O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema, do partido Novo, reiterou nesta quarta-feira (08) sua posição sobre modificações no programa Bolsa Família. Em um evento da Confederação Nacional do Comércio (CNC), realizado em Brasília, Zema defendeu a exclusão de pessoas que recebem o benefício e se recusam a aceitar ofertas de trabalho. Ele argumentou que a medida visa prevenir a formação de uma “geração de imprestáveis”.
A agenda contou com a presença de Zema ao lado do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do PSD. O político mineiro tem consistentemente criticado o programa de transferência de renda, fazendo das mudanças no benefício um ponto central de sua plataforma eleitoral.
Ao ser questionado sobre a operacionalização do monitoramento da recusa de vagas de emprego e o cruzamento de dados dos beneficiários, Zema não forneceu detalhes específicos. Ele mencionou a possibilidade de utilizar estruturas governamentais já estabelecidas para o encaminhamento de oportunidades, como o Sistema Nacional de Emprego (Sine).
A sugestão de Zema já havia sido apresentada anteriormente, em abril, durante um evento em São Paulo. Naquela ocasião, o pré-candidato declarou que homens “marmanjões de 20, 30 anos, o dia todo deitado no sofá, jogando video game, participando de rede social” deveriam ser obrigados a aceitar propostas de emprego sob pena de ter o benefício cortado.
Histórico de declarações de Zema sobre beneficiários homens
Em um evento ocorrido no mês passado, durante palestra na Confederação Nacional da Indústria (CNI), o pré-candidato do Novo também indicou a intenção de exigir estudos de homens que recebem o auxílio. Na mesma oportunidade, ele diferenciou a situação das mulheres beneficiárias, atribuindo-lhes outras responsabilidades domésticas e familiares.
Zema afirmou na palestra que “As mulheres têm outras atribuições em casa, têm filhos, têm uma diferença muito grande com relação aos homens. Os homens hoje são convidados a trabalhar e as pessoas não vão por um motivo muito simples: elas têm a segurança de receber um benefício”.
A declaração desta quarta-feira reforça a intenção do ex-governador de condicionar a continuidade do Bolsa Família à aceitação de vagas de trabalho, especialmente para homens jovens e saudáveis, conforme já sinalizado em compromissos anteriores. No encontro da CNC, Zema não apresentou regras operacionais claras para determinar quem se enquadraria nesse perfil, o que levanta questões sobre a viabilidade prática da proposta.
A Confederação Nacional do Comércio também estendeu convites para a agenda com presidenciáveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao pré-candidato pelo Missão, Renan Santos. Contudo, os três declinaram da participação, e o evento contou apenas com a presença de Zema e Caiado.
