Cientistas encontram mundo com tamanho da Terra que pode abrigar água a 146 anos-luz de distância

HD 137010 b planeta descoberto semelhante a Terra - Divulgação/ Nasa

HD 137010 b planeta descoberto semelhante a Terra - Divulgação/ Nasa

Um grupo global de cientistas acaba de localizar um corpo celeste com traços muito parecidos com os do nosso planeta, recebendo a nomenclatura de HD 137010 b. Este astro realiza sua trajetória ao redor de uma estrela anã laranja tipo K, situada a cerca de 146 anos-luz do Sistema Solar, na região da constelação de Libra. O achado foi possível graças à revisão de registros antigos capturados em 2017 pela fase K2 do telescópio espacial Kepler, operado pela NASA.

O possível novo mundo exibe um diâmetro apenas 6% superior ao globo terrestre e leva aproximadamente 355 dias para completar uma volta em torno de seu sol. Tais características colocam o achado em um grupo bastante seleto de astros que compartilham proporções e ciclos anuais quase idênticos aos nossos. Os especialistas ressaltam que a quantidade de luz e energia estelar que atinge a superfície do objeto equivale a 29% daquela que recebemos diariamente.

Planeta Terra – Triff/ shutterstock.com

As avaliações matemáticas apontam que existe uma chance de 50% de o HD 137010 b estar posicionado exatamente na chamada zona habitável de seu sistema. Essa faixa orbital específica é o que garante a temperatura ideal para que a água consiga se manter em estado líquido sobre o solo rochoso, condição fundamental para a vida como conhecemos.

Como os registros antigos do telescópio Kepler revelaram o novo astro

O primeiro indício da existência do HD 137010 b surgiu graças ao esforço de entusiastas voluntários que participam do programa de ciência cidadã Planet Hunters. O grupo notou um bloqueio luminoso único que durou exatas 10 horas durante a 15ª campanha de observação da missão K2. Essa discreta queda no brilho da estrela principal foi o gatilho para sugerir que um objeto de proporções modestas havia cruzado a linha de visão dos equipamentos.

A confirmação do sinal foi conduzida por uma equipe chefiada pelo pesquisador Alexander Venner, vinculado à University of Southern Queensland, na Austrália, com os resultados divulgados no periódico Astrophysical Journal Letters. Os acadêmicos aplicaram complexos modelos estatísticos para calcular a rota do astro, levando em conta que não havia outros trânsitos registrados no banco de dados. Como a estrela central possui uma magnitude visual de 10.1, sendo considerada bastante brilhante para os padrões astronômicos, o monitoramento futuro se torna muito mais viável.

Identificar um planeta a partir de uma única passagem na frente de sua estrela é um obstáculo técnico imenso, mas comprova o imenso potencial de vasculhar arquivos antigos. O observatório Kepler monitorou milhares de sistemas estelares ao longo de sua vida útil, e eventos isolados como este são a chave para descobrir mundos incomuns que possuem anos muito longos.

A localização exata do HD 137010 b na faixa de habitabilidade

A distância ideal para a vida muda de acordo com a intensidade de cada estrela, e no caso das anãs K, essa região segura fica mais próxima do que observamos no Sistema Solar. O corpo celeste recém-descoberto viaja a uma distância média de 0,88 unidade astronômica de seu sol. Esse distanciamento específico o posiciona quase no limite externo da área considerada conservadoramente habitável.

Levantamentos preliminares sugerem que a radiação recebida é suficiente para evitar o congelamento total, desde que existam condições atmosféricas favoráveis. Contudo, o brilho reduzido da anã laranja gera um equilíbrio térmico natural bastante baixo. As simulações de computador indicam que, se o planeta não possuir um efeito estufa robusto, os termômetros marcariam uma média de -68°C na superfície.

  • A existência de um invólucro gasoso espesso seria capaz de reter calor e criar um clima mais ameno.
  • O tamanho reduzido e a densidade esperada indicam fortemente que se trata de um mundo feito de rochas.
  • Caso não haja gases de efeito estufa, o cenário seria um deserto gelado, lembrando bastante o clima de Marte.

Mesmo com a previsão de um clima extremamente rigoroso, essas variáveis não tiram o objeto da lista de candidatos mais promissores encontrados até o momento.

Diferenças entre o novo achado e outros mundos já mapeados pela ciência

O HD 137010 b ganha destaque imediato em um catálogo de milhares de exoplanetas por unir um tamanho semelhante ao nosso com uma órbita demorada ao redor de uma estrela parecida com o Sol. Ao contrário da maioria dos mundos achados perto de anãs vermelhas, ele orbita um astro muito mais calmo e livre de explosões violentas. Corpos como o Kepler-452b até possuem trajetórias parecidas, mas orbitam estrelas tão distantes e fracas que a análise detalhada se torna quase impossível.

Encontrar esferas rochosas na zona habitável é uma raridade absoluta, existindo menos de doze candidatos com fortes evidências. O famoso sistema TRAPPIST-1 abriga vários deles, mas todos giram rápido demais ao redor de uma anã ultrafria, enquanto Proxima Centauri b sofre com tempestades solares devastadoras. Além disso, estrelas anãs K como a do novo planeta vivem entre 15 e 45 bilhões de anos, oferecendo um tempo de estabilidade muito maior para o desenvolvimento de qualquer química complexa do que o nosso próprio Sol, que viverá apenas cerca de 10 bilhões de anos.

Estar situado a meros 146 anos-luz de distância transforma o HD 137010 b em um alvo perfeitamente acessível para a atual e a próxima geração de telescópios. O brilho intenso de sua estrela-mãe viabiliza que observatórios instalados na Terra consigam calcular a massa do planeta utilizando a técnica de velocidade radial.

Os desafios técnicos de confirmar um planeta com apenas uma passagem

A técnica do trânsito funciona medindo a queda temporária na luz de uma estrela quando um objeto passa exatamente na sua frente. No cenário do HD 137010 b, os equipamentos registraram apenas um único bloqueio durante três meses inteiros de captação de imagens. Esse evento solitário é o que impede os cientistas de baterem o martelo imediatamente, já que a ciência exige múltiplas passagens para confirmar o ciclo anual.

Para contornar a falta de dados, os especialistas recorreram à estatística bayesiana, conseguindo limitar o tempo de translação entre 296 e 555 dias. A probabilidade do alinhamento geométrico aponta fortemente que a sombra foi causada por um planeta, e não por flutuações naturais da estrela. Hipóteses de falsos positivos, como o eclipse causado por um sistema estelar binário de fundo, foram totalmente descartadas pela ausência de varia

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