Brasil

Brasil detecta concentrações elevadas de terras raras no Cinturão Ribeira

Terras raras
Foto: Terras raras - Svitlana Jasna / Svitlana Jasna - shutterstock.com

O Serviço Geológico do Brasil identificou concentrações consideradas relevantes de elementos terras raras em áreas do Cinturão Ribeira, formação geológica que atravessa partes de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Os primeiros resultados da pesquisa apontaram amostras com níveis acima de 8 mil partes por milhão de terras raras totais, volume classificado como elevado para esse tipo de ocorrência geológica e que sugere enriquecimento mineral significativo.

A descoberta integra uma pesquisa ainda em fase inicial, com término previsto para 2027. O levantamento envolveu coleta de solo e rochas, além de análise e reinterpretação de dados geoquímicos e geofísicos existentes em diversas localidades das três regiões.

Localidades onde foram realizadas as análises

Os trabalhos de campo abrangeram diversos municípios nas três unidades federativas. Em São Paulo, as equipes atuaram em Itupeva, Alumínio, Morungaba, Capão Bonito, Juquiá, Jacupiranga, Cajati, Itapirapuã Paulista e Cananéia. No Paraná, as atividades ocorreram em Cerro Azul, Castro, Carambeí e Tijucas do Sul. Santa Catarina teve estudos concentrados em Joinville e Garuva. A seleção dessas áreas baseou-se em um mapa de potencial mineral desenvolvido pelo próprio SGB.

Importância estratégica das terras raras

Terras raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para a indústria tecnológica global. Esses materiais são essenciais na fabricação de baterias, carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Eles existem em diversas regiões do planeta e normalmente aparecem misturados a outros minérios, o que torna o processo de extração complexo e custoso.

  • Aplicações industriais: baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas
  • Usos tecnológicos: eletrônicos avançados e equipamentos de defesa
  • Desafio de extração: presença misturada a outros minerais complica o processamento
  • Relevância geopolítica: elemento estratégico disputado globalmente

Próximas etapas da pesquisa

Lucy Takehara, coordenadora do Projeto Terras Raras do SGB, explicou que a fase seguinte será mais detalhada. “Essa primeira fase de amostragem foi um estudo regional. Agora, nas áreas em que identificamos teores mais elevados, faremos um detalhamento com amostragens mais sistemáticas para identificação ou confirmação também desses teores anômalos”, afirmou.

A pesquisadora alertou que a presença dos elementos não significa automaticamente a existência de uma jazida economicamente viável. O Cinturão Ribeira já era conhecido pela ocorrência de minerais associados a terras raras, tanto em complexos alcalino-carbonatíticos quanto em formações graníticas.

Cronograma de novas campanhas de campo

O projeto prevê novas campanhas de amostragem ainda neste ano. Entre os municípios paulistas que receberão as próximas análises estão Sete Barras, Tapiraí, Piedade e Natividade da Serra. As investigações continuarão focadas nas regiões que apresentaram resultados mais expressivos durante a primeira etapa de mapeamento.

A pesquisa faz parte dos esforços brasileiros para identificar e caracterizar recursos minerais estratégicos. A conclusão está programada para 2027, quando os dados consolidados permitirão melhor compreensão do potencial de terras raras no território nacional e nas formações geológicas específicas do Cinturão Ribeira.