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Universidade de Gênova rejeita ligação com morte de cinco italianos em caverna nas Maldivas

Video Caverna Maldivas
Foto: Video Caverna Maldivas - reprodução youtube

A Universidade de Gênova declarou oficialmente que a expedição em um complexo de cavernas subaquáticas nas Maldivas não fazia parte do cronograma de atividades científicas da instituição. O acidente, registrado em 14 de maio, resultou na morte de cinco cidadãos italianos durante a exploração do local. A direção da entidade de ensino superior argumenta que a operação ocorreu por iniciativa estritamente pessoal dos envolvidos. Entre as vítimas fatais do incidente estavam a professora Monica Montefalcone e a pesquisadora Muriel Oddenino, ambas integrantes do quadro de funcionários da universidade europeia.

O caso gerou desdobramentos administrativos imediatos e reações por parte dos familiares das vítimas. A administração da universidade optou por remover os perfis profissionais das duas funcionárias do portal oficial da instituição na internet. A medida provocou forte indignação em Carlo Sommacal, viúvo da professora Monica Montefalcone. Questionada sobre a motivação técnica ou ética para a exclusão das páginas logo após a confirmação das mortes, a assessoria de imprensa da entidade acadêmica preferiu manter o silêncio e não emitiu nenhum comunicado adicional.

Análise de correspondências e protocolos de autorização

As autoridades responsáveis pela investigação do caso iniciaram um processo minucioso de rastreamento digital. O foco principal recai sobre os e-mails institucionais trocados entre Monica Montefalcone e o Departamento de Ciências da Terra, do Meio Ambiente e da Vida, conhecido pela sigla Distav, setor onde a docente exercia suas funções acadêmicas. Os peritos tentam reconstruir a linha do tempo do planejamento da viagem para entender o nível de conhecimento da universidade sobre a rota exata da equipe.

O escrutínio das mensagens eletrônicas possui objetivos técnicos bem definidos pelas equipes de perícia internacional. Os investigadores buscam mapear os seguintes pontos fundamentais nos servidores do Distav:

  • Detalhes das atividades científicas previamente autorizadas pela coordenação.
  • Comunicações específicas sobre o planejamento do mergulho em ambiente de caverna.
  • Qualquer menção a pedidos de liberação para operações em águas profundas.
  • Registros de treinamento técnico e preparo específico para ambientes confinados.

A documentação armazenada nos computadores do departamento pode confirmar ou refutar a tese de distanciamento institucional apresentada pela universidade. O acesso irrestrito aos arquivos digitais e físicos do Distav ocorrerá nos próximos dias, permitindo que os agentes cruzem as informações declaradas com os registros oficiais de pesquisa aprovados para o ano letivo em curso.

Falhas em equipamentos e ausência de comunicação prévia

O governo local também apresentou sua versão sobre os trâmites burocráticos da expedição estrangeira. Mohamed Hussain Shareef, porta-voz da Presidência das Maldivas, confirmou que o grupo de italianos possuía a documentação necessária para realizar mergulhos em profundidades superiores a 30 metros. No entanto, o representante governamental enfatizou que nenhuma autoridade marítima local recebeu comunicados sobre a intenção do grupo de explorar a rede de cavernas. Essa modalidade de imersão exige certificações rigorosas e difere drasticamente do mergulho em águas abertas.

A análise preliminar dos equipamentos recolhidos no local do acidente revelou inconsistências graves em relação ao ambiente explorado. Os laudos indicam que a maior parte do material utilizado pelas vítimas era adequada exclusivamente para mergulhos de caráter recreativo. O traje de neoprene vestido por Monica Montefalcone atraiu a atenção imediata dos peritos criminais. A professora foi resgatada usando uma versão curta da roupa de mergulho, um modelo projetado pela indústria apenas para imersões rápidas e em águas rasas, sem qualquer proteção térmica adequada para as condições extremas das cavernas profundas.

Fatores de risco extremo e dinâmica do acidente

A reconstrução do cenário subaquático aponta para uma sucessão de erros críticos de avaliação. Gianluca Benedetti, instrutor de mergulho natural da cidade de Pádua, foi localizado pelas equipes de resgate na segunda das três cavernas que compõem o complexo geológico. O profissional estava com o cilindro completamente vazio e o manômetro marcando pressão zero. A posição do corpo e a ausência de gás sugerem uma tentativa de autossalvamento nos momentos finais da imersão.

Especialistas em resgate marítimo detalharam as condições hostis enfrentadas pelo grupo de europeus. Shafraz Naeem, mergulhador maldivo com 30 anos de experiência em cavernas marinhas, analisou os dados preliminares da descida. O profissional explicou que realizar um mergulho a quase 58 metros de profundidade utilizando ar comprimido normal configura um risco de proporções letais. Nessa faixa de profundidade, a pressão da água desencadeia a narcose por nitrogênio, uma condição fisiológica que compromete severamente a consciência, o raciocínio lógico e a capacidade de tomada de decisão do mergulhador.

O ambiente confinado amplifica os perigos inerentes à profundidade extrema. O consumo da mistura de gás acelera exponencialmente devido ao esforço físico e ao estresse psicológico. A ascensão segura em uma caverna torna-se uma manobra de altíssima complexidade, exigindo navegação precisa sem a possibilidade de subida vertical direta para a superfície. Shafraz Naeem listou fatores em cascata que contribuíram para o desfecho: narcose, desorientação espacial, perda abrupta de visibilidade pelo levantamento de sedimentos, falhas de equipamento, separação dos membros da equipe e pânico generalizado. O especialista ressaltou que apenas a conclusão do inquérito poderá atestar a ordem exata dos eventos.

Depoimentos da tripulação e andamento da perícia

A fase atual da investigação concentra-se na coleta de testemunhos oculares e na análise de rotas da embarcação base. Os agentes de segurança estão conduzindo entrevistas formais com as outras 20 pessoas que estavam a bordo do navio Duke of York. Esses passageiros integravam a mesma expedição turística e científica, dividindo os espaços comuns da embarcação nos dias que antecederam a descida fatal. Os relatos dos sobreviventes são considerados peças fundamentais para entender o clima, as conversas e o nível de planejamento discutido pelo grupo antes de entrarem na água.

As informações sobre as falhas operacionais da equipe ganharam repercussão internacional após publicações na imprensa europeia. O jornal Il Messaggero divulgou as primeiras revelações sobre os erros técnicos cometidos pelos mergulhadores, baseando suas reportagens em fontes ligadas aos investigadores maldivos que atuam diretamente no caso. A publicação expôs a fragilidade do planejamento e a incompatibilidade dos equipamentos com a complexidade do sistema de cavernas escolhido para a exploração.

O inquérito conjunto entre as autoridades asiáticas e europeias segue em andamento sem prazo definido para a apresentação do relatório final. A perícia técnica trabalha para estabelecer a cadeia de responsabilidades civis e criminais. Os promotores do caso buscam determinar com exatidão se houve negligência comprovada nas fases de planejamento logístico, na emissão de autorizações de viagem e durante a execução prática do mergulho. O cruzamento dos dados do computador de bordo do navio com os computadores de mergulho das vítimas fornecerá o quadro definitivo dos acontecimentos registrados no fundo do mar.