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Ericsson prepara redes 5G em 16 cidades sedes para suportar tráfego de dados na Copa do Mundo 2026

Trofeu Copa do Mundo
Foto: Trofeu Copa do Mundo - Instagram

A empresa sueca de telecomunicações Ericsson anunciou o início de uma fase de testes e avaliações da capacidade das redes 5G em 16 cidades da América do Norte que sediarão a 2026 FIFA World Cup. O planejamento visa garantir que a infraestrutura de conectividade suporte o volume massivo de dados gerado durante o evento esportivo. A competição exigirá um desempenho contínuo e robusto das operadoras para atender às demandas simultâneas de milhões de torcedores, profissionais de mídia e equipes de operação técnica presentes nos estádios e em áreas de grande circulação.

O torneio de 2026 apresenta um formato expandido com 48 seleções, o que aumenta consideravelmente a complexidade logística e tecnológica. As operadoras de telecomunicações já iniciaram o processo de reforço das redes móveis existentes nas regiões metropolitanas escolhidas. O trabalho envolve a instalação de equipamentos macro, antenas de pequenas células e a alocação de ativos temporários para expandir a cobertura e a capacidade do sinal 5G. O objetivo central das empresas do setor é manter uma conexão estável e veloz para o público e para os sistemas internos de transmissão.

Lições extraídas da turnê Eras Tour de Taylor Swift

Os engenheiros da Ericsson utilizam dados de eventos recentes de grande porte para modelar o comportamento do tráfego de internet esperado para a 2026 FIFA World Cup. A turnê Eras Tour, da cantora Taylor Swift, serviu como um dos principais laboratórios práticos para a companhia. Durante as apresentações, o volume de dados gerado pelo público, especialmente o envio de vídeos e fotografias em alta resolução para as redes sociais, superou as estimativas iniciais das empresas de tecnologia. O fenômeno forçou as operadoras a ajustarem suas configurações de rede em tempo real.

Peter Linder, executivo da divisão da Ericsson nas Américas, explicou que a experiência com grandes shows demonstrou a necessidade de inverter a prioridade tradicional das redes. O foco do desenvolvimento tecnológico passou a ser o “uplink”, ou seja, a capacidade de envio de dados do usuário para a rede, em vez do download. A equipe técnica da empresa também monitorou o tráfego de dados em eventos esportivos de alcance global, como o Super Bowl, as 500 Milhas de Indianápolis, corridas da F1 e os Jogos Olímpicos de Paris, para refinar os algoritmos de distribuição de sinal.

A análise contínua desses eventos permite que as operadoras identifiquem gargalos de conexão antes que eles afetem os usuários. A implementação de novos perfis de uso baseados em inteligência artificial ajuda a prever picos de demanda em setores específicos das arquibancadas. A estratégia de antecipação é fundamental para evitar a sobrecarga dos servidores locais durante os momentos cruciais das partidas, como a comemoração de gols ou cerimônias de abertura.

Padrões de consumo de dados e operações de mídia

O comportamento digital dos torcedores em partidas de futebol difere do padrão observado em shows musicais. Enquanto o público de entretenimento foca na gravação contínua de vídeos, os espectadores de esportes utilizam a rede móvel de forma mais fragmentada. O consumo inclui o acesso a estatísticas em tempo real, visualização de replays por diferentes ângulos, verificação de resultados de outros jogos e uso de aplicativos de navegação. Essa característica resulta em um tráfego de dados distribuído ao longo de várias horas e espalhado por diferentes pontos da cidade sede.

A distribuição geográfica do torneio adiciona uma camada extra de exigência técnica. A competição ocorrerá em 11 cidades dos Estados Unidos, três no México e duas no Canadá. O fluxo de dados não ficará restrito ao interior das arenas esportivas. O planejamento abrange a cobertura contínua em aeroportos, estações de trem, hotéis e áreas de concentração de torcedores. Atualmente, os equipamentos de rede de acesso por rádio (RAN) da Ericsson já estão instalados em mais de 75% das cidades que receberão os jogos, estabelecendo uma base para as atualizações futuras.

As operações comerciais e de transmissão televisiva também dependem diretamente da estabilidade do 5G. Sistemas de pagamento eletrônico exigem conexões rápidas e seguras para evitar filas nas praças de alimentação e lojas de produtos oficiais. O tempo de processamento de transações financeiras via terminais móveis caiu de 30 segundos para cerca de dois segundos com a adoção das novas redes. No setor de mídia, emissoras como a NBC Sports realizam testes com o iPhone 17 Pro conectado à rede 5G Standalone (SA) da T-Mobile para viabilizar transmissões ao vivo com equipamentos mais leves e ágeis.

Investimentos das operadoras de telecomunicações na América do Norte

As principais operadoras de telecomunicações da América do Norte executam planos de investimento bilionários para adequar a infraestrutura até o início da 2026 FIFA World Cup. As empresas buscam não apenas suportar o evento, mas utilizar a competição como uma vitrine global para a maturidade da tecnologia 5G. As atualizações incluem a modernização de cabos de fibra óptica, a instalação de novos roteadores de alta capacidade e a implementação de softwares de gerenciamento de tráfego.

  • Rogers: A empresa canadense destinará US$ 22 milhões para a infraestrutura em Toronto e US$ 5 milhões para Vancouver, totalizando um investimento de US$ 27 milhões. As equipes técnicas da operadora já dedicaram cerca de 7.000 horas ao planejamento e design da nova arquitetura de rede.
  • Bell: Como patrocinadora oficial de serviços de telecomunicações no Canadá, a operadora projeta que o consumo de dados ultrapasse a marca de 50 terabytes por estádio a cada partida. O volume equivale a mais de três anos de reprodução ininterrupta de vídeos em alta definição.
  • AT&T: A operadora americana executa mais de 2.000 projetos de atualização de rede nas 11 cidades sedes dos Estados Unidos. As melhorias não se limitam aos estádios, englobando centros de treinamento, aeroportos e rotas de transporte público. A rede é projetada para suportar o dobro ou o triplo do tráfego normal.
  • T-Mobile: A companhia foca na expansão da capacidade do 5G e na otimização do sinal por meio de inteligência artificial. O monitoramento em tempo real abrangerá estádios, zonas de torcedores e áreas de grande circulação, garantindo a adaptação dinâmica da rede conforme o deslocamento do público.

A colaboração entre fornecedoras de equipamentos como a Ericsson e as operadoras locais define o ritmo de preparação tecnológica para o campeonato. A integração de sistemas avançados de comunicação móvel estabelece um novo padrão para a organização de eventos esportivos de escala global. A infraestrutura construída para o torneio permanecerá como um legado tecnológico para as 16 cidades sedes, beneficiando os residentes e o setor corporativo muito além do encerramento da competição.