Ciência

Avi Loeb discute Projeto Galileu, OVNIs, inteligência extraterrestre, transformação da humanidade e impactos de avanços tecnológicos e descobertas cósmicas

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Foto: Universo - loops7/ istockphoto.com

Avi Loeb, renomado cientista de Harvard e líder do Projeto Galileu, compartilhou suas perspectivas sobre a busca por inteligência extraterrestre e os desafios atuais da humanidade em uma entrevista recente em Atenas, Grécia. Ele abordou as implicações da aceleração tecnológica e a potencial descoberta de civilizações fora da Terra, enfatizando a importância de dados científicos robustos para validar essas hipóteses. A conversa destacou a necessidade de uma abordagem rigorosa para investigar fenômenos anômalos.

As declarações de Loeb surgem em um período de intensa discussão global sobre inteligência artificial e a possível existência de vida inteligente no universo, sugerindo que a humanidade se aproxima de uma revolução histórica. Ele reitera que a confirmação de inteligência extraterrestre poderia alterar drasticamente as prioridades mundiais, incentivando a cooperação global em vez de conflitos. A equipe do Projeto Galileu segue monitorando milhões de objetos celestes, buscando evidências concretas que possam redefinir nossa compreensão cósmica de forma decisiva.

Revolução cósmica e o futuro da humanidade

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O cientista interpreta o momento atual, marcado por guerras, crise climática, polarização política e aceleração tecnológica, como uma era precedente a uma grande revolução. O crescimento exponencial da inteligência artificial (IA) e a potencial descoberta de vida inteligente extraterrestre podem moldar um futuro drasticamente diferente do passado humano. Loeb sugere que a descoberta de uma civilização tecnológica vizinha seria como “ouvir um vizinho bater à porta”, esperando que tal perspectiva externa acalmasse as discussões internas na Terra.

O reconhecimento de que não estamos sozinhos no universo tem o poder de mudar as prioridades humanas. Poderíamos passar de conflitos para uma cooperação global, pois todos estariam no mesmo “barco” ao lidar com visitantes interestelares. Contudo, é crucial garantir que nenhum indivíduo aja de forma irresponsável, pois tal conduta afetaria a todos.

Avanços do Projeto Galileu na detecção de objetos

O Projeto Galileu, em seus cinco anos de existência, monitorou milhões de objetos no céu. A vasta maioria desses objetos foi identificada como fenômenos naturais ou criados pelo homem. A pesquisa foca na busca por exceções raras a essas categorias, pois a descoberta de um único objeto extraterrestre representaria a maior revelação da história da humanidade. Esse objeto poderia revelar novas ciências e tecnologias, além de aprimorar as prioridades geopolíticas e as ambições espaciais.

Recentemente, o projeto alcançou a capacidade de medir distâncias a objetos celestes com uma precisão superior a 10%. Essa funcionalidade é possível utilizando múltiplos observatórios separados por 10 quilômetros, localizados em Nevada. A triangulação de objetos a partir de três direções distintas permite inferir sua posição, velocidade e aceleração em três dimensões. Esta capacidade é crucial, pois um único ponto de vista pode distorcer a percepção de tamanho e velocidade de um objeto.

Os arquivos sobre OVNIs divulgados pelo Pentágono não fornecem informações de distância, impossibilitando determinar se os objetos registrados se movem além do alcance da tecnologia humana, como balões ou drones. Loeb expressou decepção com a falta de dados suficientes para tirar conclusões definitivas sobre a origem exótica desses objetos, ressaltando a necessidade de informações científicas de maior qualidade. Ele afirma que a ciência não precisa depender de informações governamentais, incentivando a observação direta com instrumentos e computadores de última geração.

Anomalias de Oumuamua e a Escala de Classificação de Loeb

O objeto interestelar 1I/`Oumuamua, detectado em 2017, continua a ser um foco para Avi Loeb devido às suas anomalias. Os dados limitados indicaram que o objeto possuía uma forma achatada e extrema, com a quantidade de luz solar refletida variando em um fator de 10 a cada 8 horas de rotação. Além disso, `Oumuamua foi repelido do Sol por uma força misteriosa, sem evidências de desgaseificação cometária. Loeb propôs que essa força era resultado da reflexão da luz solar em um objeto muito fino.

Três anos depois, o objeto 2020 SO foi descoberto pelo mesmo telescópio no Havaí, e sua aceleração também foi impulsionada pela reflexão da luz solar. Posteriormente, 2020 SO foi identificado como o estágio superior de uma missão de pouso lunar da NASA de 1966, confirmando sua natureza tecnológica e paredes finas. A questão principal, então, é quem lançou 1I/`Oumuamua.

