O atacante iraquiano Aymen Hussein vivenciou uma série de eventos traumáticos em sua vida pessoal, incluindo a morte de seu pai pela organização terrorista Al Qaeda em 2008, seguida pelo sequestro de seu irmão pelo Estado Islâmico em 2014, cujo paradeiro permanece desconhecido. Pouco tempo depois, a residência de sua família na cidade de Kirkuk foi completamente destruída por conflitos.
Agora, aos 30 anos, o futebolista que cresceu em meio a cenários de caos e guerra está prestes a concretizar um objetivo que parecia distante: participar de uma Copa do Mundo. A seleção do Iraque fará sua primeira partida nesta quinta-feira, enfrentando a Noruega às 19h (horário local), em Boston, como parte do Grupo I do torneio.
Aymen Hussein resumiu sua difícil trajetória afirmando que “esta não é a primeira história de terrorismo de minha família. Provavelmente não será a última”. A declaração reflete a resiliência do jogador diante de adversidades contínuas.
Atacante iraquiano enfrenta interrogatório prolongado nos Estados Unidos
O atleta da seleção iraquiana passou por um incidente delicado logo após sua chegada aos Estados Unidos para a competição. Ele foi submetido a um intenso interrogatório que durou sete horas assim que desembarcou em solo americano.
Relatos indicaram que Aymen Hussein foi retido pelas autoridades de imigração no aeroporto de Chicago, local onde a equipe do Iraque está concentrada para a preparação da Copa do Mundo. Ele precisou passar por rigorosos procedimentos de investigação e verificação antes de ser finalmente liberado.
A caminhada do Iraque até o Mundial e o papel crucial de Aymen Hussein
Vestindo a camisa 18, Aymen Hussein se tornou um verdadeiro ícone nacional ao marcar o gol decisivo na vitória por 2 a 1 contra a Bolívia, na repescagem intercontinental. Esse feito garantiu o retorno do Iraque ao Mundial após um hiato de 40 anos, sendo a única participação anterior do país na Copa do México, em 1986.
Em um vídeo de 2017, resgatado e publicado por Aymen em seu Instagram após o jogo contra a Bolívia, o jogador revelou que seu principal sonho era levar o Iraque à Copa. A comemoração nas redes sociais expressou a emoção do momento:
“O filho do Iraque, se promete, cumpre; se fala, fala a verdade. E se se levanta, abala a terra sob os pés do desespero. Mil parabéns a todos os iraquianos! Esta alegria é o seu direito há muito esperado”, declarou o jogador, celebrando a histórica conquista com seus compatriotas.
O centroavante, com 1,89m de altura, acumula estatísticas notáveis pela equipe nacional, somando 90 jogos e 32 gols marcados. Sua performance na temporada 2025/2026 também foi consistente, com nove gols em 18 partidas pelo Al-Karma, clube que ocupa a sexta posição no Campeonato Iraquiano. Mesmo diante de um passado marcado por profundas tragédias pessoais, Hussein demonstra uma notável capacidade de manter um alto nível de desempenho e foco em sua carreira esportiva.
Para a fase de grupos, o Iraque deposita grande esperança nos gols de seu principal centroavante. Além da Noruega, que apresenta uma das mais promissoras gerações de jogadores de sua história, a seleção enfrentará a favorita França e o Senegal, outro forte candidato a avançar no Mundial.
