Esportes

Arsenal e Paris Saint-Germain preparam estratégias táticas para a final da Champions League em Budapeste

Desire Doué- Instagram/desire.doue
Foto: Desire Doué- Instagram/desire.doue

A final da UEFA Champions League em 28 de maio de 2026, em Budapeste, coloca frente a frente Paris Saint-Germain e Arsenal em um confronto de estilos distintos. Os dois clubes, reconhecidos por suas forças no futebol europeu, prometem uma disputa intensa, onde a estratégia de cada técnico pode ser decisiva. Luis Enrique e Mikel Arteta chegam à decisão com planos de jogo bem definidos, focando em neutralizar os pontos fortes do adversário.

O Paris Saint-Germain, com sua notável média de 64,6% de posse de bola na Ligue 1 nesta temporada, tende a construir suas jogadas de forma meticulosa. Por outro lado, o Arsenal, que sofreu apenas 27 gols na Premier League e marcou 25 gols de bola parada o melhor desempenho nas cinco principais ligas europeias, buscará ser obstinado na defesa e oportunista no ataque.

Táticas de Paris Saint-Germain: Saques de bola e marcação

O Paris Saint-Germain surpreende os observadores com uma rotina peculiar em seus saques de bola. Em vez de iniciar a jogada de forma convencional, a equipe frequentemente chuta a bola diretamente para a metade do campo adversário. Essa tática, embora pareça rudimentar, tem um propósito claro e estratégico para o time de Luis Enrique.

Stuart Reid, analista de bola parada que trabalhou com clubes como Como e Hull City, explica a intenção por trás dessa abordagem. “Trata-se de encurralar o adversário”, afirmou Reid. “A equipe avança no campo imediatamente e tenta recuperar a posse da bola no arremesso lateral resultante. Assim, o PSG tem a posse na terceira parte do campo adversário rapidamente.” A eficácia é notável: nos dois últimos jogos da Ligue 1, o PSG recuperou a posse em menos de 30 segundos após o saque.

Curiosamente, a equipe não utiliza essa tática para tentar um chute rápido ao gol. As estatísticas mostram que, em 28 vezes na Ligue 1 e 15 na Champions League nesta temporada, a equipe jogou a bola para fora do campo, mas em nenhuma dessas ocasiões chutou a gol nos primeiros 60 segundos. Em vez disso, o PSG geralmente recicla a bola para a linha defensiva e estabelece a posse, aproveitando o espaço inicial.

Essa estratégia também visa evitar a vulnerabilidade em saques de bola tradicionais, onde o espaço entre os jogadores pode ser explorado. Reid aponta que a Premier League recente registrou gols de Erling Haaland pelo Manchester City contra o Everton e de Wilson Isidor pelo Sunderland contra o Aston Villa, que surgiram imediatamente após kickoffs, devido a grandes lacunas defensivas. Ao jogar a bola para fora, o PSG impede essa situação, reagrupando-se como uma unidade compacta.

As táticas de tiro de meta do PSG também geraram discussões, especialmente na semifinal contra o Bayern de Munique. O goleiro Matvei Safonov repetidamente chutava a bola para fora, pouco além da linha de meio-campo. Inicialmente, parecia um erro, mas rapidamente se mostrou um padrão intencional.

“Há um aspecto mental nisso”, disse Reid, sobre a tática de tiro de meta. “Você os prende, os coloca na defensiva, estabelece uma pressão no lugar de sua escolha; é um jogo mental.” Reid ainda acrescentou que, no jogo de ida, Safonov direcionava os chutes para a lateral de Michael Olise, ponta do Bayern, para limitar seu espaço de atuação. Essa estratégia visava impedir que Olise impusesse seu jogo. A pergunta que paira é se o PSG aplicará tática similar para pressionar Bukayo Saka, principal jogador do Arsenal e que atua na mesma posição de Olise.

Dilema no ataque do Arsenal: Havertz ou Gyökeres?

