A ala associativa do Botafogo tomou uma nova medida legal, contestando uma recente determinação judicial que restabeleceu a John Textor a influência política na Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube. Na última segunda-feira, o desembargador Luiz Eduardo Canabarro emitiu um despacho que anulava as implicações de decisões prévias do Tribunal Arbitral sobre o empresário. Contudo, em seu recurso, o Botafogo associativo argumentou que, mesmo com a suspensão dessas decisões, a reintegração de Textor seria inviável, considerando que o processo de recuperação judicial em andamento já havia nomeado Eduardo Iglesias como o gestor oficial.
Na quarta-feira seguinte, a diretoria social do Botafogo protocolou um pedido de elucidação ao desembargador, visando entender os pormenores da deliberação que poderia reintegrar Textor à SAF. O documento, divulgado pela imprensa, apresenta um detalhado histórico dos eventos e litígios relacionados. O clube associativo enfatiza que a eventual reinstalação do empresário na liderança geraria considerável instabilidade administrativa, um cenário especialmente delicado para uma instituição em processo de recuperação judicial, pois incertezas na governança tendem a repelir potenciais novos investidores e dificultar a estabilização financeira. Este contexto de disputa judicial pela liderança pode atrasar não apenas a reestruturação das dívidas, mas também a captação de recursos essenciais para a sustentabilidade do clube.
“Independente da validade ou não das deliberações arbitrais, o debate sobre a gestão da SAF Botafogo já foi ultrapassado”, declara um trecho da petição. O texto esclarece o motivo dessa superação: primeiramente, foram emitidas, no âmbito da recuperação judicial, sentenças posteriores às arbitrais, que estabeleceram a designação de um gestor judicial e a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para confirmar essa nomeação; e em segundo lugar, em resposta à determinação do Juízo recuperacional, uma AGE foi realizada em 14 de maio de 2026, onde Eduardo Iglesias foi formalmente apontado como o novo administrador da SAF Botafogo.
Os advogados do clube social reiteram que a “crise financeira sem precedentes” que assola a SAF do Botafogo teria sido, em grande parte, resultado direto das ações e decisões tomadas por Textor. A petição lista, entre outros pontos, a movimentação de quantias milionárias que teriam atendido a “interesses estritamente pessoais” do americano, além da pendência de pagamento referente à contratação de Thiago Almada, que culminou na proibição de registro de novos jogadores (transfer ban) imposta à equipe. A defesa do Botafogo associativo está a cargo dos escritórios Gleich Advogados e Antonelli Advogados.
Por outro lado, a equipe jurídica que representa John Textor sustenta, perante a Justiça, que o empresário nunca foi formalmente citado como parte nos autos do processo do Tribunal Arbitral. Desse modo, de acordo com essa argumentação, ele não poderia ser afetado pelas decisões ali proferidas.

