Imagens de uma sessão à beira-mar capturaram Marilyn Monroe em um momento de aparente leveza. O vento bagunçava os cabelos loiros enquanto ela envolvia o corpo em uma toalha verde ou em um suéter confortável.
Essas fotografias, registradas por George Barris em julho de 1962, tornaram-se os últimos retratos conhecidos da atriz. Poucas semanas depois, em 5 de agosto, ela foi encontrada morta em sua casa em Los Angeles, aos 36 anos. A sessão ocorreu na praia de Santa Monica, na Califórnia, e agora integra a exposição Marilyn Monroe: A Portrait, aberta na National Portrait Gallery em Londres para celebrar o centenário de nascimento da artista, em 1º de junho de 2026.
Retratos mostram Monroe em clima descontraído
Marilyn Monroe posava com naturalidade na areia. Em uma das fotos, ela aparece sentada com as mãos entrelaçadas, enviando um beijo afetuoso para a câmera. Outras imagens revelam a atriz correndo perto das ondas ou simplesmente relaxando com uma toalha sobre os ombros.
George Barris e Marilyn Monroe já se conheciam desde 1954, durante as filmagens de The Seven Year Itch. Os dois planejavam um livro sobre a vida dela. A sessão de 1962 incluía também registros em ambientes internos, mas as imagens na praia destacam-se pela espontaneidade.
- A atriz usava suéteres e toalhas em vez de produções glamorosas
- O cenário da praia evocava memórias de infância de Monroe
- Fotografias transmitiam sensação de liberdade e brincadeira
- Sessão original destinava-se a reportagem na revista Cosmopolitan
A curadora Rosie Broadley, da National Portrait Gallery, destaca como essas colaborações ajudaram Monroe a construir sua imagem pública ao longo da carreira. Ela trabalhava ativamente com os fotógrafos, selecionando e editando os resultados.
Contexto de 1962 na vida da atriz
Marilyn Monroe enfrentava desafios pessoais e profissionais naquele ano. Seu terceiro casamento, com o dramaturgo Arthur Miller, havia terminado. Ela lidava com problemas de saúde, incluindo insônia crônica e dependência de medicamentos prescritos.
Em junho de 1962, a 20th Century Fox a dispensou do filme Something’s Got to Give após ausências repetidas por motivos de saúde. A atriz respondeu com uma campanha de relações públicas que incluiu ensaios fotográficos e entrevistas.
A sessão com George Barris fazia parte dessa estratégia. Ele capturou Monroe em momentos que contrastam com a imagem de vulnerabilidade frequentemente associada aos seus últimos meses. As fotos transmitem alegria e conexão com o ambiente natural.
Exposição celebra legado e colaborações
A mostra Marilyn Monroe: A Portrait reúne trabalhos de mais de 20 fotógrafos e artistas. Nomes como Eve Arnold, Cecil Beaton, Andy Warhol e Pauline Boty aparecem ao lado das seis imagens da sessão de Santa Monica.
Os curadores organizaram o percurso de forma cronológica, explorando como Monroe colaborava na construção de sua própria imagem. Ela editava contatos, marcava aprovações e rejeitava opções com grampos de cabelo, conforme relatos.
Georgia Atienza, co-curadora, menciona que os ensaios fotográficos serviam também como forma de lidar com ansiedades. A exposição fica em cartaz até 6 de setembro de 2026 na National Portrait Gallery.
Impacto das imagens após a morte de Monroe
As fotografias de Santa Monica foram publicadas inicialmente no Daily Mirror britânico e na revista Town após a morte de Marilyn Monroe. Elas inspiraram obras de arte pop, como pinturas de Pauline Boty e Richard Hamilton.
George Barris mudou-se para Paris por um período após o ocorrido. Anos depois, ele publicou os retratos em livros, incluindo um em parceria com Gloria Steinem. Ele sempre defendeu a autenticidade e o espírito brincalhão capturado naquelas imagens.
Hoje, as fotos ganharam tons amarelados com o tempo, o que adiciona calor visual segundo os curadores. Elas continuam a ser vistas como um registro comovente dos últimos momentos documentados da estrela.
Detalhes técnicos e preservação
As imagens originais incluem negativos e contatos guardados pelo espólio de George Barris. A filha dele, Caroline Barris, forneceu outtakes para a exposição, revelando momentos ainda mais espontâneos de Monroe correndo e interagindo com o mar.
- Sessão ocorreu em 13 de julho de 1962 na Will Rogers State Beach
- Mais de 250 fotos foram tiradas ao longo de várias semanas
- Imagens em preto e branco predominam na seleção atual
- Exposição inclui contrastes entre diferentes fases da carreira
Esses registros permanecem importantes para entender como Marilyn Monroe navegava entre a persona pública e sua identidade pessoal.

