Um relatório divulgado em 2025 identificou arsênio e cádmio em arroz comercializado nos Estados Unidos. A análise envolveu mais de 100 amostras de diferentes marcas. Os resultados mostram riscos à saúde, especialmente para crianças pequenas.
O documento, elaborado pela Healthy Babies Bright Futures, testou 145 amostras compradas em varejistas de todo o país. Arsênio apareceu em 100% delas. Cerca de um quarto superou o limite de 100 ppb definido pela FDA para cereais de arroz infantis. O cádmio esteve presente em quase todas as amostras.
Testes revelam contaminação generalizada
A organização analisou arroz branco, integral e variedades importadas. Os níveis médios de metais pesados variaram entre 63 e 188 ppb, com picos acima de 240 ppb em algumas unidades. Arsênio inorgânico, a forma mais tóxica, liderou as concentrações. O cádmio ocupou o segundo lugar. Chumbo e mercúrio apareceram em quantidades menores.
Especialistas destacam que a exposição precoce a esses elementos pode afetar o desenvolvimento neurológico. Problemas como redução de QI, distúrbios comportamentais e riscos reprodutivos entram na lista de associações. O relatório reforça que crianças de zero a dois anos correm maior risco por causa do consumo frequente de arroz em papinhas e refeições iniciais.
- Arroz da Califórnia, jasmim tailandês e basmati indiano apresentaram níveis médios 32% menores.
- Amostras do Sudeste dos EUA e arroz arbóreo da Itália registraram as maiores concentrações.
- Um arroz temperado com açafrão mostrou chumbo até 32 vezes acima da média.
Limites da FDA não cobrem arroz para cozimento
A FDA estabeleceu em 2021 o patamar de 100 ppb para arsênio inorgânico em cereais infantis. Desde então, os níveis nesses produtos caíram 45%. No entanto, não existe regulação específica para o arroz vendido em pacotes para preparo doméstico. O relatório nota que esse vazio expõe famílias que preparam papas em casa.
Jane Houlihan, coautora do estudo e diretora de pesquisa da organização, comentou os achados. Ela citou ligações entre arsênio, cádmio e condições como diabetes, toxicidade reprodutiva e doenças cardíacas. A preocupação maior recai sobre crianças pequenas, grupo mais vulnerável.
O arroz representa, em média, 7,5% da exposição total ao arsênio em bebês de zero a dois anos. Entre crianças hispânicas, o percentual sobe para 14%. No caso de crianças asiáticas, chega a 30,5%. Esses números vêm de levantamentos dietéticos federais.
Produtores defendem segurança do arroz americano
A USA Rice Federation respondeu ao relatório. A entidade informou que o arroz produzido nos EUA tem alguns dos menores níveis de arsênio inorgânico do mundo. Representantes afirmaram que não concordam com a ideia de que traços causem problemas de saúde. Eles garantiram continuidade do trabalho com a FDA.
A federação acrescentou que frutas e sucos respondem por 42% da ingestão de arsênio na dieta americana. O arroz ficaria com 17%. Mesmo assim, o estudo da Healthy Babies Bright Futures sustenta que o arroz isoladamente configura a maior fonte única em dietas infantis.
Impacto varia por tipo de arroz e origem
Diferenças regionais e varietais aparecem nos resultados. Arroz integral costuma concentrar mais arsênio na casca. Variedades cultivadas em solos com histórico de contaminação natural ou agrícola apresentam teores mais altos. O relatório sugere que famílias escolham opções com níveis comprovadamente menores.
Médicos pediatras recomendam diversificar os grãos na alimentação infantil. Alternativas como aveia, quinoa e cevada surgem como substitutas com teores inferiores de metais pesados. A Academia Americana de Pediatria já alertou sobre riscos de metais em alimentos para bebês.
Recomendações para redução da exposição
O estudo lista passos práticos. Lavar o arroz antes de cozinhar pode reduzir parte do arsênio. Cozimento com maior volume de água e posterior descarte ajuda. Escolher variedades de regiões com solo mais seguro também faz diferença.
A organização testou nove grãos alternativos. A maioria apresentou níveis de arsênio até 27 vezes menores que o arroz médio. Esses dados orientam pais que buscam minimizar riscos sem eliminar completamente o cereal da dieta.
O relatório chega em momento de maior atenção da opinião pública aos contaminantes em alimentos infantis. Discussões sobre regulação federal ganharam força nos últimos anos. A FDA monitora o tema, mas ainda não estendeu limites ao arroz convencional.
Pesquisas anteriores já haviam identificado o problema. O novo documento atualiza os dados e amplia a amostra. Ele reforça a necessidade de ações que vão além de alertas voluntários da indústria.
Famílias buscam equilíbrio entre tradição e segurança
O arroz integra culturas de diversas comunidades nos Estados Unidos. Seu papel em refeições diárias e receitas tradicionais complica mudanças rápidas. O estudo reconhece essa importância cultural. Ao mesmo tempo, pede atenção redobrada na escolha e preparo para os menores de dois anos.
Profissionais de saúde orientam consulta a pediatras sobre introdução alimentar. Diversificação desde cedo reduz dependência de um único alimento. Medidas simples no dia a dia podem diminuir a ingestão acumulada de metais ao longo dos meses iniciais de vida.
O debate continua aberto. Autoridades reguladoras, produtores e organizações de saúde devem avançar em soluções conjuntas. Enquanto isso, o relatório serve como referência para consumidores que desejam informações atualizadas sobre o que chega à mesa das famílias americanas.

