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Funcionário público francês é acusado de drogar mais de 200 mulheres em entrevistas de emprego

Entrevista de emprego
Foto: Entrevista de emprego - Thanakorn Lappattaranan/ iStock

Uma ex-mãe desempregada chegou a uma entrevista de emprego em Strasbourg há dez anos. Ela aceitou um chá oferecido pelo entrevistador. Pouco depois, durante um passeio longo pelas margens do rio Ill, sentiu uma urgência súbita e intensa para urinar. A dor era forte. Ela não conseguiu segurar.

O caso envolve Christian Nègre, ex-diretor de recursos humanos do Ministério da Cultura da França. As autoridades investigam acusações de que ele colocou diurético em bebidas de mais de 200 mulheres entre 2009 e 2018. As candidatas relatam que ele sugeria continuar as conversas em caminhadas ao ar livre, longe de banheiros. Muitas perderam o controle em público ou molharam as roupas. Ninguém foi condenado até o momento.

Acusado mantinha planilha com detalhes das supostas ações

A polícia encontrou um arquivo no computador dele intitulado “Experimentos”. Nele, Nègre registrava datas, nomes das candidatas e reações observadas após oferecer as bebidas.

  • As mulheres tinham idades variadas e vinham de diferentes regiões do país.
  • Muitas foram contatadas via LinkedIn para vagas no ministério ou em escritórios regionais.
  • O diurético usado é potente e ilegal em contexto não médico, segundo as investigações.
  • Algumas vítimas relataram sudorese, tremores e inchaço nos pés após o episódio.
  • Várias evitaram procurar emprego por meses ou anos depois do ocorrido.

A descoberta do caso ocorreu em 2018. Uma colega relatou que Nègre tentou fotografar as pernas de uma funcionária. Isso levou à abertura de inquérito. Oficiais identificaram o padrão em dezenas de depoimentos.

Vítimas descrevem humilhação e impacto na vida profissional

Marie-Hélène Brice participou de uma entrevista à beira do rio. Ela sentiu dor intensa equivalente a contrações de parto. Mesmo após molhar o vestido, a urgência persistiu. Hoje, aos 39 anos, ela conta o episódio como traumático.

Sylvie Delezenne, de Lille, aceitou café em Paris. O entrevistador pegou o copo brevemente antes de devolvê-lo. Durante horas de caminhada pelos jardins das Tulherias, ela suava e tremia. Acabou se agachando em um túnel. Ele ofereceu o casaco para “protegê-la”. Ela se sentiu responsável pelo fracasso da entrevista.

Anaïs de Vos, entrevistada em 2011, precisou usar um banheiro pago mas não tinha dinheiro. O entrevistador disse não ter troco. Ela conseguiu chegar a um café, mas já havia perdido o controle parcialmente.

Investigação enfrenta atrasos e críticas ao sistema judicial

O processo segue em fase de instrução judicial. Nègre foi afastado do serviço público em 2019. Ele responde a acusações de administração de substância nociva, assédio sexual e violação de privacidade. Seu advogado informou que ele não comenta o caso enquanto a apuração continua.

Várias vítimas receberam indenizações em ação civil contra o Estado. Um tribunal considerou falha na proteção das funcionárias. O Ministério da Cultura nega responsabilidade direta mas afirma adotar medidas contra assédio.

O número de vítimas confirmadas varia entre 197 e 249, conforme fontes próximas ao inquérito. A lentidão da Justiça gera frustração. Algumas mulheres comparam o caso ao julgamento de Dominique Pelicot, que envolveu submissão química em escala grande.

Contexto maior de submissão química ganha visibilidade na França

Casos de drogas usadas para abusar de mulheres chamam atenção desde o processo Pelicot, encerrado com condenações em 2024. Ativistas apontam demora excessiva em investigações complexas. Magistrados lidam com sobrecarga de processos.

Nègre continuou trabalhando em setor privado após o afastamento. Relatos indicam que ele lecionou em uma escola de negócios sob nome falso por período. As vítimas pedem afastamento preventivo para evitar novos episódios.

A investigação deve atualizar as partes envolvidas nos próximos meses. Ainda não há previsão de data para eventual julgamento.