O ex-vice-presidente Mike Pence alertou que o Partido Republicano se afasta de seus fundamentos tradicionais, caminhando para uma direita populista que abraça políticas de grande governo. A declaração foi feita em 31 de maio de 2026, durante uma entrevista ao programa “Meet the Press” da NBC, com a apresentadora Kristen Welker. Pence destacou o risco de o partido perder seu rumo, abandonando o governo limitado e a economia de livre mercado.
Pence acusou a segunda administração Trump de se desviar ainda mais dos valores conservadores, encampando um movimento populista que promove protecionismo e isolacionismo na política externa. Ele argumentou que essa mudança pode levar o partido em uma “direção progressista”, contrariando a base ideológica que o definiu por décadas.
Críticas ao populismo e “Make America Great Again”
Em sua fala, Mike Pence associou o ex-presidente Trump, em certa medida, ao que ele descreveu como a direita populista. Essa corrente busca transformar o distanciamento de Trump da agenda conservadora manifestado em temas como tarifas, postura em relação à Ucrânia e questões sobre a vida na nova filosofia central do Partido Republicano. Pence, que atuou como vice-presidente de Trump de 2017 a 2021, promovia seu livro “What Conservatives Believe” durante a entrevista.
Embora reconheça o mérito de Trump em mobilizar a base republicana e manter ampla lealdade dentro do partido, Pence questionou se as políticas adotadas realmente refletem a marca “Make America Great Again”. Ele afirmou que a maioria dos integrantes do movimento MAGA compartilha a crença de que os Estados Unidos são líderes do mundo livre. Além disso, defendem governo limitado, menos impostos e menos regulamentações, rejeitando ideias como nacionalização de empresas, controle de preços e tarifas generalizadas. Pence também creditou Trump por manter a linha em questões como segurança de fronteira, extensão da política tributária de sua primeira administração e apoio contínuo a Israel.
Afastamento de pilares Reaganistas
Pence afirmou que o Partido Republicano está se distanciando de políticas que historicamente definiram o GOP desde a era Ronald Reagan. Ele mencionou a liderança americana, o governo limitado, a economia de livre mercado e o direito à vida como princípios essenciais que, segundo ele, estão sendo abandonados de forma “menos conhecida”.
Ele citou exemplos concretos dessa guinada, como a implementação de tarifas amplas e a nacionalização de empresas americanas. Outro ponto de preocupação para Pence é o questionamento e o recuo em relação aos aliados que enfrentam o ataque russo na Europa Oriental. O ex-vice-presidente sugeriu que os republicanos deveriam dedicar um tempo para refletir sobre suas convicções e, então, levar essa mensagem ao povo americano. A manutenção dos valores tradicionais, para ele, é fundamental para o futuro do partido.
- Tarifas amplas: Imposição generalizada de taxas sobre importações.
- Nacionalização de negócios: Intervenção governamental na propriedade de empresas privadas.
- Questionamento a aliados: Redução do apoio a nações parceiras, especialmente em conflitos.
- Retração em questões de vida: Mudanças de posição em debates como o direito ao aborto.
Desafios internos e cenário eleitoral
Na entrevista, Pence criticou o secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., classificando-o como “pró-aborto”. Ele declarou que Kennedy “não fez nada para limitar a disponibilidade da pílula abortiva por encomenda, que Joe Biden tornou possível em todo o país”. Pence lembrou que, ao lado de Trump, supervisionou nomeações para a Suprema Corte que efetivamente reverteram Roe v. Wade, encerrando as proteções federais ao direito ao aborto.
Questionado sobre se o procurador-geral do Texas, Ken Paxton, que recentemente derrotou o senador John Cornyn nas primárias do Senado no Texas apesar de controvérsias, possuía o caráter necessário para representar os valores republicanos, Pence desviou o foco para criticar a oposição. Ele não previu grandes vitórias republicanas em novembro baseadas na força dos candidatos, mas sim na rejeição à plataforma democrata. “Olha, eu acho que em muitos aspectos os republicanos perderam nosso caminho. Mas os democratas perderam a cabeça”, afirmou. Ele acredita que a “extremismo do lado democrata” permitirá ao GOP manter o Senado e ter uma chance real de preservar a Câmara.
Fundo de “anti-armamento” de US$ 1,8 bilhão
O ex-vice-presidente Mike Pence expressou forte oposição ao recém-anunciado fundo de US$ 1,8 bilhão do governo Trump, denominado “anti-weaponization fund”. Este fundo, aparentemente destinado a compensar pessoas que se consideram prejudicadas pelo governo federal, gerou controvérsia imediata. Pence defendeu que a iniciativa é uma “ideia ruim desde o início” e incentivou a administração a desistir dela.
O principal ponto de sua crítica reside na possibilidade de o fundo compensar indivíduos que enfrentaram problemas legais por participar do ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Naquela ocasião, multidões exigiram a “execução” de Pence. “É profundamente ofensivo para mim que você possa ter um fundo que pudesse até mesmo compensar pessoas que agrediram policiais ou vandalizaram o Capitólio em 6 de janeiro”, declarou Pence, afirmando que essa visão é amplamente compartilhada pela maioria dos republicanos e americanos. O fundo, originário de um acordo entre a família Trump e o IRS sobre a divulgação de declarações fiscais do ex-presidente, está atualmente sob análise judicial.

