Didi Romero, conhecida por suas interpretações de figuras femininas com forte impacto histórico, está de volta aos palcos em um novo musical. A artista, que já brilhou em grandes produções, prepara-se para um papel desafiador na cena teatral nova-iorquina.
A cantora, dançarina e influenciadora ganhou notoriedade com sua performance aclamada como Katherine Howard no sucesso “Six The Musical”. Sua jornada começou com a turnê nacional dos Estados Unidos em 2022, culminando em uma bem-sucedida temporada de nove meses na Broadway.
Neste verão, Romero retorna ao cenário artístico de Nova York para a estreia mundial de “Giulia: The Poison Queen of Palermo”, um musical original. A obra é assinada e estrelada pela sensação do pop-country, Jennifer Nettles, que assume o papel principal de Giulia Tofana, uma farmacêutica do século XVII que eliminava homens abusivos na Itália com uma bebida especial.
No enredo, Romero interpreta a Duchessa, uma mulher rica e influente da alta sociedade que exige os serviços de Giulia. A personagem, no entanto, é surpreendida com uma recusa incomum, ao ouvir um “não”. Um trecho dos ensaios de “Giulia” já mostra a reação da Duchessa na poderosa canção solo de Romero, intitulada “Always Get What I Want.”
Em uma recente conversa com a imprensa, Didi Romero compartilhou detalhes sobre sua experiência vivendo a Duchessa, a colaboração com Jennifer Nettles e a importância de produções que abordem o tema da “fúria feminina”.
Aprofundando na trama de ‘Giulia: The Poison Queen of Palermo’ e o papel de Duchessa
A atriz descreveu “Giulia: The Poison Queen of Palermo” como uma narrativa grandiosa, criada pela talentosa Jennifer Nettles. Ela ressaltou que a história explora a fúria feminina e o potencial de um mundo onde os homens não temessem o poder das mulheres, refletindo um debate contemporâneo crucial sobre a distribuição de poder na sociedade. O musical é inspirado na figura real de Giulia Tofana, vista como uma heroína por muitas mulheres de sua época, e Romero se mostra ansiosa para a reação do público sobre essa figura histórica controversa.
A Duchessa, personagem de Romero, é uma figura abastada e poderosa que se distingue da maioria das mulheres na história do musical.
Ela é retratada como uma individualista, quase isolada, que tem dificuldade em se identificar com as demais. Detentora de poder e riqueza, sua fortuna não foi conquistada por meio de trabalho árduo ou sacrifício pessoal.
Sua condição resultou, provavelmente, de muitas dificuldades, já que, no passado, as mulheres tinham poucas opções além do casamento e da maternidade. Ela seguiu esse caminho sem alternativa, o que, para Romero, justifica suas escolhas.
As atitudes da Duchessa, no entanto, a distanciam do papel de protagonista heroica na trama. Didi Romero comentou que, na vida real, “definitivamente gostaria de debater com uma mulher como a Duchessa”, mas que não se pode culpar totalmente a personagem, a quem descreve como uma “criança mimada” que sempre conseguiu o que quis.
A performance intensa de Didi Romero no número “Always Get What I Want”
A percepção geral é de que ninguém jamais ousou contrariar a Duchessa, uma mulher naturalmente charmosa e bela que sempre alcançou seus objetivos. No musical, o público testemunha um dos poucos momentos em que ela é desafiada, o que desencadeia uma reação de profundo desgosto. O resultado dessa frustração é notável, e é evidente que não se deve irritar a Duchessa, pois suas decisões podem ser imprevisíveis.
Essa canção se destaca como um dos momentos mais modernos do musical, proporcionando grande divertimento. A atriz revelou que o elenco se empolga com o número, sentindo uma verdadeira transformação ao incorporarem a personagem da Duchessa.
A complexa criação musical de Jennifer Nettles para o espetáculo
Jennifer Nettles dedicou mais de sete anos à composição da obra, resultando em canções brilhantemente elaboradas. Sua capacidade criativa e imaginativa é notável, e a música incorpora elementos de diversos gêneros.
Apesar da fusão de estilos, a composição consegue preservar a textura da Itália do século XVII, com forte presença de instrumentos de sopro de madeira e violas. Essa combinação confere uma sonoridade única e envolvente ao espetáculo.
Diferenças entre a abordagem histórica de ‘Giulia’ e ‘Six The Musical’
“Six The Musical” é consideravelmente mais contemporâneo em sua abordagem do que “Giulia”. Embora o novo espetáculo mantenha um estilo vocal característico, a essência da Itália do século XVII é notavelmente presente. A produção consegue transportar o público diretamente para aquela época.
A ressonância atual da narrativa feminina no palco
Romero expressou sua satisfação em fazer parte de produções que contam histórias sob a perspectiva feminina, identificando-se plenamente com o conteúdo do roteiro. Ela mencionou que Jennifer Nettles destacou que as decisões atuais no mundo não são feitas por mulheres, o que reforça a importância da história de “Giulia” como um convite para que o público ouça a voz feminina, pois “elas têm muito a dizer”.
A atriz defende a necessidade de mais espetáculos que celebrem a “fúria feminina”, descrevendo-a como “a coisa mais estética e atraente do mundo” ao ver mulheres expressarem sua verdadeira essência no palco.