As intrigantes características de `Oumuamua levaram Loeb a estudar outros objetos interestelares, como 3I/ATLAS, descoberto em 2025. Este último movia-se no plano orbital dos planetas ao redor do Sol com uma precisão de 4,88 graus. Para classificar tais anomalias, Loeb desenvolveu a Escala de Classificação de Loeb.

  • Escala de Classificação de Loeb:
  • * 0: Objeto interestelar de origem natural (rocha ou iceberg).
    * 10: Tecnologia alienígena que constitui ameaça à humanidade.
    * 4: Anomalias intrigantes, mas insuficientes para concluir origem alienígena (classificação de `Oumuamua e 3I/ATLAS).

A expedição do Pacífico recuperou gotículas fundidas, com menos de um milímetro, do local da queda do meteoro interestelar IM1 de 2014. Aproximadamente um décimo dessas gotículas possui composição química e isotópica que difere dos materiais do sistema solar, sendo muito provavelmente extrasolar. Se confirmado, será a primeira vez que cientistas estudam em laboratório materiais de um objeto grande proveniente de fora do sistema solar.

Impacto da descoberta extraterrestre na sociedade

A comprovação de que IM1 ou `Oumuamua são de origem artificial transformaria a percepção humana sobre nosso lugar no Universo. Essa descoberta inspiraria um investimento maior na exploração espacial, possivelmente levando a visitas ao “quintal” daqueles que enviaram sondas ao nosso. Pessoas religiosas poderiam perceber que a divindade não cuida de apenas um “filho”. Essa revolução conceitual levará tempo para impactar a mentalidade de todos na Terra, e alguns podem manter suas rotinas diárias e obsessões por anos.

Avi Loeb lida com o ceticismo acadêmico ignorando a plateia, comparando-se a jogadores de basquete que mantêm os olhos na bola. Ele defende uma linha divisória entre coragem e irresponsabilidade científica, enfatizando que o progresso é impulsionado pela atenção às anomalias nos dados. A irresponsabilidade científica, para ele, reside em décadas de engajamento em sistemas de crenças não testáveis, como a teoria das cordas ou o multiverso, que não podem ser verificados pela coleta de dados da realidade física compartilhada.

Filosofia e ciência: superando a incerteza

A subjetividade na ciência inicia-se no que a comunidade considera digno do esforço de coleta de dados. Loeb exemplifica com a sugestão do astrônomo Otto Struve, que demorou quatro décadas para ser seguida com a descoberta de 51 Pegasi b, um Júpiter quente, porque os observadores optaram por não procurar tais sistemas. Dados revolucionários dependem da disposição em coletá-los. A falta de curiosidade por parte de guardiões avessos ao risco é um fator que suprime a inovação na ciência.

Fazer ciência por consenso prejudica o progresso, pois um caminho já trilhado pode levar a um beco sem saída, como demonstrado pela supersimetria, que foi amplamente adotada pela física teórica e não foi descoberta em seu espaço de parâmetros naturais no Grande Colisor de Hádrons do CERN. Quanto ao Paradoxo de Fermi, Loeb considera mais plausível que as inteligências extraterrestres “podem estar bem aqui”, mas não realizamos uma busca adequada em nosso quintal cósmico.

Se existe inteligência extraterrestre, a falta de comunicação inequívoca pode significar que não somos interessantes para eles, sugerindo que nossa percepção de estar no centro do universo pode ser falha. A descoberta de que não estamos sozinhos seria uma ótima notícia, comparável a encontrar um irmão ou irmã mais realizado, capaz de inspirar a humanidade a ser melhor. A incerteza é uma condição comum na prática científica, e influenciadores que promovem uma falsa sensação de certeza podem estar guiando na direção errada, como o físico Albert A. Michaelson fez em 1894, pouco antes das revoluções da Relatividade e da Mecânica Quântica.

Loeb, que estudou filosofia antes da física, concentra-se nas questões fundamentais da existência que podem ser respondidas através da coleta de dados. Se pudesse enviar uma mensagem a uma inteligência extraterrestre não científica, ele perguntaria: “Onde fica o centro mais próximo de civilizações inteligentes?”. Fora do laboratório, ele valoriza a família e a natureza, correndo 5 quilômetros diariamente antes do nascer do sol, na companhia da fauna local. Ele planeja se desconectar da internet e viver em harmonia com a natureza se a inteligência artificial levar a uma singularidade catastrófica. Ao olhar para as estrelas, Loeb as vê como luzes de cabines em uma gigantesca nave espacial, perguntando-se sobre outros passageiros. Ele ignora as divisões humanas e foca no que será lembrado nos livros de história da Via Láctea daqui a bilhões de anos.