Aryna Sabalenka nega hipocrisia por usar joias de R$ 760 mil e protestar em Roland Garros
A tenista bielorrussa Aryna Sabalenka rebateu as acusações de hipocrisia por utilizar joias avaliadas em mais de 130 mil euros, o equivalente a cerca de R$ 760 mil, durante o torneio de Roland Garros, em Paris. A atleta, atual número 1 do mundo, entrou em quadra com os acessórios luxuosos na última terça-feira, dia 26 de maio de 2026, na vitória contra a espanhola Jessica Bouzas Maneiro. O caso gerou questionamentos porque a coletiva de imprensa posterior ao confronto acabou interrompida aos 15 minutos em uma manifestação explícita contra as premiações pagas pela organização da competição francesa.
Durante o atendimento aos jornalistas na capital da França, a competidora foi confrontada sobre a contradição entre ostentar peças de alto valor e cobrar maior compensação financeira do Grand Slam. Aryna Sabalenka contestou a linha de raciocínio da pergunta de forma contundente e imediata. A jogadora argumentou que os dois temas são completamente independentes dentro do circuito profissional. A líder do ranking da WTA explicou que a manifestação busca amparar competidoras que ocupam posições inferiores e enfrentam dificuldades financeiras para se manter na turnê.
Tenista detalha motivos de cobrança por divisão justa
A atleta explicou que a mobilização das principais estrelas do tênis mundial não foca em ganhos pessoais de quem já ocupa o topo. O movimento coordenado tenta mudar a estrutura de repasses para esportistas de menor expressão que lutam pela subsistência na modalidade. Aryna Sabalenka pontuou que o debate passa longe de sua realidade bancária particular. O propósito envolve uma distribuição financeira mais equilibrada das receitas geradas por competições de grande porte.
A bielorrussa atuou no saibro de Paris utilizando dois colares e brincos que somavam 15,6 quilates de diamantes, além de granadas de 136,5 quilates. Os adereços chamaram a atenção do público nas transmissões oficiais e motivaram o debate político nos bastidores do torneio.
A líder do ranking mundial reforçou sua posição protetiva em relação ao futuro das novas gerações que tentam ingressar na elite do esporte:
- Todo mundo sabe que estou bem. Lutamos por uma divisão justa das receitas e também pelas atletas de menor ranking, pelas que retornam de lesão, para que a próxima geração se sinta mais confortável ao entrar no top 10. Então, não se trata de mim.
Razões do descontentamento dos atletas com organização francesa
A insatisfação do elenco do circuito profissional aumentou após a divulgação do reajuste financeiro feito pela gerência de Roland Garros para a temporada atual. A direção do evento anunciou um acréscimo de aproximadamente 10% nas premiações totais na comparação direta com o período anterior. Apesar do indicador positivo, o patamar ficou muito abaixo dos 20% aplicados no último US Open, em Nova York. Os esportistas apontam que a participação dos competidores no faturamento global da marca registrou queda real.
Os dados financeiros internacionais indicam que o Grand Slam da França arrecadou 395 milhões de euros em 2025, o que significa R$ 2,31 bilhões. O montante representou evolução de 14% em relação ao arrecadado na temporada antecedente pela federação local. No entanto, o dinheiro destinado aos atletas subiu apenas 5,4% na mesma janela de comparação. Esse descompasso reduziu a fatia dos jogadores para 14,3% do bolo de receitas gerado pelas quadras francesas.
A estimativa para o torneio de 2026 indica uma receita superior a 400 milhões de euros, o que representa mais de R$ 2,34 bilhões. Mesmo com a nova expansão de caixa, o montante reservado para pagamento de prêmios ficará abaixo de 15% do total apurado. Os atletas reivindicam formalmente que o percentual atinja ao menos 22% do faturamento bruto gerado pelo evento.
Valores detalhados por fases em Paris
O torneio na França começou suas atividades em 18 de maio e prevê a grande decisão para o dia 7 de junho. O planejamento financeiro distribui os recursos conforme o avanço de cada participante pelas rodadas eliminatórias na chave parisiense.
Abaixo estão os valores oficiais definidos para cada estágio em Roland Garros:
- Campeões das chaves de simples masculina e feminina: 2,8 milhões de euros (R$ 16 milhões)
- Vice-campeões das chaves de simples: 1,4 milhão de euros (R$ 8 milhões)
- Semifinalistas das chaves de simples: 750 mil euros (R$ 4,39 milhões)
- Eliminados na primeira rodada de simples: 87 mil euros (R$ 509 mil)
- Vencedores das chaves de duplas masculina e feminina: 600 mil euros (R$ 3,51 milhões)
- Campeões da chave de duplas mistas: 122 mil euros (R$ 713,7 mil)
Os números expõem a diferença drástica entre quem atinge as fases finais e quem cai na estreia. O grupo de atletas cobra readequação urgente para proteger os competidores de base desse sistema.
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