O Mar Morto encolhe cerca de um metro por ano. O lago salgado, que marca a fronteira entre Israel, Jordânia e territórios palestinos, perdeu aproximadamente um terço de sua superfície nos últimos 50 anos. A combinação de atividade humana e efeitos das mudanças climáticas acelera o processo.
O ponto mais baixo da Terra fica a cerca de 430 metros abaixo do nível do mar. Sua água tem salinidade quase dez vezes maior que a do oceano comum. Banhistas flutuam sem esforço por causa da densidade elevada. No entanto, o volume de água que chega ao lago diminuiu drasticamente.
Desvios no Rio Jordão reduzem aporte de água
O Rio Jordão alimentava o Mar Morto com 1,3 bilhão de metros cúbicos de água por ano. Hoje, o volume caiu para cerca de 100 milhões de metros cúbicos. Israel, Síria e Jordânia construíram barragens e desviaram cursos para abastecimento humano e irrigação.
O Rio Yarmouk, principal afluente, também sofreu forte redução. Décadas de projetos hídricos priorizaram agricultura e consumo urbano. Especialistas apontam que o impacto direto sobre o lago se acumula desde a década de 1960.
A extração de minerais agrava a situação. Empresas israelenses e jordanianas bombeiam água da parte norte para a sul. Elas evaporam o líquido em salinas industriais para obter potássio e magnésio usados em fertilizantes. A seção sul do lago foi dividida artificialmente desde o final dos anos 1970.
- Desvio do Rio Jordão para agricultura e consumo
- Bombeamento para indústrias de extração mineral
- Secas mais frequentes ligadas ao clima
- Divisão do lago em bacias norte e sul
- Aumento da salinidade acima da saturação
Esculturas naturais surgem do sal cristalizado
A salinidade elevada faz o sal se cristalizar no fundo do lago. As formações lembram neve que se acumula e cria estruturas como chaminés, cúpulas e cogumelos. O fenômeno se intensifica conforme o nível da água cai.
Jake Zaken, que opera passeios de barco na região de Mitzpe Shalem, acompanha as mudanças há mais de 12 anos. A praia Mineral, antiga ponto de partida, fechou em 2015. A margem avança cerca de 7,5 metros por ano em alguns trechos.
Turistas ainda visitam a área, mas o cenário se transforma. Ruínas de restaurantes, vestiários e postos de gasolina aparecem onde antes havia água. A paisagem mistura beleza das formações brancas com sinais de abandono.
Dolinas abrem crateras e fecham acessos
Mais de 6 mil dolinas já se formaram ao redor do Mar Morto. As crateras surgem quando a água doce subterrânea dissolve camadas de sal após a queda do nível salgado. O solo colapsa de repente.
Em Ein Gedi, uma placa proíbe a entrada de pedestres. Uma grande cratera bloqueia a estrada que levava à antiga praia. Estruturas antigas ficaram isoladas. O fenômeno ameaça estradas, empresas e comunidades locais.
Yael Kiro, geoquímica do Instituto Weizmann, explica que o processo deve continuar mesmo sem extrações adicionais. A mudança climática intensifica secas e eleva a evaporação. Nadav Lensky, do Serviço Geológico de Israel, confirma a saturação excessiva desde os anos 1980.
Planos de recuperação enfrentam obstáculos
Especialistas discutem há anos formas de estabilizar o lago. Um projeto propunha canalizar água do Mar Vermelho, mas custos altos e questões políticas impediram avanços. Outras ideias envolvem restaurar o fluxo do Rio Jordão.
A tensão na região dificulta acordos entre os países envolvidos. Sem intervenção coordenada, o ecossistema único corre risco de perda irreversível em décadas. O turismo, importante fonte de renda, já sente os efeitos das restrições de acesso.
O Mar Morto continua a recuar. As formações de sal revelam um processo em andamento que transforma a paisagem e cobra decisões urgentes sobre o futuro do lago.

