Robin Muir relembra sessão de fotos de Marilyn Monroe com Bert Stern dois meses antes da morte

Marilyn Monroe - Reprodução/YouTube

Marilyn Monroe - Reprodução/YouTube

Os retratos finais de Marilyn Monroe em estúdio surgem novamente em meio aos preparativos para uma grande exposição em Londres. A National Portrait Gallery organiza a mostra Marilyn Monroe: Um Retrato, que celebra o centenário da atriz. Robin Muir, especialista em fotografia, recorda a sessão realizada pelo fotógrafo Bert Stern para a Vogue.

A sessão aconteceu em 21 de junho de 1962, no Hotel Bel-Air, em Los Angeles. Frank Sinatra tocava no toca-discos enquanto champanhe e bandejas de comida ocupavam o espaço. Bert Stern e a equipe da Vogue montaram um cenário improvisado na suíte. Ninguém imaginava que aquelas seriam as últimas imagens de estúdio da atriz.

Marilyn Monroe havia sido demitida semanas antes do filme Something’s Got to Give, da 20th Century Fox. Processos jurídicos envolviam o estúdio, o ator Dean Martin e outros profissionais. A atriz parecia pronta para retomar os trabalhos. A sessão fotográfica servia como oportunidade para restaurar sua imagem pública.

A editora de moda Babs Simpson e o cabeleireiro Sr. Kenneth participaram da produção. Marilyn Monroe chegou com aparência desarrumada, usando bandana. Ela escolheu peças como um vestido preto Dior. O ensaio incluiu imagens de moda e também registros mais intimistas, com a atriz quase sem roupas.

Bert Stern descreveu o processo como fluido. Ele contou que quase não conversavam. Percebia as intenções dela e disparava os flashes rapidamente. O fotógrafo capturou mais de 2.500 imagens ao longo de três dias. A Vogue publicou apenas dez delas no número de setembro de 1962.

A sessão ganhou o nome de The Last Sitting. Seis semanas depois, em 5 de agosto de 1962, Marilyn Monroe foi encontrada morta em sua casa. A atriz tinha 36 anos. As fotos se tornaram um dos registros mais emblemáticos de sua carreira.

Sessão improvisada no Hotel Bel-Air

A produção ocorreu em ritmo acelerado. A equipe esperou no primeiro dia porque Monroe não apareceu. No dia seguinte, ela chegou e o trabalho começou. Simpson orientou as escolhas de roupa. Stern ajustava a luz e o enquadramento.

O ambiente misturava descontração e profissionalismo. Garrafas de champanhe abertas, música e comida espalhada pelo salão. A atriz transitava entre poses clássicas de moda e expressões mais pessoais. Stern valorizava a relação natural dela com a câmera.

  • A sessão durou três dias no Hotel Bel-Air
  • Foram produzidas cerca de 2.700 fotografias
  • A Vogue selecionou dez imagens para publicar
  • Incluiu ensaio de moda e registros quase nus
  • Participaram Babs Simpson e o cabeleireiro Sr. Kenneth

Esses detalhes revelam o clima da produção. A atriz demonstrava controle sobre sua imagem mesmo em momento de instabilidade profissional.

Contexto turbulento de Hollywood em 1962

Marilyn Monroe enfrentava problemas contratuais com a 20th Century Fox. A demissão do filme gerou uma série de ações judiciais. Dean Martin recusou-se a continuar sem ela e também foi processado. Outros profissionais abandonaram o projeto.

A atriz conseguiu resolver parte das pendências e sinalizava retorno aos sets. A sessão para a Vogue serviu como ponte para essa reaproximação com o público. As fotos buscavam mostrar uma Marilyn Monroe madura e confiante.

Bert Stern já era fotógrafo renomado. Ele conseguiu o trabalho após insistência. A Vogue apostou no ensaio para refrescar a imagem da estrela. O resultado superou expectativas pela qualidade e intimidade.

Relação especial de Monroe com a câmera

As imagens capturam nuances da personalidade dela. Em algumas, Monroe aparece vestida com elegância. Em outras, revela vulnerabilidade e sensualidade sem artifícios excessivos. Stern permitia que ela guiasse o processo.

Especialistas destacam a colaboração entre fotógrafo e modelo. Monroe tinha ideias claras sobre como queria ser vista. O fotógrafo traduzia essas intenções em frames rápidos. O resultado foi uma série que mistura glamour e humanidade.

Esses retratos influenciaram gerações de fotógrafos. Eles mostram a atriz no auge de sua capacidade de criar ícone, mesmo em fase complicada da vida.

Exposição celebra centenário da atriz

A National Portrait Gallery abre Marilyn Monroe: Um Retrato em 4 de junho de 2026. A mostra reúne trabalhos de diversos fotógrafos e artistas. O objetivo é explorar a vida, carreira e legado de Monroe.

A curadoria inclui imagens icônicas e também registros menos conhecidos. A sessão de Bert Stern ganha relevância como um dos últimos testemunhos profissionais da atriz. Visitantes poderão ver de perto o material que marcou o fim de uma era em Hollywood.

A exposição fica em cartaz até 6 de setembro. Ingressos já estão disponíveis no site oficial da galeria. A iniciativa marca os 100 anos de nascimento de Marilyn Monroe, celebrada em 1º de junho de 1926.

Legado das imagens de The Last Sitting

As fotografias continuam a ser estudadas e exibidas. Livros e documentários revisitam o material. Bert Stern publicou um volume dedicado à série em 1982. O acervo revela detalhes sobre o processo criativo.

Hoje, as imagens simbolizam o fascínio duradouro pela atriz. Elas capturam um momento único: a transição entre o estrelato vivo e o mito que se consolidou após sua morte. A sessão de 1962 permanece referência no universo da fotografia de celebridades.

Veja Também