Vice-presidente da EMS avalia mercado ilegal de caneta emagrecedora em até 5 vezes maior
O mercado informal de semaglutida no Brasil pode alcançar volume até 5 vezes superior ao do mercado formal, segundo estimativa apresentada pela EMS durante coletiva realizada nesta terça-feira (26). A avaliação foi feita pelo vice-presidente da empresa, Marcus Sanchez, após a aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) da primeira versão nacional de semaglutida, o medicamento Ozivy.
A forte procura por medicamentos dessa classe nos últimos anos estimulou a formação de um mercado paralelo abastecido por produtos contrabandeados e versões manipuladas comercializadas fora das condições regulatórias exigidas. Segundo a EMS, a quantidade de unidades que circulam nesse segmento informal supera amplamente o volume vendido pela indústria farmacêutica regularizada.
Produtos sem registro e oriundos do exterior
Durante a apresentação, Sanchez criticou a comercialização de produtos sem registro na Anvisa. Parte das alternativas atualmente vendidas como substitutos da semaglutida industrializada chega ao consumidor sem passar pelo processo de avaliação de qualidade, eficácia e segurança exigido pela agência reguladora para medicamentos registrados.
O executivo também apontou a importação irregular de versões legalizadas em outros países. Ele citou especificamente o caso do Paraguai, onde existem semaglutidas comercializadas sob as regras locais, mas ressaltou que a aprovação em outro país não autoriza automaticamente a importação ou venda do produto em território brasileiro.
A EMS não vê problema na entrada de novos concorrentes, desde que todos estejam submetidos às mesmas exigências regulatórias. Segundo Sanchez, a diferença fundamental está no rigor do processo de aprovação e na garantia de qualidade dos medicamentos oferecidos ao mercado.
Expectativas da EMS com o Ozivy
A empresa projeta que o Ozivy se torne seu medicamento de maior faturamento nos próximos 12 meses. A plataforma produtiva utilizada tem capacidade de até 40 milhões de unidades anuais, volume que a farmacêutica considera suficiente para atender à demanda esperada no país.
O medicamento deverá chegar às farmácias em até 30 dias, com preço aproximadamente 30% inferior ao do Ozempic, medicamento que lidera o mercado formal. Essa redução de preço integra a estratégia da EMS para ampliar o acesso ao medicamento e reduzir o espaço do mercado paralelo.
Como a concorrência pode formalizar o setor
Na avaliação da EMS, a ampliação da oferta de medicamentos registrados tende a reduzir a procura por alternativas irregulares. Sanchez apontou que parte do crescimento do mercado paralelo ocorreu em um contexto de forte demanda pelos medicamentos à base de semaglutida associada a limitações de oferta.
Com a chegada de novos fabricantes e o aumento da concorrência, a companhia espera contribuição significativa para uma maior formalização do setor. Os seguintes fatores são considerados pela EMS como essenciais para esse processo:
- Expansão do número de fornecedores autorizados pela Anvisa
- Redução gradual dos preços por efeito da concorrência
- Maior conscientização do consumidor sobre riscos de produtos irregulares
- Aumento da fiscalização nas fronteiras para contenção do contrabando
- Educação sobre qualidade e segurança dos medicamentos registrados
Contexto do mercado de semaglutida no Brasil
A semaglutida é um medicamento originalmente desenvolvido para o tratamento de diabetes tipo 2, mas ganhou forte demanda nos últimos anos também para fins de perda de peso em pessoas obesas. O Ozempic, versão da Novo Nordisk, é o principal medicamento dessa classe no mercado formal brasileiro.
Após o término da patente da Novo Nordisk no Brasil, a Anvisa abriu espaço para novos fabricantes apresentarem versões genéricas ou similares. O Ozivy da EMS é a primeira a receber aprovação regulatória completa nessa condição.
O mercado paralelo de semaglutida se caracteriza pela presença de produtos contrabandeados do Paraguai, canetas emagrecedoras manipuladas em clínicas não autorizadas e versões falsificadas. A falta de controle de qualidade nesses produtos representa risco à saúde dos consumidores.
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