). Os efeitos do CME devem atenuar-se gradualmente, ainda que resquícios de material glancing possam manter breves intervalos de atividade nas primeiras horas do dia.
Para quarta-feira, 21 de maio, condições quieto-agitadas devem persistir enquanto os efeitos residuais desaparecem completamente. O vento solar deverá retornar aos níveis de fundo, e a atividade geomagnética se estabilizará em padrões típicos de período solar moderado.
A previsão de atividade solar para os próximos dias aponta continuidade em níveis baixos. Existe chance de 40% para flares de classe M (moderados), com AR4436 como principal candidata apesar de seu processo de decaimento contínuo. Flares de classe X (fortes) não são esperados, mas uma chance residual de 5% permanece caso AR4441 evoluir rapidamente para configuração mais complexa.
Lista de impactos e observações esperadas
- G1 (menor) tempestade geomagnética isolada possível durante segunda-feira
- Bz southward sustentado começou às 1h UTC em 19 de maio
- Aurora visível em Escócia setentrional, Islândia e Escandinávia durante picos de atividade
- Velocidade do vento solar escalou para níveis moderados-altos (acima de 400 km/s)
- Índice Kp em nível 3, com possível elevação para 4-5 durante o dia
- Nenhum novo CME dirigido à Terra esperado nas próximas 24 horas
- Região AR4436 continua como principal produtora de flares, apesar da atividade reduzida
- Condições de retorno gradual a padrões quieto-agitados esperadas para terça-feira
Observadores em latitudes altas do Hemisfério Norte devem permanecer atentos, especialmente após o anoitecer. Equipamentos fotográficos com sensibilidade ISO elevada e objetivas de grande abertura são recomendados para capturar displays auroras caso ocorram. Múltiplos centros de monitoramento espacial incluindo NOAA, NASA e agências espaciais europeias continuam acompanhando o evento em tempo real, com atualizações a cada poucas horas conforme novos dados chegam dos satélites de observação.

