Lionel Messi tem 38 anos e se prepara para disputar sua sexta Copa do Mundo. O argentino vive o momento de maior experiência da carreira e deve ocupar papel central na campanha da Argentina em busca do bicampeonato. A seleção defende o título conquistado em 2022 no Catar.
O jogador que estreou como ponta direita veloz pelo Barcelona em 2003 hoje caminha mais do que corre em campo. Ele conserva energia e lê o jogo com precisão cirúrgica. A evolução não aconteceu por acaso. Messi se adaptou várias vezes ao longo de duas décadas para continuar decisivo.
Guardiola afasta Messi da ponta direita por necessidade defensiva
Pep Guardiola assumiu o Barcelona em 2008 e logo identificou um problema. Messi atuava pela direita, mas não recuava para ajudar na marcação. O lateral adversário ganhava espaço com facilidade. O técnico catalão decidiu mudar a posição do argentino.
A primeira grande alteração veio por razões táticas. Messi passou a atuar mais centralizado. A equipe se construiu em torno dessa nova função. O argentino sempre acabava no meio das jogadas ofensivas. A mudança deu resultado imediato nos grandes palcos.
Falso nove surge no Bernabéu e desmonta o Real Madrid
Em 2 de maio de 2009, o Barcelona enfrentou o Real Madrid no Santiago Bernabéu. Guardiola colocou Messi como falso nove. Samuel Eto’o foi para a direita e Thierry Henry para a esquerda. O argentino recebeu liberdade para recuar, receber a bola e decidir.
O resultado foi 6 a 2 para o Barcelona. Messi circulava entre as linhas e criava caos na defesa merengue. Zagueiros não sabiam se segui-lo ou ficar posicionados. Xavi, Andrés Iniesta e Yaya Touré alimentavam o ataque. Henry e Eto’o exploravam os espaços abertos nas laterais.
Semanas depois, na final da Liga dos Campeões contra o Manchester United, Messi marcou de cabeça. O falso nove já mostrava seu potencial. Entre 2011 e 2013, ele balançou as redes 96 vezes em 69 jogos da La Liga.
- Messi estreou pelo Barcelona aos 16 anos contra o Porto de José Mourinho
- Em 2005, impressionou Fabio Capello em jogo contra a Juventus
- Guardiola pediu mais toques de bola no centro do ataque em 2008
- Falso nove debutou com vitória por 6 a 2 sobre o Real Madrid
- Marcou de cabeça na final da Champions League de 2009
Transição para organizador após saída de Xavi e Iniesta
A saída de Xavi em 2015 e de Iniesta em 2018 mudou o cenário no Barcelona. Messi, antes o finalizador decisivo, passou a carregar mais responsabilidade na criação. Ele recuava ainda mais e atuava como enganche.
As assistências ganharam peso equivalente aos gols. Na temporada 2019-20, registrou 22 passes para gol e 25 tentos em 33 jogos da La Liga. Na última temporada completa no Barcelona, 2020-21, foram 30 gols e 11 assistências em 35 partidas.
No Paris Saint-Germain, a transformação se consolidou. Em 34 jogos, anotou 11 gols e deu 15 assistências. Pela primeira vez na carreira em clubes, as assistências superaram os gols. Um artilheiro se transformou em organizador.
Capitão da Argentina supera derrotas e lidera conquistas
Messi assumiu a braçadeira de capitão da Argentina em 2011. Vieram finais perdidas. A Copa do Mundo de 2014 para a Alemanha. Duas Copas América para o Chile nos pênaltis, em 2015 e 2016. A pressão aumentava.
Após a eliminação na Copa América de 2019, ele criticou publicamente a Conmebol. O líder emergia. Em 2021, a Argentina venceu o Brasil na final da Copa América no Maracanã. A conversa de Messi no vestiário antes da decisão emocionou os companheiros.
Na Copa de 2022, ele sintetizou todas as fases. Apareceu o ponta de 2009 no sprint contra Josko Gvardiol na semifinal. Na final contra a França, deu passe preciso para o gol de Nahuel Molina, forçou o rebote no terceiro gol e converteu pênalti. A Argentina levantou o troféu.
Veterano no Inter Miami conserva energia e ainda decide
Desde julho de 2023, Messi defende o Inter Miami. Ele caminha mais do que corre. Críticos que antes questionavam a mobilidade agora veem maestria. O argentino lê o jogo e aparece nos momentos decisivos.
Em 2026, ele mantém boa forma na MLS. Recentemente, registrou múltiplos gols e assistências em sequência. Rodrigo De Paul revelou treinamentos extras em dupla para a Copa. Messi segue preparação individual quando necessário.
A Argentina enfrenta Honduras e Islândia em amistosos preparatórios. O foco está na defesa do título mundial. Messi chega como o jogador que se reinventou pelo menos cinco vezes. Do ponta que encantou o mundo ao veterano que comanda com visão.
Ele disputará a sexta Copa do Mundo, igualando recorde de Cristiano Ronaldo e Guillermo Ochoa. O que importa não é apenas o talento atual. São as adaptações constantes que permitiram a longevidade no alto nível.

