Coronel do Bope é substituído do comando no RJ após megaoperação com 122 vítimas nos complexos da zona norte

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Marcelo de Castro Corbage - rede social

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O coronel Marcelo de Castro Corbage foi removido do comando do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) no Rio de Janeiro. A saída ocorre após a Operação Contenção, uma ação policial de grande porte que resultou em 122 óbitos nos complexos do Alemão e da Penha.

Detalhes sobre a mudança de comando no Bope

A destituição de Corbage da liderança da tropa de elite da Polícia Militar fluminense foi oficializada no Diário Oficial do Estado na última quarta-feira, 24 de junho, com validade retroativa a 18 de junho.

O documento público não especifica a razão para o afastamento do oficial. A nota apenas confirma que o coronel foi desinvestido da função de comandante do Bope, unidade integrante do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar, gerando questionamentos sobre a transparência em mudanças de postos-chave em meio a investigações de grande impacto.

A Polícia Militar não estabeleceu publicamente se a substituição está diretamente ligada à Operação Contenção. A Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio foi procurada para esclarecer o motivo, a identidade do novo comandante e o destino de Corbage, mas não forneceu retorno até o momento da publicação.

A corporação confirmou que outro oficial foi nomeado para assumir o Bope. O tenente-coronel Carlos Eduardo da Silveira Monteiro foi designado para a posição por meio de uma publicação interna datada de 17 de junho, sendo que a PM classifica essas movimentações como atos administrativos internos.

A secretaria reiterou que não divulgou a razão da saída de Corbage. A PM informou que quaisquer aspectos relacionados a critérios de movimentação interna ou à apuração de eventos específicos “estão inseridos no âmbito administrativo da Corporação”.

A Operação Contenção e o alto número de vítimas

A Operação Contenção ocorreu em 28 de outubro de 2025. A ação conjunta envolveu agentes da Polícia Civil e da Polícia Militar nas comunidades do Alemão e da Penha, localizadas na zona norte do Rio, com o objetivo de combater o Comando Vermelho.

Segundo o balanço divulgado pelo governo do Rio, a megaoperação resultou em um total de 122 mortes. Dentre as vítimas fatais, cinco eram policiais, enquanto os 117 restantes foram identificados pelo governo como criminosos.

O governo estadual declarou que a operação visava a captura de importantes lideranças do Comando Vermelho. Após a incursão, sete indivíduos apontados como chefes da facção no Rio foram transferidos para unidades prisionais federais por determinação judicial.

O principal alvo da ofensiva não foi detido. Edgar Alves de Andrade, conhecido pelos apelidos Doca ou Urso, apontado como uma das figuras proeminentes do Comando Vermelho, conseguiu fugir. Relatórios governamentais indicavam que ele possuía 273 anotações criminais e 32 mandados de prisão em aberto.

A operação também resultou em diversas apreensões. Um relatório do governo do Rio enviado ao Supremo Tribunal Federal listou 122 armas, 15 veículos, 22 quilos de cocaína e duas toneladas de maconha confiscados durante a ação.

Uso de câmeras corporais e desdobramentos das investigações

Corbage prestou depoimento ao Ministério Público do Rio em novembro de 2025. Na ocasião, ele relatou que 77 dos 215 policiais do Bope participantes da operação estavam utilizando câmeras corporais.

Menos da metade dos agentes envolvidos, especificamente 134 dos 343 policiais do Bope e da Core, estava equipada com os dispositivos durante o transcorrer da ação.

O então comandante explicou que a operação estava programada para durar até seis horas. Por essa razão, ele afirmou que não foi considerada a necessidade de providenciar baterias extras para as câmeras corporais.

O Ministério Público do Rio identificou lesões consideradas incomuns em dois dos corpos. Um laudo técnico mencionou ferimentos por disparo de arma de fogo a curta distância em uma das vítimas e um caso de ferimento por decapitação.

Cinco policiais militares do Batalhão de Choque foram detidos após a megaoperação. A Corregedoria da Polícia Militar efetuou as prisões em novembro de 2025, sob suspeita de envolvimento em crimes ocorridos durante a ação, com base na análise das imagens das câmeras corporais.

Divergências sobre a estratégia conhecida como ‘muro do Bope’

Corbage negou a montagem de uma emboscada na área de mata. Em seu testemunho ao Ministério Público do Rio, ele afirmou que não houve posicionamento prévio de policiais na Serra da Misericórdia para realizar uma “troia”, termo que designa uma emboscada ilegal na qual agentes se ocultam para atacar suspeitos.

Essa declaração entrou em contradição com uma explicação anterior oferecida pelo governador Cláudio Castro. O governador havia afirmado que a tática visava encurralar criminosos em regiões de mata, com o intuito de minimizar o impacto sobre os residentes.

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