A escuderia Mercedes, que dominou as últimas temporadas nos campeonatos de pilotos e construtores, observa agora o avanço notável da Ferrari, que impulsionou Lewis Hamilton à segunda posição no Mundial. Diante deste cenário, a equipe alemã pretende impedir a repetição de incidentes como o ocorrido no Grande Prêmio de Barcelona-Catalunha, onde George Russell e Kimi Antonelli se enfrentaram na pista, permitindo que o piloto da Ferrari se aproximasse da vitória, que de fato conquistou.
Em declarações feitas na última quinta-feira (25), Kimi Antonelli informou que ele e George Russell tiveram uma reunião com Toto Wolff, o chefe da equipe, para discutir o assunto. O piloto italiano destacou que, a partir de agora, a Mercedes adotará ordens de equipe para favorecer o competidor mais veloz caso um adversário externo ameace a possibilidade de vitória. Essa mudança representa uma alteração significativa na filosofia da Mercedes, que historicamente permitia a livre competição entre seus pilotos, sinalizando a intensidade da atual disputa pelo campeonato.
Ordem de equipe será prioridade em situações de risco
“Realizamos uma reunião sobre o tema, e Toto expressou-se com grande clareza”, detalhou Antonelli. “Caso nos encontremos novamente em um cenário semelhante ao de Barcelona, sob forte pressão de equipes adversárias, a prioridade será a aplicação de uma ordem de equipe, especialmente se um de nossos carros apresentar maior desempenho. Contudo, se a disputa interna ocorrer sem a ameaça de um rival, os pilotos terão liberdade para competir, como foi observado em Montreal”, esclareceu o jovem piloto.
O autódromo Gilles Villeneuve, em Montreal, testemunhou um dos momentos mais intensos de rivalidade entre Antonelli e Russell nesta temporada. Os dois pilotos protagonizaram uma série de ultrapassagens e embates roda a roda até a trigésima volta, quando o britânico, que liderava a corrida, foi forçado a abandonar por uma pane na bateria. Apesar do tempo perdido durante os confrontos diretos, os carros da Mercedes não enfrentaram qualquer tipo de ameaça dos concorrentes em nenhum instante da prova.
Análise da vitória de Hamilton no GP de Barcelona
Diferente do Canadá, em Barcelona, enquanto os companheiros de equipe da Mercedes disputavam posições e seguiam uma estratégia de dois pit stops, a Ferrari optava por uma tática mais ousada, com três paradas para Lewis Hamilton. Sob circunstâncias habituais, a perda de tempo ocasionada pela rivalidade entre Antonelli e Russell, combinada com o ritmo acelerado do heptacampeão, já teria intensificado a briga pela liderança nas voltas finais. Contudo, o piloto da Ferrari foi favorecido pelo momento de um safety car virtual e garantiu a vitória de forma confortável.
Após seu triunfo em Barcelona, Lewis Hamilton acumula agora 115 pontos no campeonato, enquanto Kimi Antonelli lidera com 156. George Russell, que viu sua pontuação cair para 106, ocupando a terceira posição, manifestou sua opinião sobre o desempenho recente do heptacampeão e expressou que vê tanto o piloto quanto a equipe Ferrari como “grandes ameaças” na corrida pelos títulos desta temporada.
Russell destaca Hamilton como um adversário formidável
“É extremamente gratificante observar Lewis retornando à sua melhor forma”, declarou Russell. “Este momento ilustra a complexidade da Fórmula 1, onde os veículos são intrincados, os pneus exigem muita atenção, a unidade de potência é sofisticada, e todos esses elementos precisam operar em perfeita sintonia. A falha de um único componente impede que o piloto atinja seu potencial máximo. As pessoas o subestimavam no ano passado e até mesmo em 2024, período em que éramos colegas de equipe”, iniciou o britânico.
“Questionavam se ele estava muito velho, ou se outras questões o afetavam. No entanto, ele surge e domina em quatro das últimas cinco provas”, continuou George Russell. “Isso apenas reforça que a habilidade de pilotar não se perde da noite para o dia. É necessário ter autoconfiança, uma equipe coesa, o acerto ideal do carro, a compreensão dos pneus; tudo precisa se alinhar. Quando esses fatores se unem, o resultado é espetacular. É uma bela demonstração, e é exatamente o que ele está vivenciando. Certamente, ele representa uma enorme ameaça, e a Ferrari também é uma grande ameaça”, concluiu.
Equipes preparam atualizações para o GP da Áustria
Para o aguardado Grande Prêmio da Áustria, tanto a Ferrari quanto a Mercedes estão preparando a introdução de atualizações significativas em seus respectivos monopostos.
A equipe de Maranello, por exemplo, deve trazer inovações “menores” para o motor. Essa medida já aproveita a política de auxílio a propulsores deficitários, recentemente implementada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA).
Por outro lado, a Mercedes realizou melhorias em seu software e aplicou correções no pacote de bateria. Este sistema tem sido a principal preocupação da escuderia neste ano, sendo o motivo tanto para o abandono de George Russell no Canadá quanto para a interrupção da corrida de Kimi Antonelli em Barcelona.

