Uma nova decisão da Justiça do Rio Grande do Sul estabeleceu uma pena de mais de 14 anos de reclusão para o humorista e influenciador digital Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di. A condenação, proferida nesta terça-feira (23), abrange crimes de estelionato, lavagem de dinheiro qualificada e uso de documento falso, todos relacionados a um esquema de rifas ilegais.
O influenciador, contudo, já se encontra em liberdade provisória desde novembro de 2024. Ele havia deixado a Penitenciária de Canoas após cumprir quatro meses de prisão, resultantes de uma condenação anterior por estelionato, associada ao caso da loja virtual “Tadizuera”. Este histórico reforça um padrão de comportamento que tem levado a múltiplas intervenções judiciais contra o humorista.
A esposa de Nego Di, Gabriela Sousa, também foi sentenciada pela Justiça. Ela recebeu uma condenação de 8 anos e 4 meses de reclusão em regime fechado, especificamente pelo delito de lavagem de dinheiro.
Além das penas principais, a decisão judicial inclui uma condenação adicional para o humorista. Ele foi sentenciado a 1 ano e 15 dias de prisão simples, modalidade de infração contravencional, em regime semiaberto, devido ao crime de promoção de loteria ilegal.
Detalhes das penas impostas aos envolvidos nos crimes
A Justiça do Rio Grande do Sul detalhou as sentenças para cada réu e crime:
- Para Nego Di:
– Lavagem de dinheiro: 9 anos, 4 meses e 8 dias de reclusão, mais 16 dias-multa.
– Uso de documento falso: 3 anos e 22 dias de reclusão, mais 18 dias-multa.
– Estelionato: 2 anos e 1 mês de reclusão, mais 16 dias-multa.
– Promoção de loteria: 1 ano e 15 dias de prisão simples, mais 16 dias-multa.
- Para Gabriela Sousa:
– Lavagem de dinheiro: 8 anos e 4 meses de reclusão, mais 16 dias-multa.
Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Dilson Alves da Silva Neto é acusado de organizar, entre novembro de 2022 e maio de 2024, no mínimo 34 rifas eletrônicas que operavam sem a devida autorização legal. Essas rifas eram amplamente divulgadas em suas redes sociais, prometendo prêmios em dinheiro e diversos bens em troca da compra de bilhetes.
A acusação detalha, ainda, que Nego Di teria promovido fraudulentamente a rifa de um automóvel Porsche Macan. Este veículo, ao invés de ir para um ganhador legítimo, foi transferido para o próprio influenciador, além de um montante de R$ 150 mil em espécie.
Em julho de 2024, o casal foi alvo de uma operação conduzida pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), relacionada diretamente ao processo das rifas ilegais.
Durante essa ação, Gabriela Sousa foi detida em flagrante. Agentes encontraram em sua posse uma arma de uso restrito das Forças Armadas que não possuía registro, o que culminou na prisão da então investigada.
Estima-se que essa operação criminosa tenha causado um prejuízo financeiro de R$ 185,3 mil, afetando mais de nove mil vítimas.
O Ministério Público alega que o humorista induziu as vítimas ao erro, arquitetando a criação de um ganhador fictício para as rifas.
A investigação também revelou que o influenciador e sua companheira teriam movimentado R$ 2,5 milhões por meio de contas de terceiros em um esquema de lavagem de dinheiro. Esses recursos foram empregados na aquisição de carros de luxo e propriedades imobiliárias em Porto Alegre, bem como em localidades da Serra e do Litoral do Rio Grande do Sul.
Adicionalmente, o MP afirmou que Nego Di utilizou um documento falsificado ao postar em suas redes sociais um comprovante de transferência PIX de R$ 1 milhão, supostamente destinado a uma campanha de auxílio às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Contudo, a quantia efetivamente doada teria sido de apenas R$ 100.
Representantes da defesa de Dilson Alves da Silva Neto e Gabriela Sousa foram procurados para comentar a decisão, mas não houve retorno até o momento da publicação.
Histórico de reincidência: a segunda condenação de Nego Di
Em um caso anterior, ocorrido em junho do ano passado, o influenciador já havia sido sentenciado a 11 anos e 8 meses de reclusão. Essa condenação prévia, também por estelionato, envolvia seu sócio Anderson Bonetti.
A dupla administrava a plataforma online “Tadizuera”, onde ofereciam uma vasta gama de produtos a valores significativamente abaixo dos praticados no mercado. No entanto, os condenados falharam em honrar as ofertas anunciadas.
De acordo com investigações policiais, o golpe causou um prejuízo estimado em mais de R$ 5 milhões para as vítimas.
Uma das pessoas lesadas, que perdeu R$ 30 mil na compra de dois telefones celulares e aparelhos de ar-condicionado, descreveu o modo de operação de Nego Di em um depoimento.
Essa vítima relatou que, em 2022, o indivíduo vendia telefones celulares por preços consideravelmente inferiores aos de mercado. Inicialmente, ele realizava as entregas para construir uma imagem de credibilidade e assim perpetrar o golpe.
Em seguida, o influenciador divulgou a criação de uma loja virtual, prometendo a venda de produtos com valores acessíveis a todos os consumidores.

