Um segmento de quatro quilômetros da pista de subida na nova Serra das Araras, parte da Rodovia Presidente Dutra (BR-116), será oficialmente inaugurado nesta terça-feira (23). A cerimônia, que contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marca a entrega de uma porção crucial entre Piraí e Paracambi, no Rio de Janeiro. Esta seção integra uma das mais significativas obras de infraestrutura do Brasil e serve o fluxo de veículos com destino a São Paulo, oferecendo quatro faixas de rolamento, acostamento, faixas de segurança, iluminação LED e oito viadutos inéditos.
A circulação de veículos no novo percurso será permitida para os motoristas na quinta-feira (25), a partir das 15h. O período entre a cerimônia e a liberação é dedicado à finalização da sinalização permanente e à remoção das instalações provisórias do evento. Projeta-se que aproximadamente 13 mil automóveis e caminhões percorram a nova via a cada dia. A fase seguinte do projeto prevê a entrega de mais quatro viadutos, localizados na pista de descida, com previsão para agosto.
Em uma atualização sobre o progresso físico, as obras já ultrapassam 75% da conclusão total, conforme detalhado por Thiago Pinho, engenheiro e gerente de obras da CCR RioSP, parte do grupo Motiva. Ele ressalta que esta é a primeira entrega parcial, constituindo-se no primeiro segmento totalmente aberto aos usuários, sendo fundamental para o avanço da pista de descida. Com a mudança do fluxo de tráfego para este novo ponto, será possível acelerar os trabalhos na pista de descida, cuja previsão de término é o primeiro trimestre de 2027.
A concretização deste progresso, a partir de quinta-feira, resultará na eliminação de sete das curvas mais perigosas da Serra das Araras, um trecho vital. Esta região é reconhecida como o principal corredor logístico do país, por onde transita um volume de cargas que movimenta cerca de metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e que ainda operava com o traçado original de 1928.
O projeto de duplicação e modernização inclui, para as etapas finais, a instalação de sistemas de câmeras com detecção automática de ocorrências e um avançado sistema de iluminação inteligente. Essa tecnologia será capaz de modular a intensidade luminosa conforme as condições climáticas, como a presença de neblina, garantindo maior segurança e visibilidade aos condutores.
A abertura ao tráfego nesta quinta-feira engloba oito viadutos recém-construídos, além de 14 taludes e suas estruturas de contenção, representando quase a metade dos oito quilômetros planejados para a pista de subida completa. Até o momento, foram executados 275 desmontes de rocha, totalizando mais de 480 mil metros cúbicos de material removido. Estima-se que entre 80 e 100 novas detonações ainda sejam realizadas durante o ano.
Thiago Pinho Batista detalha que mais de 80% das escavações de rocha já foram concluídas, com expectativa de redução significativa nos bloqueios da rodovia a partir de setembro, e o encerramento total até novembro ou dezembro. O engenheiro destaca os complexos desafios da empreitada, como a expansão da plataforma rodoviária enquanto a Dutra permanece em funcionamento. As interrupções são gerenciadas exclusivamente para as detonações, priorizando a segurança pública. Um aspecto notável é a topografia da Serra das Araras, que apresenta um desnível de quase 400 metros do seu ponto mais alto ao mais baixo, uma diferença equivalente à altura do Pão de Açúcar, para ilustrar a magnitude.
A principal esperança dos usuários é a diminuição dos frequentes congestionamentos que se formam em decorrência de incidentes na via. Um exemplo recente ocorreu em novembro de 2025, quando um sério acidente envolvendo três caminhões em Piraí, no km 228 da BR-116, resultou em um ferido e na queda de carga. O incidente causou a interdição da pista por cerca de uma hora e gerou um engarrafamento de dez quilômetros. Com 36% dos 390 mil veículos mensais que cruzam a Serra sendo de carga, as novas rampas de escape representam uma solução vital. Estes dispositivos são projetados para permitir que veículos pesados com falha nos freios consigam parar de forma segura, prevenindo acidentes graves.
O engenheiro da CCR RioSP/Motiva aponta para uma questão particular atual: o transporte de cargas com dimensões excedentes de largura ou comprimento. Atualmente, esses veículos são impedidos de descer a pista durante o horário comercial, exigindo que o trajeto seja realizado à noite, com o fechamento total da rodovia. Com a completa liberação das pistas de descida, essa restrição e o ponto de parada obrigatório para cargas especiais serão eliminados, otimizando o fluxo.
O projeto de modernização e duplicação ao longo dos 626 quilômetros da concessão conta com um aporte financeiro expressivo de R$ 10,7 bilhões, proveniente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Detalhes e características completas do projeto da Serra das Araras
- Oito quilômetros de extensão para cada sentido, somando 16 km no total;
- Quatro faixas de tráfego por cada pista, tanto na subida quanto na descida;
- Um conjunto total de vinte e quatro viadutos;
- Três novas passarelas destinadas a pedestres;
- Duas rampas de escape, projetadas para aumentar a segurança dos caminhoneiros;
- Limite de velocidade revisado e atualizado para 80 km/h em ambas as pistas.
Benefícios e impactos projetados com a conclusão da obra
- Redução significativa no tempo de percurso, estimada em até 25% no sentido de subida e até 50% na descida;
- Aumento da segurança viária, principalmente pela eliminação de curvas perigosas;
- Melhoria notável na fluidez do tráfego e na capacidade total da rodovia.

