Ucrânia intensifica ataques com drones de médio alcance contra infraestrutura russa

Drone militar

Drone militar - VanderWolf Images / Shutterstock.com

A Ucrânia ampliou significativamente suas operações com drones de médio alcance nos últimos meses, atingindo refinarias, defesas aéreas e linhas de logística russas dezenas de quilômetros atrás das linhas de frente. Os ataques estão interrompendo avanços militares russos e criando oportunidades para ataques de longo alcance contra instalações petrolíferas e militares no território inimigo.

Autoridades ucranianas confirmam que recursos crescentes foram direcionados a esses “ataques intermediários”, que normalmente ocorrem entre 30 quilômetros e 180 quilômetros atrás das linhas de combate. Robert Brovdi, comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, afirmou que o papel desses ataques é “atualmente decisivo”, referindo-se a operações que alcançam até dois mil quilômetros.

Danos à infraestrutura petrolífera russa

Nos últimos meses, os ataques de drones ucranianos causaram os danos mais extensos à infraestrutura petrolífera russa desde a invasão em 2022. A Rússia reduziu a produção de petróleo após ataques a portos e refinarias, e o fornecimento de petróleo bruto através do único oleoduto russo restante para a Europa foi interrompido.

A Ucrânia realizou múltiplos ataques contra instalações petrolíferas na cidade portuária de Tuapse, no Mar Negro. Brovdi afirmou que suas forças atacaram a refinaria de Ryazan, uma das maiores da Rússia. Os ataques também forçaram a suspensão de operações na NORSI, a quarta maior refinaria do país, e em Perm, a cerca de mil e quinhentos quilômetros da fronteira.

Alvos e capacidades operacionais

Kusto, comandante de campo do 7º batalhão da 414ª Brigada Independente de Sistemas Não Tripulados, explicou a estratégia de seleção de alvos. Sua unidade se concentra principalmente em objetivos a até cem quilômetros da linha de contato. Os alvos de maior valor incluem:

  • Sistemas de defesa aérea russos (Buk, Tor, Pantsir)
  • Instalações de radar
  • Veículos de grande porte
  • Equipamentos logísticos

Kusto afirmou que sua unidade destruiu pelo menos cento e vinte e nove sistemas de defesa aérea este ano em áreas ocupadas pela Rússia. Os drones de “ataque intermediário” mais usados são os Chaklun V, de fabricação nacional, seguidos pelo B-2. O controle manual permite maior precisão, e normalmente não são utilizados mais de três drones para cada destruição confirmada de alvo.

Escalada de volume operacional

O presidente Volodymyr Zelenskiy afirmou que o número de “ataques indiretos” ucranianos dobrou em comparação com março e quadruplicou desde fevereiro. Em abril, as forças ucranianas realizaram mais de cento e sessenta ataques de média distância a um alcance de cento e vinte a cento e cinquenta quilômetros, informou o Ministério da Defesa.

Kusto relatou que as capacidades de ataque de médio alcance cresceram significativamente desde o outono. A unidade aumentou a capacidade, incrementou o número de tripulações e expandiu o número de sistemas em uso. Há também uma maior diversidade nas plataformas disponíveis para operações.

Impacto na logística e avanços russos

Os ataques de longo alcance possibilitaram mais operações de médio alcance, forçando a Rússia a dispersar suas defesas aéreas para longe das linhas de frente. Isso permite que as forças ucranianas atinjam alvos além do alcance da artilharia, incluindo depósitos de munição e combustível, pontos de comando e veículos de suprimento.

Illia Mashyna, comandante do 431º Batalhão Independente de Sistemas Aéreos Não Tripulados “Brodiahy”, destacou que esses ataques dificultam operações russas ao aumentar a distância entre tropas da linha de frente e forças de apoio. Quanto mais a Rússia recua, mais complexa fica a logística, ressaltou. O ritmo de avanços russos no campo de batalha está no nível mais lento desde dois mil e vinte e três.

Inovação e produção de defesa

O rápido desenvolvimento da capacidade de médio alcance ucraniana reflete uma lacuna que precisava ser preenchida. A pressão das operações de combate impulsionou inovação rápida enquanto a Ucrânia tenta fortalecer sua própria produção de defesa e depender menos de suprimentos estrangeiros.

A comunicação entre produtores e usuários finais significa que o feedback é incorporado aos sistemas de drones em questão de dias. Um engenheiro técnico identificado como “Symbol” afirmou que alguns fabricantes agora entregam plataformas quase totalmente prontas para combate, não exigindo programação adicional. Antes, o ataque preciso ao alvo era uma capacidade mais pontual. Agora é uma parte sistemática das operações.

Perspectivas sobre a mudança tática

Analistas de defesa afirmam que esses ataques, por si só, não podem reverter a situação contra a Rússia, mas estão tendo impacto importante na dinâmica do conflito. Justin Bronk, pesquisador sênior do Royal United Services Institute em Londres, afirmou que o desenvolvimento refletia lacunas operacionais que precisavam ser preenchidas diante da pressão militar russa. Emil Kastehelmi, do grupo de análise de conflitos Black Bird, com sede na Finlândia, afirmou que ataques de médio alcance representam um desafio ao qual as forças russas devem se adaptar, acrescentando que ainda não foram vistos os limites dessa estratégia.

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