Virginia Fonseca é alvo de apuração da Polícia Federal com base em relatórios do Coaf

Virginia Fonseca.

Virginia Fonseca - Instagram

Virginia Fonseca, de 27 anos, está sob investigação da Polícia Federal. A apuração partiu de relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Coaf. A informação veio a público nesta terça-feira por meio de reportagem da revista Piauí.

A influenciadora e empresária teve o nome citado em documentos que analisam operações de empresas associadas a ela. Os relatórios levantaram questionamentos sobre a origem e a destinação de recursos.

Relatórios do Coaf motivam a abertura da apuração

Os Relatórios de Inteligência Financeira identificaram movimentações que chamaram atenção das autoridades. Um deles se refere à Talismã Digital. Entre março e setembro de 2024, a empresa recebeu R$ 22,4 milhões. A maior parte veio por PIX e TED.

O principal depositante está enquadrado no Simples Nacional. O regime vale para negócios de menor porte. Esse volume de recursos gerou dúvidas sobre a compatibilidade com o porte da operação.

A Polícia Federal busca esclarecer se houve irregularidades. A investigação examina possível prática de crimes financeiros, fiscais e de lavagem de dinheiro. Até o momento, não há detalhes sobre o andamento do caso.

Movimentações na Wpink Suplementos Nutricionais

Outro relatório analisado pelo Coaf envolve a Wpink Suplementos Nutricionais. Entre janeiro e março de 2025, a empresa registrou R$ 43,6 milhões em créditos. Os débitos somaram R$ 43,5 milhões no mesmo período.

O volume total movimentado pareceu incompatível com o faturamento mensal informado pela companhia. A empresa vende suplementos como whey protein e creatina. Virginia Fonseca figura como sócia.

  • Créditos na conta: R$ 43,6 milhões
  • Débitos na conta: R$ 43,5 milhões
  • Período analisado: janeiro a março de 2025

As transações ocorreram principalmente via Mercado Pago. O relatório foi encaminhado ao Coaf para avaliação.

Operações fragmentadas na Wepink Cosméticos

A Savi Cosméticos S.A., razão social da Wepink Cosméticos, também apareceu em alertas ao Coaf. Entre novembro de 2023 e maio de 2024, foram identificadas 190 operações. O total chegou a cerca de R$ 502 mil.

Os depósitos foram feitos em caixas eletrônicos, em diferentes agências bancárias. O padrão fragmentado chamou atenção. Esse tipo de operação pode dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

A Wepink Cosméticos atua no segmento de cosméticos. A marca ganhou relevância nos últimos anos junto com o crescimento da influenciadora nas redes sociais.

Defesa nega irregularidades

Advogados de Virginia Fonseca afirmaram que não há irregularidades. Eles citam a emissão de notas fiscais e a declaração aos órgãos competentes. As justificativas para as movimentações foram apresentadas nos documentos analisados.

A defesa reforça que todas as operações seguem a legislação. Procurados pela revista, os representantes legais da influenciadora reafirmaram o cumprimento das obrigações tributárias e financeiras.

O advogado Michel Saliba, que acompanhou Virginia Fonseca em depoimento anterior, ainda não definiu se vai se manifestar sobre o caso atual. A assessoria da influenciadora não retornou contato até a publicação das primeiras informações.

Conexão com a CPI das Bets

A menção aos relatórios do Coaf ocorre pouco mais de um ano após Virginia Fonseca ser citada na CPI das Bets. Em maio de 2025, a comissão aprovou pedido para que o Coaf elaborasse relatórios sobre movimentações financeiras dela entre janeiro de 2023 e abril de 2025.

A influenciadora depôs na comissão. Na ocasião, obteve autorização do Supremo Tribunal Federal para ficar em silêncio em perguntas que pudessem incriminá-la. O tema das apostas online ganhou destaque nacional na época.

A atual investigação da Polícia Federal não tem ligação formal confirmada com os trabalhos da CPI. Os relatórios servem como base inicial para a apuração em curso.

A Polícia Federal não detalhou prazos ou próximos passos. O caso segue em fase de análise preliminar dos documentos financeiros.

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