Brasileiro combate vício em apostas e se alista no Exército da Ucrânia

Thiago Morais da Silva Moita - Instagram

Thiago Morais da Silva Moita - Instagram

O carioca Thiago Morais da Silva Moita, de 35 anos, fez uma escolha drástica na busca por retomar o controle de sua vida após perder mais de R$ 340 mil em apostas online. Na terça-feira, 9 de julho de 2026, ele deixou o litoral paulista para se alistar no Exército da Ucrânia, em uma tentativa de combater o vício em jogos de azar, conhecido como ludopatia. A história de Moita ganhou destaque ao revelar que a ida para a guerra foi a sua maneira de escapar de uma “prisão mental” e mudar seu raciocínio.

A batalha pessoal contra o vício em jogos de azar

Antes de sua partida para a zona de conflito, Thiago Moita já enfrentava uma intensa luta contra a ludopatia. O momento mais crítico dessa jornada ocorreu quando ele perdeu R$ 75 mil em um único dia, uma experiência que o levou a procurar ajuda psicológica. Foi durante esse processo que o diagnóstico da condição foi confirmado, impulsionando a necessidade urgente de uma mudança radical em sua vida. A desintegração pessoal e financeira se tornou um catalisador para a decisão incomum de se voluntariar em um cenário de guerra.

Vida antes da Ucrânia e o impacto das apostas

Nascido no Rio de Janeiro e criado em São Gonçalo, Moita se mudou para Iguape, no litoral de São Paulo, em 2022, após obter a guarda do filho. Na cidade paulista, ele trabalhava como motorista de aplicativo e vendedor de eletrônicos, mas os ganhos dessas atividades eram sistematicamente consumidos pelas plataformas de apostas virtuais. A exaustão mental e o desespero atingiram um ponto em que o próprio pai de Thiago o confrontou: “Você já apostou tudo que você tem, agora vai apostar a sua vida?”. Essa indagação ressoou profundamente, solidificando a ideia de que um ambiente completamente novo era necessário para quebrar o ciclo do vício.

Ingresso na Legião Internacional de Defesa da Ucrânia

Com histórico familiar de militares, Thiago Moita decidiu ingressar na Legião Internacional de Defesa da Ucrânia em março deste ano. A escolha, embora chocante para alguns parentes, representou para ele uma forma de reavaliar o valor do dinheiro e da própria existência. Carregando a tarja de identificação “BadBoy”, apelido de infância, o brasileiro mergulhou em uma rotina intensa.

  • Missões que variam de uma semana a 40 dias de duração.
  • Treinamentos diários de 12 horas.
  • Manuseio de armas, minas, granadas e explosivos.

Sobrevivendo em meio aos perigos da guerra

Moita não atua nas equipes de assalto, que enfrentam a linha de frente nos confrontos diretos com as forças russas. Contudo, a ameaça de ataques de drones e mísseis é uma constante para a sua tropa. Logo em sua chegada à Ucrânia, ele viveu de perto o perigo da guerra. “Menos de uma semana depois que cheguei lá, caiu um míssil na minha casa. Passou um caça e jogou três bombas lá”, relatou. Em outra ocasião, escapou por pouco de um bombardeio fatal que vitimou dezenas de pessoas, incluindo um colega brasileiro, porque havia sido transferido de região momentos antes.

O dilema do futuro: retornar ao Brasil ou permanecer em combate

O contrato militar de Thiago Moita prevê um mês de férias, com seu retorno ao Brasil programado para ocorrer entre novembro e dezembro deste ano. Após esse período de descanso, ele enfrentará uma nova encruzilhada: rescindir o acordo com as Forças Armadas da Ucrânia ou estender seu serviço por mais três anos. A incerteza sobre o futuro persiste, mas a experiência de combate já transformou sua percepção sobre a vida e a superação do vício.

Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração