Silvanildo Amâncio de Araújo, 52 anos, gravou uma confissão completa do crime após sua prisão em Várzea da Palma, no Norte de Minas Gerais. A polícia registrou o vídeo no qual o suspeito detalha como abordou Ana Cláudia Rodrigues da Silva Souza, 41 anos, próximo ao trabalho dela e a levou até a Serra do Rola Moça. Na gravação, ele afirma ter jogado a ex-mulher do penhasco sem ter planejado o ato.
Ana Cláudia foi encontrada viva nesta terça-feira (26) após desaparecer no dia anterior. Ela mantivera um relacionamento de 12 anos com Silvanildo, finalizado em fevereiro deste ano. Desde o término, ela vinha sofrendo perseguição e ameaças constantes do ex-companheiro.
Detalhes da confissão gravada
Na gravação, Silvanildo descreve cada etapa do ataque. Ele relata que pegou Ana Cláudia descendo do ônibus próximo ao trabalho dela e a força a entrar em seu veículo. Durante o trajeto, ela questiona se ele pretende matá-la. O suspeito então a leva até o Jardim Canadá, localizado na Serra do Rola Moça, onde a arremessa do penhasco.
“Segunda-feira eu peguei ela mesmo lá no serviço dela. Eu peguei ela descendo do ônibus, abracei ela e falei pra ela entrar no carro. Ela falou, você vai me matar? Levei ela lá pro Jardim Canadá e joguei ela lá do penhasco”, confessou Silvanildo na gravação.
O vídeo registra também a descrição da fuga do suspeito após o crime. Silvanildo afirma que não premeditou a ação, mas detalha como cometeu o ataque e se afastou do local. Sua prisão ocorreu em Várzea da Palma, quando a polícia já havia iniciado buscas intensivas pela vítima.
Histórico de ameaças e denúncia anterior
Ana Cláudia enfrentava perseguição sistemática desde fevereiro, quando o relacionamento de 12 anos foi encerrado. A vítima tinha uma filha de 9 anos com Silvanildo e uma enteada, Thaine Heloísa Rodrigues de Souza, 24 anos. Ambas testemunharam o sofrimento dela durante esse período.
Dias antes do desaparecimento, Ana Cláudia formalizou uma denúncia contra o ex-companheiro. Ela registrou boletim de ocorrência na noite de 20 de maio, às 19 horas e 40 minutos, relatando as ameaças recebidas. Sentindo-se em risco iminente, solicitou uma medida protetiva de urgência à Justiça:
- Boletim registrado em 20 de maio às 19h40
- Vítima relatou perseguição e ameaças contínuas
- Medida protetiva de urgência solicitada formalmente
- Histórico de 12 anos de convivência com o suspeito
- Separação iniciada em fevereiro de 2026
Áudio enviado à filha
Horas após o desaparecimento de Ana Cláudia, Silvanildo enviou um áudio à filha de 9 anos negando qualquer responsabilidade pelo desaparecimento da mãe. Na mensagem, ele afirma que é “mentira” que tenha feito algo contra a mãe e a irmã dela, Luísa. Ele reforça que “papai tem coragem de fazer isso não” e expressa seu amor pela filha múltiplas vezes.
“Se alguém falar pra você, sua mãe, sua irmã Luísa, quem for, que papai fez alguma coisa contra sua mãe, contra vocês, é mentira, viu? Papai tem coragem de fazer isso não, viu filha? Papai te ama muito, muito, muito, muito. Tá bom? Nunca esqueça disso, que papai te ama muito, muito”, disse na gravação.
O áudio foi cedido ao G1 pela enteada do suspeito, Thaine Heloísa, que trabalha como servidora pública. A mensagem choca pela contradição: enviada momentos após Ana Cláudia desaparecer, quando a vítima já havia sido atacada e arremessada do penhasco conforme a própria confissão posterior de Silvanildo.
Circunstâncias do crime
O ataque ocorreu na segunda-feira, 25 de maio. Ana Cláudia viajava do ônibus para seu local de trabalho quando foi abordada. Silvanildo a abordou com um abraço e a coagiu a entrar em seu veículo. Diante da pergunta da vítima sobre se seria morta, ele não respondeu e a levou diretamente para a Serra do Rola Moça.
A vítima foi resgatada com vida após buscas intensivas. Ela conseguiu sobreviver à queda e foi localizada ainda na região do penhasco. Seu estado geral de saúde e a extensão dos ferimentos não foram detalhados nos registros iniciais da polícia, mas sua recuperação está em andamento.
A polícia continua investigando todos os detalhes do caso e coletando depoimentos de familiares e testemunhas que acompanharam a perseguição sistemática de Ana Cláudia nos meses anteriores ao crime.

