Cientistas das universidades de Toronto e Ottawa mediram diretamente a liberação de hidrogênio branco em rochas antigas do Escudo Canadense. O estudo identificou fluxo contínuo de gás em poços de uma mina em operação. Os resultados foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
A formação geológica abriga algumas das rochas mais antigas do planeta. Pesquisadores acompanharam o acúmulo e a saída do gás por um período longo. O volume registrado sugere potencial para uso como fonte de energia limpa.
Medição direta revela fluxo sustentável de hidrogênio
Equipes coletaram amostras em 35 poços de perfuração em uma mina próxima a Timmins, no Ontário. Cada poço liberou em média 0,008 tonelada de hidrogênio por ano. Isso equivale a cerca de oito quilos, peso aproximado de uma bateria de carro comum.
O gás continua a sair de forma estável há mais de dez anos. Barbara Sherwood Lollar, professora da Universidade de Toronto e autora principal, liderou o trabalho junto com Oliver Warr, da Universidade de Ottawa. A análise confirmou que o hidrogênio se acumula naturalmente nas profundidades.
- Poços analisados até 2,9 quilômetros de profundidade
- Liberação média de 8 quilos por poço ao ano
- Potencial de fluxo mantido por uma década ou mais
- Rochas datam de bilhões de anos atrás
Essa foi a primeira medição direta e de longo prazo do hidrogênio branco em formação continental antiga. Até então, o tema interessava principalmente microbiologistas que estudam vida subterrânea.
Como o hidrogênio branco se forma nas rochas
Reações químicas entre água e minerais ricos em ferro geram o gás nas profundezas. O processo ocorre sem intervenção humana. Diferente do hidrogênio verde, não exige eletricidade de fontes renováveis para produção.
O Escudo Canadense cobre cerca de metade do território canadense. Ele contém rochas do período pré-cambriano. Essas estruturas também abrigam depósitos de níquel, cobre e diamantes. A proximidade com minas existentes pode reduzir custos de infraestrutura para extração futura.
O estudo mapeou concentrações do gás e acompanhou seu acúmulo ao longo do tempo. Resultados indicam que o fenômeno não é pontual. Ele pode se repetir em outras áreas com composição rochosa semelhante.
Vantagens econômicas e ambientais do recurso natural
O hidrogênio branco surge diretamente da crosta terrestre. Por isso, seu custo tende a ser menor que o de versões produzidas industrialmente. Ele já é usado hoje na fabricação de amônia para fertilizantes, na refino de petróleo e na indústria siderúrgica.
A adoção em maior escala poderia diminuir emissões em setores difíceis de descarbonizar. Países com formações geológicas antigas, como o Canadá, ganham uma opção doméstica de energia. Isso reduz dependência de importação de combustíveis fósseis.
Sherwood Lollar destacou que o recurso oferece oportunidade de energia acessível gerada localmente. A pesquisa abre caminho para exploração mais ampla de hidrogênio natural em diferentes partes do mundo.
Potencial de aplicação em minas e comunidades locais
Muitas minas canadenses estão instaladas exatamente sobre rochas do Escudo. Essa sobreposição facilita possível aproveitamento do gás. O hidrogênio liberado poderia suprir parte da demanda energética das próprias operações ou de regiões próximas.
Cálculos preliminares em um único local apontam para dezenas de toneladas anuais quando extrapolados para todos os poços da mina. O equivalente energético chega a milhões de quilowatt-hora por ano. O volume poderia alimentar centenas de residências.
Ainda são necessários avanços em tecnologia de captura e armazenamento seguro. Especialistas avaliam viabilidade econômica em diferentes cenários. O estudo de Toronto e Ottawa fornece dados concretos para essas análises.
Contexto global da busca por hidrogênio natural
Diversos países iniciaram prospecção de hidrogênio geológico nos últimos anos. Descobertas anteriores ocorreram na Austrália, Estados Unidos, França e Mali. O Canadá agora contribui com medições precisas em rochas muito antigas.
O hidrogênio branco recebe também o nome de hidrogênio dourado ou geológico. Ele se soma às opções de baixo carbono para a transição energética. Diferente de fontes renováveis intermitentes, o fluxo subterrâneo tende a ser mais constante.
A pesquisa publicada em 18 de maio de 2026 reforça o interesse científico pelo tema. Equipes continuam a mapear formações semelhantes em outros continentes. O objetivo é entender melhor o potencial real do recurso.

