Tiroteio intenso marca operação policial contra o tráfico no Morro Santa Marta, em Botafogo; passageiro de ônibus é atingido

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Agente da Core na operação no Santa Marta — Foto: Divulgação/PCERJ

Agente da Core na operação no Santa Marta — Foto: Divulgação/PCERJ

Moradores de Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, registraram um confronto armado de alta intensidade durante as primeiras horas da manhã de terça-feira, 23 de junho de 2026. A ação faz parte de mais uma etapa da Operação Contenção, conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, que visa coibir a expansão territorial da facção criminosa Comando Vermelho (CV) e desmantelar suas estruturas financeiras. Desta vez, o foco central da incursão foi o braço do tráfico de drogas que atua no Morro Santa Marta, uma comunidade historicamente conhecida por ter sido pioneira no projeto de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e que se tornou, ao longo dos anos, um atrativo turístico. O retorno de cenas de guerra a uma área com essa relevância histórica e social sublinha a persistência e a complexidade do desafio do crime organizado na capital fluminense.

Durante os violentos confrontos, um passageiro que seguia a bordo de um ônibus de linha foi fatalmente atingido por uma bala perdida. O incidente ocorreu na Rua São Clemente, uma das principais vias de acesso ao Morro Santa Marta e de grande movimento. Além do ferido no transporte público, um grupo de pessoas que havia subido ao mirante da favela para observar o nascer do sol, um ponto turístico bastante procurado, ficou preso no local por conta dos disparos incessantes, vivenciando momentos de pânico. A violência indiscriminada da operação também deixou marcas em imóveis vizinhos, incluindo a fachada da centenária Igreja Metodista e um edifício residencial próximo, que apresentaram vestígios de projéteis.

Agentes da DRE avançam pelo Santa Marta — Foto: Divulgação/PCERJ

Até a última atualização disponível sobre o desdobramento da operação, quatro indivíduos já haviam sido detidos pelas forças de segurança. A mobilização policial teve como objetivo principal o cumprimento de 44 mandados de prisão e 98 mandados de busca e apreensão. Destes alvos, oito já estavam previamente encarcerados, o que demonstra a capacidade das lideranças criminosas de coordenar atividades ilícitas mesmo dentro do sistema prisional. As medidas judiciais foram expedidas pela 26ª Vara Criminal da capital, atestando a robustez da investigação que fundamentou a ação.

Os primeiros disparos irromperam por volta das 4h da manhã, no exato momento da chegada das equipes policiais na comunidade. As rajadas de armamento pesado puderam ser nitidamente ouvidas em diversos pontos do bairro de Botafogo, causando alarme e despertando a população local em meio à madrugada. Relatos de moradores também indicaram a ocorrência de explosões durante o confronto, amplificando o cenário de caos e incerteza que tomou conta da região.

Para dar suporte à complexa operação em área urbana, dezenas de viaturas da Polícia Civil foram estrategicamente estacionadas ao longo da Rua São Clemente, que serve como um dos principais corredores de Botafogo e rota essencial para o acesso ao Morro Santa Marta. Adicionalmente, pelo menos dois helicópteros da corporação foram mobilizados, oferecendo apoio aéreo crucial aos agentes em solo. O suporte aéreo é fundamental em operações desse porte, permitindo o monitoramento da área, a identificação de rotas de fuga e o auxílio no patrulhamento em terrenos de difícil acesso.

Passageiro de ônibus ferido por bala perdida durante a ofensiva

A concessionária Rio Ônibus divulgou uma nota confirmando que uma bala perdida atingiu um passageiro que estava em um coletivo da linha 410, que faz o trajeto entre Saens Peña e Gávea. O incidente ocorreu enquanto o veículo trafegava pela Rua São Clemente, no coração do bairro. O projétil atingiu a perna direita da vítima, e os demais ocupantes do ônibus, em um ato de solidariedade e desespero, improvisaram um torniquete para estancar o sangramento e prestar os primeiros socorros.

Até o momento da mais recente atualização da reportagem, a identidade do passageiro ferido não havia sido confirmada oficialmente, e não foram divulgadas informações precisas sobre o seu estado de saúde, gerando preocupação entre familiares e a comunidade. A ausência de detalhes sobre a vítima é um reflexo da rapidez e da natureza inesperada da ocorrência, que transformou uma viagem rotineira em um cenário de violência.

A Rio Ônibus, por meio de seu sindicato, expressou veementemente seu repúdio à constante e extrema rotina de violência e insegurança que assola o setor de transporte público na cidade do Rio de Janeiro. A entidade reiterou que casos como esse comprometem diretamente a vida e a segurança tanto dos passageiros quanto dos rodoviários, que são diariamente expostos a tais riscos. O sindicato enfatizou a necessidade urgente de que o transporte público se torne um ambiente verdadeiramente seguro para todos que dependem dele.

