Conheça os três técnicos estrangeiros que dirigiram a Seleção Brasileira no século passado

Carlo Ancelotti

Carlo Ancelotti - Foto: Rafael Ribeiro / CBF

A equipe pentacampeã mundial vivencia um momento inédito em sua vasta trajetória no esporte bretão, rompendo uma tradição de décadas ao apostar em um comandante nascido fora do território nacional para buscar a taça da Copa do Mundo.

Comandando o esquadrão verde e amarelo há um ano, o experiente estrategista europeu Carlo Ancelotti, famoso por empilhar troféus no Velho Continente, representa uma mudança drástica de filosofia na Confederação Brasileira de Futebol, marcando sua primeira aventura à frente de um selecionado nacional.

Engana-se, porém, quem acredita que o vitorioso profissional italiano inaugurou a presença de estrangeiros na prancheta do time canarinho. Ao longo do século passado, outros três nomes internacionais tiveram a honra de vestir o agasalho da equipe principal, mesmo que nenhum deles tenha chegado a disputar o maior torneio da Fifa.

Nas linhas abaixo, resgatamos a memória desses profissionais pioneiros que, em diferentes épocas e contextos, deixaram suas nações de origem para ditar as regras no banco de reservas do esquadrão mais temido do planeta.

Uruguaio desbravou o comando técnico do esquadrão nacional na década de vinte

O pioneirismo absoluto pertence a um vizinho sul-americano, Ramón Platero, que assumiu as rédeas do time em uma época onde o esporte ainda engatinhava rumo ao profissionalismo no país, transcorridos parcos onze anos desde a partida inaugural do selecionado brasileiro.

Dono de um currículo respeitável no cenário carioca, com trabalhos marcantes por gigantes como Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama, o profissional recebeu o chamado da antiga CBD para guiar o elenco no Campeonato Sul-Americano de 1925, torneio disputado em Buenos Aires que deu origem à atual Copa América.

A história curiosa daquela competição revela que o cargo pertencia originalmente ao brasileiro Joaquim Guimarães, que acabou recuando para funções administrativas nos bastidores, permitindo assim que o estrangeiro aplicasse seus métodos táticos diretamente com os jogadores no gramado.

O saldo daquela excursão internacional rendeu o vice-campeonato aos brasileiros, que superaram a seleção paraguaia em duas ocasiões, mas não conseguiram evitar um revés e um empate diante dos donos da casa, a Argentina.

Jornalista europeu dividiu a prancheta durante a década de quarenta

Nascido em Portugal e radicado no Brasil desde a juventude, Jorge Gomes de Lima construiu sua fama inicial através das ondas do rádio e das páginas dos jornais. Além de atuar na imprensa esportiva sob o apelido de Joreca, ele se formou em educação física e chegou a trabalhar como árbitro oficial antes de descobrir sua verdadeira vocação à beira do campo.

O auge de sua carreira tática aconteceu no comando do São Paulo Futebol Clube, onde montou o famoso esquadrão conhecido como “Rolo Compressor”, garantindo os troféus estaduais das temporadas de 1943, 1945 e 1946. Esse desempenho avassalador chamou a atenção dos cartolas, que propuseram um modelo de gestão compartilhada da equipe nacional ao lado do lendário Flávio Costa.

A experiência de dois chefes no mesmo vestiário durou um piscar de olhos, limitando-se a um par de confrontos amistosos realizados nos estádios do Pacaembu e de São Januário. Mesmo conquistando vitórias expressivas sobre os uruguaios, os dirigentes decidiram encerrar o formato duplo, dispensando o português e devolvendo o controle exclusivo ao brasileiro que, anos depois, sofreria o revés na final do Mundial de 1950.

Argentino fez história ao vestir o elenco palmeirense de verde e amarelo

O derradeiro nome internacional a assinar a súmula pelo Brasil, muito antes das recentes movimentações modernas, veio justamente da nação vizinha que ostenta a maior rivalidade histórica com os pentacampeões nos gramados sul-americanos.

Com um estilo folclórico e inovador, Nelson Ernesto Filpo Núñez construiu uma carreira quilométrica em solo tupiniquim, rodando por dezenas de agremiações de norte a sul do país durante quatro décadas, ajudando a moldar a identidade do futebol local.

Na metade dos anos sessenta, o argentino era o cérebro por trás da espetacular “Primeira Academia” do Palmeiras, o único esquadrão capaz de bater de frente com o mágico Santos liderado por Pelé. Por conta desse domínio absoluto, a confederação tomou uma decisão inusitada: convidou o elenco inteiro do clube paulista para representar o país na festa de inauguração do estádio do Mineirão, em Belo Horizonte.

O compromisso festivo, realizado no feriado de sete de setembro de 1965, terminou com um triunfo categórico por 3 a 0 contra o Uruguai, eternizando o comandante estrangeiro e seus pupilos alviverdes nos livros de recordes da entidade máxima do esporte nacional.

Caminho traçado para a busca do tão sonhado hexacampeonato mundial

Voltando aos tempos modernos, o planejamento estratégico segue a todo vapor nos corredores da sede administrativa, com a comissão técnica ajustando os últimos detalhes para os compromissos oficiais que se aproximam no calendário da Fifa.

Contando com o brilho de astros globais como Vinicius Jr., o grupo fará seu debute no torneio global encarando a forte seleção do Marrocos, logo após encerrar sua agenda de amistosos preparatórios. A caminhada na fase inicial prevê a seguinte sequência de embates pelo Grupo C:

  • Estreia aguardada contra o surpreendente time do Marrocos.
  • Segundo confronto marcado para o dia 19, medindo forças com o Haiti.
  • Encerramento da chave no dia 24, em um duelo decisivo diante da Escócia.

O regulamento da competição estabelece que, avançando nas duas primeiras posições de sua chave, o esquadrão sul-americano cruzará o caminho de algum classificado do Grupo F logo na primeira etapa eliminatória, podendo encarar pedreiras europeias como Holanda e Suécia, ou forças alternativas como Japão e Tunísia.

Existe ainda a possibilidade de avançar através da repescagem dos terceiros colocados, cenário que tornaria a rota rumo à taça consideravelmente mais espinhosa. Essa combinação matemática colocaria os brasileiros em rota de colisão precoce contra potências dos grupos A, E ou I, exigindo superação contra esquadrões que já ergueram o troféu máximo, a exemplo de Alemanha e França.

Veja Também