É incomum que um time chegue à final da Champions League com dúvidas sobre seu centroavante, especialmente buscando uma possível dobradinha de liga e Europa. No entanto, o Arsenal de Mikel Arteta enfrenta esse cenário, com duas opções para a frente: Kai Havertz ou Viktor Gyökeres. Ambos apresentam características distintas, e a escolha de Arteta pode ser crucial.

Alguns argumentam que Gyökeres merece a titularidade. Sua forma melhorou significativamente na reta final da temporada, ele possui um bom retrospecto na Champions League com 5 gols em 11 partidas como titular e, mais importante, teve atuações excepcionais nas semifinais contra o Atlético Madrid. Na partida de volta, mesmo sem marcar, Gyökeres demonstrou seu melhor desempenho com a camisa do Arsenal, dominando a defesa de Diego Simeone, puxando zagueiros e criando chances.

Contudo, Gyökeres costuma brilhar quando tem uma vantagem física sobre seus oponentes. Seu primeiro toque e controle de bola não são de alto nível, e ele compensa isso com tamanho, agressão e velocidade. Contra Robin Le Normand, Dávid Hancko e Marc Pubill do Atlético, ele foi superior. A questão é se ele conseguirá o mesmo contra a dupla do PSG, Willian Pacho e Marquinhos, que são defensores mais robustos, especialmente quando estão em plena forma.

Isso fortalece a ideia de que Kai Havertz, um jogador mais técnico, com melhor ligação e excelente capacidade de pressão, deveria começar. Se o Arsenal tiver dificuldades para manter a posse de bola, a habilidade de Havertz em segurá-la e permitir que seus companheiros avancem pode ser inestimável. A abordagem física de Gyökeres, por sua vez, poderia ser mais eficaz no segundo tempo, contra adversários mais cansados ou quando o Arsenal precisar buscar o resultado. Arteta tem uma decisão difícil, que ele, sem dúvida, tomará com rigor.

Fragilidades nas laterais direitas de ambas as equipes

As duas equipes chegam à final com preocupações na lateral direita, um setor que pode ser explorado por ambas as partes. O Arsenal enfrenta uma crise de lesões na posição. Jurriën Timber, a primeira opção, está afastado desde meados de março e, mesmo que se recupere, não estará 100%. Ben White, seu reserva, sofreu uma lesão no joelho contra o West Ham United em maio, encerrando sua temporada.

Isso deixa Arteta com poucas opções, tendo que improvisar jogadores de outras posições:

  • Cristhian Mosquera: Zagueiro de origem e a escolha mais provável, aos 21 anos. Assinado por 13 milhões de libras, enfrentará o desafio de conter Khvicha Kvaratskhelia e Nuno Mendes, considerada a melhor dupla pelo lado esquerdo do mundo.
  • Martín Zubimendi: Meio-campista defensivo.
  • Declan Rice: Meio-campista de box-to-box.

O desafio de Mosquera é ainda maior devido à fluidez dos atacantes do PSG, como Khvicha Kvaratskhelia, Ousmane Dembélé e Désiré Doué, que alternam posições. Isso significa que o jovem defensor não terá um único adversário para preparar especificamente, podendo enfrentar sobrecargas quando os dois pontas do PSG atuarem no mesmo lado.

O Paris Saint-Germain também tem suas próprias incertezas na lateral direita. Achraf Hakimi, que sofreu uma lesão no tendão na semifinal contra o Bayern de Munique, corre contra o tempo para se recuperar. Caso ele não esteja apto, o meio-campista Warren Zaïre-Emery, de apenas 20 anos, será o substituto. Zaïre-Emery já atuou 21 vezes na posição nesta temporada e se adaptou bem ao papel.

Contudo, Zaïre-Emery não oferece o mesmo ímpeto ofensivo de Hakimi e não é um lateral de formação, o que pode abrir oportunidades para os pontas-esquerdas do Arsenal, como Leandro Trossard, Gabriel Martinelli ou Eberechi Eze. Se Hakimi conseguir jogar, será sua primeira partida em um mês, após uma campanha com interrupções devido à Copa do Mundo de Clubes. Isso sugere que ele pode estar fatigado ou sem ritmo, algo que o Arsenal certamente tentará explorar.