Detalhes das investigações que antecederam a operação

As investigações minuciosas que culminaram na Operação Contenção foram iniciadas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) em meados do ano de 2024. O trabalho de inteligência policial se estendeu por cerca de dois anos, evidenciando a complexidade e a dedicação necessárias para mapear e desarticular a intrincada rede do tráfico de drogas que atua no Morro Santa Marta e suas ramificações. Esse período prolongado de apuração é comum em casos de crime organizado, onde a coleta de provas e a identificação dos envolvidos exigem paciência e estratégia.

Segundo os relatórios da especializada, o principal líder do tráfico no Morro Santa Marta foi identificado como Ronaldo Pinto Lima e Silva, mais conhecido pelos codinomes “Ronaldinho Tabajara” ou “R9”. Surpreendentemente, ele continua a emitir ordens e coordenar as atividades criminosas mesmo estando detido no Presídio Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, o que demonstra a capacidade das facções de manterem o controle de suas operações a distância. Ao seu lado, como braço direito e figura chave na gestão do tráfico na comunidade, está Francisco Rafael Dias da Silva, o “Mexicano”.

Ao longo das investigações, a DRE conseguiu identificar um total de 44 integrantes da facção criminosa. Esta lista inclui uma vasta gama de funções e níveis hierárquicos dentro da organização, desde os gerentes responsáveis pela logística e distribuição, passando pelos seguranças armados que garantem a proteção dos pontos de venda, até os vendedores diretos de drogas e os vigilantes dos acessos à favela, que alertam sobre a presença policial. Essa estrutura detalhada revela a sofisticação da organização criminosa em sua operação.

A Delegacia de Repressão a Entorpecentes reafirmou o compromisso de que as investigações prosseguirão ininterruptamente. O objetivo é dar continuidade à identificação de outros possíveis envolvidos na rede criminosa, aprofundar a análise de todos os elementos e provas arrecadados durante o cumprimento das medidas judiciais nesta fase da operação, e promover a completa responsabilização penal de todos os integrantes da organização criminosa, buscando desmantelar a estrutura por completo.

O objetivo maior da Operação Contenção

A Operação Contenção representa uma ofensiva estratégica de grande envergadura, orquestrada pelo governo do estado, com o propósito primordial de conter e atacar a progressão territorial do Comando Vermelho. Esta iniciativa faz parte de um plano maior de segurança pública, que busca reverter o avanço das facções criminosas e restabelecer o controle do Estado sobre as áreas dominadas pelo tráfico, um desafio contínuo para as autoridades fluminenses.

O principal objetivo declarado desta operação é desarticular de forma abrangente toda a estrutura financeira, logística e operacional da organização criminosa. Isso inclui não apenas a interrupção do fluxo de dinheiro obtido com atividades ilícitas, mas também o desmonte das cadeias de suprimentos de armamentos e drogas, bem como a prisão de traficantes que atuam ativamente na região do Morro Santa Marta, visando enfraquecer significativamente o poder da facção.

As fases anteriores da Operação Contenção já registraram um impacto significativo nas atividades do Comando Vermelho. Dados divulgados indicam que mais de 360 criminosos foram capturados e outros 137 indivíduos morreram em confrontos com as forças policiais. Além disso, foram apreendidas cerca de 480 armas de fogo, sendo um impressionante número de 190 fuzis, o que demonstra o poderio bélico da facção. Mais de 51 mil munições também foram retiradas de circulação, evidenciando a escala das apreensões e o duro golpe nas capacidades operacionais dos criminosos.

Imagens mostram os rastros do confronto em Botafogo

A violência da operação ficou evidente nas imagens registradas, que mostram a fachada da Igreja Metodista em Botafogo com buracos de bala. Atingir um templo religioso e edifícios residenciais reflete a imprevisibilidade e o perigo de tiroteios em áreas urbanas densamente povoadas, onde balas perdidas podem causar danos indiscriminados e colocar em risco a vida de inocentes.

Agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) foram vistos em ação durante a operação no Santa Marta, exibindo a presença de forças policiais de elite. A Core é conhecida por sua atuação em ambientes de alto risco, empregando táticas e equipamentos especializados para enfrentar criminosos armados e desmantelar organizações de grande porte, demonstrando a seriedade da intervenção.

Outras imagens capturaram o momento em que agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) avançavam por ruas movimentadas de Botafogo, uma cena que alterou a rotina do bairro. A visibilidade da presença policial nas ruas próximas à favela não só serve como uma demonstração de força, mas também como um lembrete constante da realidade da segurança pública no Rio de Janeiro.

Os agentes da DRE foram fotografados avançando pelo Morro Santa Marta, adentrando as vielas e becos da comunidade. O movimento das equipes dentro da favela é um indicativo da progressão da operação, que busca desmantelar as bases do tráfico e apreender armas e drogas diretamente nos redutos da facção.

Um tiro atingiu o para-brisa de um veículo que estava estacionado na Praça Corumbá, em frente ao Morro Santa Marta, servindo como mais um registro da intensidade do confronto. Este incidente, que ocorreu em uma área mais distante do epicentro do tiroteio, ressalta a capacidade de as balas perdidas percorrerem longas distâncias, aumentando o risco para qualquer pessoa ou propriedade nas proximidades de um confronto armado.

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