Nova adaptação de Supergirl decepciona críticos e não decola como esperado, apesar de promessas da DC

Supergirl

Supergirl - Reprodução Youtube

Milly Alcock assume o papel principal em “Supergirl”, mas um dos destaques inesperados do filme, segundo a crítica especializada, é a presença do cachorro Krypto, animado por computação gráfica. O fiel companheiro, que teve papel significativo no sucesso recente de “Superman”, aparece apenas em participações pontuais neste novo longa-metragem.

A decisão de relegar Krypto a um papel secundário, servindo mais como um gatilho emocional para a heroína, levanta questionamentos sobre a direção criativa. Sua aparição é limitada ao início e ao desfecho, em um filme que, de acordo com a análise, parece buscar inspiração em diversas outras produções em vez de trilhar um caminho original para a personagem.

Enredos inspirados e aparições marcantes

O novo filme da Supergirl incorpora elementos que remetem a “Bravura Indômita”, “Star Wars”, “Hellraiser” e até “Mad Max”, distanciando-se consideravelmente do universo do Superman. A narrativa leva tempo para que a protagonista, Kara Zor-El, exiba plenamente seus poderes e vista seu traje icônico. O público encontra um alívio nas breves aparições de David Corenswet, o novo Superman, que surge em um flashback com sua prima Kara e o filhote Krypto, além de uma cena final que prepara o terreno para futuras edições. Em ambos os momentos, o cachorro Krypto, seguido de perto por Corenswet, rouba a cena, injetando um carisma que o tom sombrio e espacial do filme carece.

Após tentativas anteriores, como o filme de 1984 estrelado por Helen Slater, que não obteve sucesso, e a série da CW com Melissa Benoist, que encerrou em 2021, a nova gestão do universo cinematográfico da DC na Warner Bros. buscava renovar a franquia. Sob a liderança de Peter Safran e James Gunn, a expectativa era de que “Supergirl” capitalizasse o êxito do recente “Superman”, mas a recepção inicial aponta para um resultado aquém do esperado, mesmo com bons diálogos em alguns trechos.

Jornada interplanetária e o impacto de personagens secundários

A trama se inicia com Kara Zor-El (Milly Alcock) em seu planeta natal, interagindo com o brincalhão Krypto. A atmosfera muda drasticamente quando o vilão Krem (Matthias Schoenaerts) surge, assassinando os pais da jovem Ruthye (Eve Ridley), de 13 anos. Este evento traumático motiva Ruthye a buscar Kara, impulsionada por um desejo de vingança.

O enredo ganha urgência quando Krypto é gravemente ferido por um dardo letal, necessitando de um antídoto em até 72 horas. Kara e Ruthye embarcam então em uma perigosa jornada interplanetária para encontrar Krem. No caminho, elas enfrentam piratas Sklarianos, experimentam uma curiosa viagem de ônibus espacial e visitam um clube com ambientação que lembra “Star Wars”.

Durante essa aventura, as duas protagonistas cruzam o caminho de Lobo, um excêntrico caçador de recompensas espacial, interpretado de forma cativante por Jason Momoa. O ator se destaca em cada uma de suas aparições, seja aprisionado com Ruthye ou pilotando sua moto voadora, evocando a energia de “Mad Max: Estrada da Fúria”. Apesar da intensa ação, destruição e perseguições, o foco central recai sobre o relacionamento em desenvolvimento entre Kara Zor-El e Ruthye, notado por alguns espectadores pela semelhança com a dinâmica entre Rooster Cogburn e Mattie Ross em “Bravura Indômita”. No entanto, os críticos apontam que Milly Alcock e Eve Ridley não entregam a mesma vivacidade de seus antecessores em comparações com os clássicos.

Direção, atuações e pontos positivos da produção

Este cenário, que difere de uma mera versão espacial de “Bravura Indômita”, é inspirado na história em quadrinhos “Supergirl: Woman of Tomorrow”, de Tom King. O diretor Craig Gillespie, conhecido por trabalhos como “Eu, Tonya” e “Cruella”, demonstra maestria em dar vida a personagens singulares. Contudo, os efeitos especiais e o tom incessantemente sombrio do filme frequentemente prejudicam o desempenho geral, apesar dos esforços de Alcock, que interpreta uma Kara Zor-El um tanto excêntrica, impulsiva e nem sempre centrada.

Jason Momoa, como Lobo, entrega uma performance divertida e focada, cumprindo sua missão de roubar a cena a cada aparição. O problema reside no fato de que o filme se chama “Supergirl”, tornando a participação de Lobo, por mais chamativa, em algo disperso e secundário. Eve Ridley, no papel de Ruthye, exibe frequentemente uma expressão de dor e um monólogo focado em vingança, embora se destaque em uma cena de fuga da prisão. O vilão Krem, interpretado por Matthias Schoenaerts, é considerado afetado e unidimensional, carecendo de profundidade e repetindo um erro do filme de 1984.

Um momento que se destaca positivamente é um flashback envolvendo David Krumholtz e Emily Beecham como os pais de Zor-El. Eles são vistos em um momento de desespero, enviando Kara para o primo Clark na Terra, e os três atores brilham interpretando seus papéis em um idioma kryptoniano autêntico. A trilha sonora orquestral de Claudia Sarne também recebe menção especial, elevando a experiência auditiva mesmo quando a ação não alcança o mesmo patamar.

A sessão de imprensa revelou uma decepção quando se confirmou a ausência de cenas pós-créditos, indicando que os espectadores podem desconsiderar a espera pelo final da projeção.

O filme “Supergirl” será distribuído pela Warner Bros Pictures e tem lançamento previsto para 26 de junho de 2026. A direção é de Craig Gillespie, com roteiro de Ana Nogueira. O elenco inclui Milly Alcock, Matthias Schoenaerts, Eve Ridley, David Krumholtz, Emily Beecham, David Corenswet e Jason Momoa. A classificação indicativa é PG-13, e a duração é de 1 hora e 47 minutos.

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