Sonda chinesa Tianwen-2 envia primeiras imagens em 4K do asteroide 2016 HO₃, a “quase-lua” da Terra

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asteroide, espaço - CreativeColony/shutterstock.com

A sonda chinesa Tianwen-2 completou um marco importante em sua jornada espacial ao chegar ao asteroide 2016 HO₃, conhecido como Kamoʻoalewa, a “quase-lua” da Terra. A espaçonave capturou e transmitiu as primeiras imagens em alta resolução, de 4K, deste corpo celeste que partilha a órbita do planeta, preparando-se para sua próxima fase de exploração que inclui a perfuração de um cometa.

A chegada da Tianwen-2 ao seu destino celestial ocorreu em 2 de julho, após uma busca que durou 13 meses. A sonda de coleta de amostras de asteroides realizou uma aproximação a apenas 20 quilômetros do asteroide 469219 Kamoʻoalewa. Lançada em 29 de maio de 2025, do Centro de Lançamento de Satélites de Xichang, a missão já percorreu cerca de um bilhão de quilômetros, agora revelando detalhes do pequeno objeto que divide o espaço orbital da Terra, em meio à Lua e uma vasta quantidade de satélites artificiais e detritos.

As particularidades do Kamoʻoalewa: um objeto que não é bem uma lua

Kamoʻoalewa possui dimensões reduzidas, com um diâmetro que varia entre 16 e 20 metros. Descoberto pelo telescópio Pan-STARRS em 2016, a partir do Observatório Haleakala, no Havaí, o corpo não segue um padrão orbital como a Lua. Em vez disso, Kamoʻoalewa orbita o Sol, mas em uma trajetória que o mantém próximo da Terra por aproximadamente 45 anos, sendo categorizado pelos astrônomos como um “quase-satélite”, uma classe com menos de uma dúzia de membros conhecidos. Devido à sua distância e brilho tênue na maior parte do tempo, os períodos de observação por grandes telescópios são limitados, principalmente em abril.

asteroide – Triff/shutterstock.com

O roteiro da Tianwen-2: desde a detecção até a coleta de amostras

A sonda iniciou a detecção óptica do asteroide em 6 de junho e, um dia depois, realizou uma correção de curso essencial. Em 19 de junho, a Tianwen-2 já estava a 2.000 quilômetros de Kamoʻoalewa, culminando na aproximação final de 20 quilômetros em 2 de julho. Este percurso minucioso é crucial para garantir o sucesso das etapas subsequentes da missão.

Análises espectrais do Kamoʻoalewa, feitas anos atrás por pesquisadores da Universidade do Arizona, sugeriram que o asteroide possivelmente se desprendeu da Lua terrestre. Essa teoria busca explicar a composição única do objeto e sua proximidade com a órbita da Terra.

Mais recentemente, um estudo de 2024 aprofundou essa hipótese, utilizando simulações para rastrear a origem do fragmento até a cratera Giordano Bruno, localizada no lado oculto da Lua e formada por um impacto ocorrido há milhões de anos. Rongqiao Zhang, um físico do Centro de Exploração Lunar e Engenharia Espacial em Pequim, destacou a raridade do caso, enfatizando seu potencial para desvendar informações vitais sobre como esses fragmentos chegam à órbita do nosso planeta, contribuindo para a compreensão da formação de quasi-satélites e a dinâmica do ambiente espacial próximo à Terra.

Próximos passos da sonda Tianwen-2 após a coleta de amostras

A Tianwen-2 está programada para permanecer em órbita do asteroide por aproximadamente nove meses, período no qual tentará coletar material de sua superfície. As amostras, se bem-sucedidas, devem retornar à Terra em 2027. Se esta fase da missão for bem-sucedida, a China se consolidará como o terceiro país a conseguir trazer amostras de um asteroide, seguindo os passos dos Estados Unidos (com o asteroide Bennu) e do Japão (com o Ryugu). Posteriormente, a sonda será redirecionada para o cometa 311P/PANSTARRS, dando início à segunda etapa de sua extensa missão de exploração.

Maria: Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.