A Copa do Mundo começa nesta quinta-feira, mas o setor hoteleiro nos Estados Unidos já registra um grande perdedor. As taxas de ocupação caem nas 11 cidades-sede americanas, com expectativas bem mais baixas do que nas outras cinco sedes no México e no Canadá, onde o volume de reservas de hotéis é maior.
Essa situação se explica em grande medida pela política restritiva de vistos e imigração do governo Trump. A medida afasta torcedores de futebol vindos de países na mira dos Estados Unidos e faz muitos deles optarem pelos outros dois países-sede do torneio.
Entre as 48 seleções participantes, as delegações do Haiti e do Irã recebem proibição total de entrada no país. Costa do Marfim e Senegal enfrentam limitações parciais, e outras equipes adiaram as viagens por causa das dificuldades para conseguir os vistos.
O torneio ainda não começou, mas os episódios de tratamento hostil por parte da segurança nos aeroportos americanos já chamam atenção.
Considerado pela Fifa o melhor árbitro da África, o somali Omar Abdulkadir Artan teve a entrada negada pela imigração após 11 horas de interrogatório e não vai apitar na Copa. O atacante iraquiano Aymen Hussein ficou retido por sete horas no Aeroporto Internacional O’Hare, em Chicago. A segurança alegou que confundiu o principal nome da seleção iraquiana com outra pessoa.
O medo de passar por revistas rigorosas nos aeroportos americanos e até de ser deportado desanima o turista.
De acordo com a CoStar, empresa que acompanha os dados do setor hoteleiro, Vancouver, no Canadá, e Guadalajara, no México, lideram a procura, com 48% dos quartos ocupados. Nas cidades americanas o resultado decepciona e, com exceção de Los Angeles, a ocupação não chega aos 40%.
Cerca de 80% dos donos de hotéis ouvidos em pesquisa da Associação de Hotéis e Hospedagem (AHLA) informaram que as reservas ficaram abaixo do previsto inicialmente. Setenta por cento apontaram que as restrições de vistos e as preocupações geopolíticas diminuíram bastante a demanda de turistas internacionais.
“Uma série de fatores moderou o otimismo inicial, embora indicadores mostrem que ainda há oportunidades significativas pela frente. Para concretizar esse potencial, os EUA e a Fifa devem garantir uma experiência acolhedora e tranquila para os viajantes estrangeiros”, afirmou a presidente da AHLA, Rosanna Maietta.
Outros aspectos, como o valor alto dos ingressos e os custos de transporte, também ajudaram a afastar o público do evento.
A redução no turismo começou a aparecer no início do segundo mandato de Trump na presidência, com a proibição de entrada para cidadãos de 39 países e a suspensão de vistos de imigração para 75 nações.
Essa política restritiva se sobrepõe à Fifa, que organiza o torneio, mas não consegue superar as barreiras nas fronteiras impostas pelo governo Trump.

