A Copa Sul-Americana teve uma alteração drástica em sua programação devido ao cenário de forte instabilidade política que atinge a Bolívia nesta semana. O confronto entre Botafogo e Independiente Petrolero, originalmente agendado para a cidade de Sucre, foi transferido de última hora para Assunção, no Paraguai, por determinação expressa da Conmebol. A decisão da entidade máxima do futebol sul-americano ocorreu a apenas três dias da realização da partida. O anúncio oficial alterou o planejamento logístico da delegação alvinegra, que precisou redirecionar o voo e toda a estrutura de hospedagem para o território paraguaio.
A medida preventiva foi adotada diante do agravamento dos conflitos civis e dos bloqueios em estradas e aeroportos que paralisaram as principais vias de transporte no país andino. A diretoria do clube carioca acompanhava com preocupação os relatos de insegurança nas cidades bolivianas antes da intervenção da confederação. Outros confrontos continentais também sofreram o mesmo impacto logístico forçado pela escalada das manifestações populares contra o governo central local. O elenco do treinador Artur Jorge busca manter o foco técnico no torneio após a mudança repentina de sede de jogo.
Logística forçada muda local do confronto
A comissão técnica do Botafogo precisou refazer todo o planejamento de treinamentos e repouso após receber a confirmação da mudança geográfica do evento esportivo. O elenco realizaria o deslocamento direto para a altitude de Sucre, mas o fechamento de terminais aéreos bolivianos inviabilizou a chegada segura da equipe brasileira. Dirigentes do futebol carioca mantiveram contato constante com representantes da federação local para garantir a integridade dos atletas.
O confronto será disputado nesta quarta-feira, a partir das 21h, no Estádio La Huerta, pertencente ao Libertad, em Assunção. A escolha da capital paraguaia levou em consideração a infraestrutura imediata disponível e a proximidade com a sede administrativa da Conmebol para a resolução de pendências burocráticas de última hora. Torcedores que haviam comprado passagens para a Bolívia tentam reaver os valores com companhias aéreas.
Crise política boliviana culminou em bloqueios aéreos
A turbulência que causou a alteração na Copa Sul-Americana começou seis meses após a eleição presidencial boliviana, realizada no final do ano passado. A população iniciou atos massivos pedindo a renúncia imediata do presidente Rodrigo Paz, que assumiu o cargo em novembro de 2025. O governante, que possui forte histórico familiar na política local, venceu o segundo turno após crescer de forma surpreendente nas pesquisas de intenção de voto.
A insatisfação popular cresceu de forma acentuada após o governo decretar medidas econômicas duras para conter a recessão e a escassez de combustíveis no país. As decisões administrativas provocaram reajustes severos na economia nacional nos primeiros meses do mandato corrente.
- O preço do óleo diesel registrou uma alta de 163% nas bombas de abastecimento.
- O valor cobrado pela gasolina sofreu um acréscimo imediato de 86% para o consumidor.
- Surgiram denúncias consistentes sobre a distribuição de combustíveis adulterados em postos públicos.
- Sindicatos de caminhoneiros e produtores rurais iniciaram piquetes permanentes nas rodovias de acesso.
Intervenção militar e repressão em La Paz
Os bloqueios em vias urbanas e rodovias da capital administrativa, La Paz, foram a resposta dos manifestantes contra as ações das forças de segurança do Estado. Grupos formados por camponeses, agremiações sindicais e movimentos sociais exigem a saída do chefe do Executivo. As lideranças locais que comandam os protestos mantêm alinhamento político com o ex-presidente Evo Morales, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019.
O atual mandatário acionou o exército para desobstruir os caminhos por meio da Operação Corredor Humanitário, que mobilizou milhares de agentes estatais no sábado. A ação militar resultou em confrontos abertos com o uso de gás lacrimogênio, pedras e artefatos explosivos caseiros nas ruas. O governo boliviano acusa Evo Morales de coordenar os distúrbios civis com suposto financiamento de atividades ilícitas ligadas ao narcotráfico. A população favorável ao antigo governante reagiu ocupando fisicamente o Aeroporto de Chimoré, na região de Cochabamba, com o objetivo claro de impedir uma eventual ordem de prisão contra o líder político.
Outro clube brasileiro enfrentou mesma alteração
A escalada da violência civil e a interrupção completa dos serviços aeroportuários forçaram a Conmebol a retirar múltiplos confrontos do território boliviano nesta rodada de competições. A confederação avaliou que as garantias mínimas de segurança pública não estavam asseguradas para as delegações estrangeiras e para as equipes de arbitragem. O país enfrenta um racha profundo na esquerda desde que o ex-presidente Luis Arce abriu mão de tentar a reeleição devido a disputas internas partidárias.
A equipe do Mirassol também teve seu compromisso modificado pelo mesmo motivo geopolítico no início da semana esportiva corrente. O time do interior paulista jogaria contra o Always Ready em solo boliviano, mas precisou atuar em solo paraguaio. A partida válida pela mesma rodada continental terminou com vitória dos brasileiros pelo placar de 2 a 1 após noventa minutos regulamentares de disputa. O Botafogo tenta repetir o sucesso do rival nacional para garantir pontos importantes em sua caminhada na fase de grupos da competição de clubes.

