Surto de ebola na África Central pode durar meses, alertam autoridades globais
Autoridades de saúde global alertaram sobre a possibilidade de o surto de ebola na África Central se estender por vários meses. Mais de 130 mortes suspeitas e 513 casos foram registrados desde a identificação do vírus em 15 de maio, na República Democrática do Congo e Uganda. O número real de infectados pode ser significativamente maior.
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, declarou-se “profundamente preocupado” com a escala e a velocidade do avanço da doença. A variante identificada é o Bundibugyo, uma espécie relativamente rara do vírus que se espalhou sem controle durante várias semanas em região onde o rastreamento de contatos é extremamente difícil.
Modelos matemáticos apontam números muito maiores
Um modelo epidemiológico publicado pela Imperial College Londres sugere que o número real de casos pode ultrapassar 1.000 pessoas. A Dra. Anne Cori, professora de modelagem de doenças infecciosas, alertou que os dados confirmados representam apenas uma fração do cenário real.
O laboratório já confirmou 30 casos até agora. Testes de diagnóstico diferenciando o Bundibugyo chegaram apenas no fim de semana. Equipamentos adicionais de laboratório estão previstos para chegar nesta semana.
Dificuldades operacionais no terreno
A região afetada enfrenta conflito armado que deslocou mais de um milhão de pessoas e devastou clínicas de saúde. Trabalhadores migrantes em minas de ouro atravessam fronteiras, acelerando a transmissão. Rebeldes assumiram controle da cidade de Goma, onde funciona o principal aeroporto regional, complicando a logística de suprimentos médicos.
A Dra. Anne Ancia, representante da OMS no Congo, informou que suprimentos chegaram desde domingo, mas ainda são insuficientes. Ela pediu mais pessoal e equipamento no terreno. “Precisamos de mais pessoas, mais mãos no terreno,” afirmou em entrevista de Bunia, capital da província de Ituri.
Segundo o último surto na mesma área, foram necessários dois anos para conter a epidemia. A Dra. Ancia prevê que este durará “vários meses” no mínimo.
Casos em áreas urbanas já confirmados
A transmissão ultrapassou as fronteiras regionais. Foram identificados casos em Kampala, capital de Uganda, e em Goma. Isso aumenta exponencialmente o risco de disseminação internacional.
O Dr. Peter Stafford, médico missionário americano, contraiu o vírus enquanto trabalhava em hospital na província de Ituri. Ele será tratado na Alemanha. Dois colegas seus — sua esposa, Dra. Rebekah Stafford, e o Dr. Patrick LaRochelle — podem ter sido expostos e estão em quarentena com suas famílias.
Autoridades sanitárias ainda não identificaram o “paciente zero” que iniciou o surto. Essa lacuna dificulta as investigações epidemiológicas e a compreensão da transmissão inicial.
Respostas internacionais e restrições de viagem
Os Estados Unidos emitiram alerta de viagem desencorajando cidadãos de deslocar-se para Congo, Sudão do Sul e Uganda. Uma ordem do CDC permite barrar estrangeiros que estiveram nesses países nos 21 dias anteriores à entrada nos EUA.
O presidente Félix Tshisekedi do Congo pediu que os cidadãos permaneçam calmos e sigam medidas de contenção. Países vizinhos, inclusive Ruanda, iniciaram triagem de viajantes e reforçaram controles nas fronteiras.
Vacinas e recursos terapêuticos limitados
A inexistência de vacinas ou medicamentos específicos contra o Bundibugyo aumenta o risco de disseminação descontrolada. Uma reunião de grupo técnico consultivo em Genebra foi convocada para deliberar sobre quais vacinas seriam priorizadas em ensaios clínicos.
O chefe dos Centros Africanos para Controle de Doenças, Dr. Jean Kaseya, criticou o uso de restrições de viagem amplas como ferramenta principal. Ele afirmou que “a segurança de saúde global não pode ter sucesso se os países forem penalizados pela transparência durante surtos.”
Cronograma e próximos passos
- Surto identificado em 15 de maio no Congo e Uganda
- 130 mortes suspeitas e 513 casos confirmados até terça-feira
- 30 casos confirmados por teste laboratorial
- Modelos estimam mais de 1.000 casos reais
- Suprimentos médicos começaram a chegar no domingo
- Equipamento de diagnóstico e laboratório esperado ao longo da semana
- Grupo técnico em Genebra avaliando prioridades de vacinas
O surto continua evoluindo em tempo real. Equipes da OMS trabalham para conter a transmissão em circunstâncias de conflito e limitações logísticas severas. A duração esperada de vários meses representa um desafio sem precedentes para as autoridades sanitárias locais e internacionais.
Veja Tambem em Mundo
Corte dos EUA recusa barrar ordem executiva de Trump para votação por correio, mas permite novos desafios
Drones atingem 3 petroleiros no Mar Negro, ao largo da costa norte da Turquia, relata agência
Funeral de Estado de Neale Daniher acontece no MCG em 10 de junho para honrar legado do defensor da ELA
Incêndio florestal perto de Varsóvia mobiliza 45 unidades de bombeiros e aeronaves especializadas contra chamas
Temu recebe multa de 200 milhões de euros da União Europeia por venda de brinquedos e carregadores inseguros
Descoberto túnel profundo sob cidade levanta questões sobre construção e propósito antigo
Terremoto de magnitude de 4,7 atinge Puerto Vallarta com epicentro no Oceano Pacífico
Cantora Kenisha culpada por publicação difamatória em processo judicial: tribunal decide sobre postagem que gerou acusação grave
Amazon e Walmart anunciam recall de saunas portáteis após 9 relatos de queimaduras graves
Prática de Alibi de Homologação em motos KTM Enduro vira alvo de investigação na Europa
Dubai gerencia fluxo recorde de passageiros no Eid com tecnologia moderna nos aeroportos