Valor das ações da BMW despenca ao menor nível em 5 anos com alerta de lucro por China e Irã

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BMW - Yarrrrrbright/shutterstock.com

O valor das ações da BMW atingiu o patamar mais baixo em mais de cinco anos nesta quarta-feira, após a montadora alemã revisar para baixo suas projeções de lucro até 2026. A empresa justificou a medida com a queda da demanda na China e os impactos causados pelo conflito no Irã.

Em um comunicado oficial divulgado na manhã de terça-feira, a fabricante de automóveis destacou que o crescimento nas vendas observado em mercados como Europa e Estados Unidos não foi suficiente para compensar a diminuição do volume de negócios na China e em toda a região da Ásia-Pacífico.

Além disso, a BMW explicou que a alta nos preços de energia, exacerbada pela guerra no Irã, representa um fardo considerável para seus custos operacionais. Esta instabilidade global também afeta de maneira prejudicial a confiança dos consumidores em diversos mercados, o que se traduz em um menor poder de compra e menor intenção de adquirir veículos de alto valor.

A projeção atual da companhia é de uma redução “significativa” no lucro do grupo antes da incidência de impostos. As ações da montadora registraram uma desvalorização de 6,5% em seu último fechamento.

Em uma análise divulgada nesta quarta-feira, especialistas do Deutsche Bank expressaram que a teleconferência com a BMW gerou “mais dúvidas do que certezas”. A principal preocupação reside na ausência de uma “atualização completa sobre a estrutura e os custos da companhia”.

Em resposta às informações, analistas do Citi revisaram para baixo suas expectativas de vendas na China em mais de 50 mil unidades. A previsão é que as vendas totais no país atinjam menos de 500 mil veículos até o final deste ano.

“Diante da ausência de uma perspectiva de valorização patrimonial claramente positiva, da persistente pressão sobre os lucros anuais, de uma tendência estrutural negativa no setor automotivo, da continuidade de regulamentações punitivas na União Europeia e de um número restrito de investidores focados em ativos europeus de valor, consideramos que a subvalorização da BMW pode se prolongar”, ponderaram os analistas.

Concorrência e novas estratégias impulsionam pressão sobre montadoras europeias

O recente alerta de lucro da BMW repercutiu negativamente em todo o setor automobilístico europeu. As ações de concorrentes alemãs como Volkswagen e Mercedes-Benz também foram impactadas, registrando quedas significativas.

Em abril, a Volkswagen já havia reportado um lucro inferior ao esperado no primeiro trimestre do ano. A companhia atribuiu o resultado a tarifas mais elevadas impostas pelos Estados Unidos e à crescente concorrência de fabricantes de automóveis chineses.

Oliver Blume, CEO da Volkswagen, destacou “guerras, tensões geopolíticas, barreiras comerciais, regulamentações mais rigorosas e intensa competição” como os principais desafios que o grupo enfrenta atualmente.

O panorama geral mostra que as montadoras europeias seguem perdendo espaço para seus concorrentes chineses, especialmente no segmento de veículos elétricos. A China tem expandido agressivamente sua presença global, exportando milhões de carros elétricos com preços altamente competitivos para regiões como Europa, Reino Unido, Ásia e Austrália, além de investir na construção de novas fábricas e na ampliação de suas cadeias de suprimentos.

Diante deste cenário desafiador, o setor automotivo europeu tem explorado novas frentes de atuação, voltando-se, em parte, para a indústria de defesa. As empresas identificam uma oportunidade estratégica para colaborar e aproveitar o aumento dos gastos militares no continente como um novo segmento de mercado.

Nesta semana, empresas como Ineos Automotivo e Caminhão Daimler já anunciaram suas intenções de ingressar ou expandir a produção de veículos militares, evidenciando essa mudança de foco na indústria.

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