Charles Leclerc, piloto da Ferrari, esteve muito perto de garantir a pole position para o Grande Prêmio da Áustria neste sábado, pondo fim a um período de um ano sem largar na frente. Contudo, suas chances diminuíram drasticamente após o acidente de Max Verstappen nos momentos finais da sessão classificatória, o que permitiu a George Russell assegurar a primeira posição no grid. O chefe da equipe italiana, Frederic Vasseur, expressou sua forte oposição às deliberações dos comissários sobre o incidente.
Russell completou sua volta mais rápida sob a ativação de uma bandeira amarela simples, acionada em decorrência da batida de Verstappen. Embora essa sinalização exija que o piloto reduza a velocidade, não há uma obrigação de abortar a volta, ao contrário do que ocorreria com uma bandeira amarela dupla. A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) avaliou que a desaceleração de Russell foi suficiente, mesmo com o tempo registrado garantindo-lhe a pole.
“Quando um carro colide com o muro, em certas circunstâncias, acredito que deveria haver uma bandeira amarela dupla”, argumentou Vasseur. Ele manifestou sua discordância sobre a situação, apontando uma inconsistência entre as punições aplicadas por infrações menores em treinos livres e a permissão para que os pilotos mantenham o ritmo em incidentes como o ocorrido, levantando sérias questões de segurança.
O dirigente da equipe italiana ressaltou que foi exibida apenas uma bandeira amarela, descrevendo a deliberação como “discutível”, especialmente considerando que o carro médico foi mobilizado. Vasseur explicou que, sob essa sinalização, espera-se uma diminuição de aproximadamente 5% da velocidade no setor afetado. Ele expressou lamento por sua equipe não ter acesso aos dados para verificar a conformidade.
De fato, Russell demonstrou uma desaceleração perceptível ao entrar no último setor da pista, onde ocorreu o acidente de Verstappen, e onde ele registrou seu pior tempo. No entanto, devido aos ganhos substanciais que acumulou nos dois primeiros setores do Circuito de Spielberg, o piloto britânico conseguiu manter a vantagem necessária para garantir a pole position.
A polêmica decisão que isentou George Russell de punição após a pole
Inicialmente, pairou uma incerteza considerável sobre o resultado da classificação, com os mecânicos da Ferrari celebrando a suposta pole de Charles Leclerc, enquanto a equipe Mercedes mostrava-se hesitante. Contudo, poucos minutos depois, a FIA confirmou que Russell estava completamente livre de qualquer investigação ou penalidade.
A FIA esclareceu que, sob uma bandeira amarela simples, basta que o piloto reduza sua velocidade, critério que foi considerado atendido por Russell. A distinção entre a bandeira amarela simples e a dupla é crucial: enquanto a primeira exige cautela e uma leve redução, a segunda impõe uma desaceleração substancial ou até mesmo o aborto da volta rápida, afetando diretamente as chances de pole. Pouco após Russell completar sua volta, os comissários da prova elevaram a sinalização para uma bandeira amarela dupla, indicando uma reavaliação da gravidade do acidente.
“As coisas estão caminhando na direção errada para nós e na certa para a Mercedes neste ano, mas continuaremos lutando”, desabafou Vasseur. Ele optou por não gastar energia em polêmicas, mas admitiu a percepção de que “a sorte sempre parece favorecer a Mercedes”, mesmo com seus pilotos, Leclerc e Lewis Hamilton, largando em segundo e terceiro.
Outro competidor que foi prejudicado pela situação foi Andrea Kimi Antonelli, atual líder do campeonato. Ele desacelerou mais significativamente do que Russell, mas o fez por conta própria, pois interpretou a sinalização como uma bandeira amarela dupla e tirou o pé do acelerador, o que o fez largar apenas na quarta posição no domingo.
“Foi uma redução de velocidade de 100 metros com uma bandeira amarela simples”, defendeu Toto Wolff, chefe da Mercedes, referindo-se à manobra de Russell. Ele elogiou a conduta de George, que perdeu apenas um décimo e meio, mas confirmou que Kimi Antonelli interpretou a sinalização como uma bandeira amarela dupla.
O jovem piloto confirmou seu engano em entrevista à “Sky Sports F1” após a sessão. “Não sei por quê, mas achei que fosse uma bandeira amarela dupla, então desisti completamente e perdi a primeira fila. Foi um erro meu”, declarou Antonelli.

