Tok&Stok e Mobly obtêm aprovação judicial para plano de recuperação com dívidas acima de R$ 1 bilhão

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tok stok Foto: tok stok - Alf Ribeiro/Shutterstock.com

A Justiça de São Paulo concedeu aprovação para o pedido de recuperação judicial apresentado pelo Grupo Toky, que engloba as operações das varejistas de móveis Tok&Stok e Mobly, conforme comunicado pela empresa nesta segunda-feira (15).

O instrumento jurídico da recuperação judicial permite que companhias em crise financeira busquem amparo legal para reorganizar seus passivos, negociando com credores sob supervisão judicial e, assim, buscando a continuidade de suas atividades e evitando a bancarrota.

A solicitação formal da empresa, protocolada em maio na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, revelou um montante de dívida que ultrapassa R$ 1 bilhão.

A companhia esclareceu, no momento do pedido, que a determinação de buscar a recuperação judicial decorre de uma série de desafios que têm impactado fortemente o segmento de móveis e itens de decoração. Esse cenário adverso é caracterizado por taxas de juros elevadas, um aumento generalizado no endividamento das famílias brasileiras e uma restrição no acesso ao crédito, fatores que, após um boom impulsionado pela pandemia, agora freiam significativamente o consumo neste mercado.

Tal contexto, conforme relato da empresa, provocou uma queda expressiva nas vendas e comprometeu severamente o fluxo de caixa do grupo. Além disso, o Grupo Toky já estava em tratativas para reestruturar as obrigações financeiras da Tok&Stok junto a seus credores, mas o volume da dívida persistia em ascensão.

O propósito principal por trás da solicitação de recuperação judicial, segundo a própria companhia, é salvaguardar suas atividades operacionais, garantir a continuidade dos serviços prestados e estabelecer um ambiente propício para a renegociação de seus compromissos financeiros.

Loja da Tok&Stok
Loja da Tok&Stok – Foto: Reprodução/Tok&Stok

Alerta de colapso nas operações e pedido de medidas urgentes

Nos documentos apresentados à Justiça paulista para a recuperação judicial, o Grupo Toky fez um apelo por intervenções emergenciais. O objetivo é impedir a paralisação completa de suas atividades e assegurar a permanência das operações, alertando para a existência de um “risco de dano irreparável” iminente.

Entre as requisições mais relevantes da empresa, destaca-se a urgência na liberação de aproximadamente R$ 77 milhões, montante referente a transações via cartão de crédito que se encontram retidas pela SRM Bank.

O bloqueio desses recursos, conforme indicado pelo grupo, impactou diretamente o fluxo de caixa, comprometendo a capacidade de honrar despesas essenciais, incluindo o pagamento de salários a um quadro de mais de dois mil colaboradores.

Adicionalmente, a empresa solicitou à Justiça a interrupção, por um período de 180 dias, de todas as cobranças e processos judiciais relacionados a dívidas. Essa moratória, conhecida como “stay period”, visa proporcionar tempo para a renegociação dos passivos junto aos seus credores.

Outra demanda crucial contida no pedido é a garantia de continuidade de contratos e serviços julgados indispensáveis para a plena operação da empresa.

A intenção do grupo é evitar qualquer tipo de interrupção em áreas vitais, como operações de logística, transporte, infraestrutura de sistemas digitais, serviços de computação em nuvem, fornecimento de energia elétrica e abastecimento de água.

A origem e a composição do Grupo Toky no mercado

O Grupo Toky surgiu no ano de 2024, resultado da fusão estratégica entre a Mobly e a Tok&Stok, duas grifes com longa trajetória e reconhecimento no segmento de mobiliário e artigos de decoração no cenário brasileiro.

Essa união resultou na formação de um dos maiores conglomerados de varejo de produtos para casa e decoração da América Latina, integrando de forma abrangente tanto as lojas físicas quanto os canais de vendas digitais.

A Mobly teve sua fundação em 2011, idealizada por Victor Pereira Noda, Marcelo Rodrigues Marques e Mário Carlos Fernandes Filho, e desde o início concentrou-se no comércio eletrônico de móveis e artigos decorativos.

Após atrair investimentos da Rocket Internet, a empresa expandiu sua atuação, inaugurando unidades físicas e consolidando uma rede de 11 pontos de venda, que incluem megastores, outlets e formatos compactos.

Por outro lado, a Tok&Stok foi estabelecida em 1978 pelos empresários franceses Régis e Ghislaine Dubrule. A marca conquistou rapidamente o mercado nacional ao introduzir um conceito de móveis contemporâneos, versáteis e com preços competitivos, alinhando-se à expansão da classe média nas cidades e ao aumento do mercado imobiliário de apartamentos no Brasil.

O portfólio do grupo ainda contempla a marca Guldi, que se dedica especificamente à fabricação e comercialização de colchões.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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