Polícia da Califórnia resolve caso de assassinato de 1980 com DNA de copo da Wingstop

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Sirene carro de polícia

Sirene carro de polícia - ANDRANIK HAKOBYAN/shutterstock.com

Uma jovem de 18 anos foi encontrada morta em um pomar de toranjas em Fontana, na Califórnia, em julho de 1980. O principal suspeito na época nunca foi preso. Quatro décadas depois, investigadores ligaram Leonard Nash ao crime por meio de DNA extraído de um copo da Wingstop que ele descartou durante uma conversa com a polícia.

O caso de Michelle “Missy” Jones permaneceu sem solução por 40 anos. A condenação de Nash por homicídio de segundo grau e a sentença de 15 anos a prisão perpétua ocorreram em janeiro de 2026. Ele cumpre a pena na California Institution for Men, em Chino.

Investigação reaberta em 2020 avança com pista antiga

A corporação de polícia de Fontana designou a Cpl. Kathryn Clark para trabalhar em casos frios na primavera de 2020. Ela revisou o arquivo de Jones e encontrou uma dica que não havia sido investigada na época do crime. A jovem morava em Pomona e participava de uma festa de Quatro de Julho na casa da irmã mais velha, Phyllis, em Rancho Cucamonga.

No dia seguinte, 5 de julho de 1980, por volta das 16h40, o corpo de Jones foi descoberto a cerca de 11 milhas de distância. Peritos coletaram amostras de sêmen da vítima, mas a tecnologia da época não permitiu análise completa. Décadas depois, o perfil genético foi desenvolvido e inserido em banco de dados federal sem gerar correspondência imediata.

Clark e parceiros do xerife do condado de San Bernardino entrevistaram pessoas próximas. Um homem que admitiu ter encontrado Jones após a festa passou por testes de polígrafo e teve seu álibi corroborado. Outros contatos foram descartados.

Irmã relata comportamentos suspeitos do namorado

Phyllis Jones, que namorava Nash na época, forneceu detalhes importantes quando Clark a entrevistou no Arizona em junho de 2020. No dia da festa, Nash saiu após o churrasco. Na manhã seguinte, Phyllis encontrou o paletó dele pendurado no box do banheiro com uma foxtail presa e os sapatos sujos de lama no armário.

Esses elementos chamaram atenção porque ninguém havia questionado Nash em 1980. Phyllis também contou que Jones se sentia incomodada com ele. A adolescente havia morado brevemente com o casal e reclamado que Nash insistia em abordagens indesejadas.

A melhor amiga de Jones recordou uma conversa no parque em que a jovem demonstrava medo do homem. Essas informações reforçaram a linha de investigação.

Estratégia de coleta de DNA envolve almoço e copo descartado

Os investigadores contataram Nash por telefone. Ele concordou em conversar, mas precisava de carona. A equipe planejava coletar itens durante uma refeição em um restaurante tailandês. No caminho, Nash apareceu com um copo de isopor da Wingstop.

Ele transferiu água de uma garrafa para o copo. Ao chegarem ao restaurante, Nash jogou o copo no lixo. Enquanto um detetive distraía o suspeito, o parceiro recuperou o item. Outros objetos como garfo e guardanapo também foram preservados.

Análises compararam o DNA do copo, do garfo e do canudo para confirmar a origem. Em seguida, o material foi confrontado com a amostra de 1980. O resultado foi positivo. O laboratório concluiu o trabalho em agosto de 2020.

Prisão e condenação encerram espera de 45 anos

Nash, que tinha cerca de 25 anos na época do crime, foi preso em Las Vegas e extraditado para a Califórnia em setembro de 2020. O processo avançou até a condenação por homicídio de segundo grau. A sentença veio em janeiro de 2026.

  • Michelle Jones tinha 18 anos e era descrita como extrovertida e protetora da família
  • O corpo foi encontrado em pomar de toranjas em Fontana
  • Evidência genética veio de sêmen coletado na vítima em 1980
  • Leonard Nash tinha relação familiar indireta com a vítima
  • A condenação ocorreu após 45 anos do crime

A família de Jones participou de evento sobre direitos das vítimas em abril de 2026. Kymberly Jones, que tinha 11 anos na época, falou sobre o trauma e a esperança de que outras famílias não desistam de buscar respostas.

Detalhes do crime e impacto na comunidade

Jones saiu de casa dizendo que voltaria logo. Usava saia e blusa azuis. A família mudou-se várias vezes após o assassinato e carregou perguntas sem resposta por décadas. A tecnologia de DNA moderna permitiu o avanço que não existia em 1980.

Clark destacou a persistência da equipe e o uso criativo de evidência cotidiana. O caso se tornou o mais antigo já processado com sucesso no condado de San Bernardino.

O trabalho combinou análise de pistas antigas, entrevistas tardias e coleta discreta de material genético. Nash negou ter tido relação sexual com Jones durante o interrogatório, mas o DNA provou o contrário.

A resolução trouxe certo alívio à família, embora a perda permaneça. Investigadores continuam a destacar a importância de preservar evidências físicas mesmo quando a ciência ainda não consegue explorá-las plenamente.

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