Uma pesquisa recente da consultoria Argus, divulgada nesta quarta-feira, 15 de julho de 2026, aponta uma expectativa de crescimento no consumo de etanol nos próximos meses de julho e agosto. O levantamento, feito com as principais distribuidoras brasileiras, indica que indicadores econômicos positivos, como a elevação dos níveis de emprego e renda em comparação ao ano anterior de 2025, devem impulsionar as vendas do biocombustível.
As projeções detalhadas pela análise sugerem um aumento de 17% no volume de etanol consumido em julho, seguido por uma alta de 19% em agosto. É importante destacar que esses cálculos foram realizados antes da comunicação sobre o ajuste na mistura de etanol na gasolina.
Contudo, a Argus considera prematuro determinar se a elevação da mistura de etanol na gasolina, de 30% para 32%, aprovada na terça-feira, 14 de julho de 2026, poderá catalisar um crescimento ainda maior nas vendas do produto para os meses atuais e futuros.
“Por enquanto, ainda é difícil observarmos a medida gerar impacto direto nas bombas de abastecimento. É provável que leve um tempo para que o efeito chegue ao consumidor final”, afirmou Maria Albuquerque, especialista em precificação de diesel da Argus. A profissional ressalta que, no estado de São Paulo, considerado um parâmetro para o perfil de consumo de combustíveis, o etanol se mantém financeiramente mais vantajoso que a gasolina desde setembro de 2018, fenômeno conhecido como paridade média, crucial para a decisão dos motoristas de veículos flex.
Em relação ao diesel, Albuquerque estima que o volume consumido deverá se manter estável entre julho e agosto, girando em torno de 6,3 milhões de metros cúbicos. Esse mercado tem enfrentado pressões significativas devido à elevação da margem de refino internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio e pela decisão da Rússia de suspender suas exportações.
Nesta quarta-feira, 15 de julho de 2026, a Petrobras comunicou que este cenário global tem potencial para impactar o mercado de diesel no Brasil. Em nota, a estatal explicou que, mesmo não adquirindo diesel russo diretamente, a Rússia representa uma fonte crucial de suprimento para o Brasil, um importador líquido do combustível. A empresa alertou que “a diminuição dessa oferta tende a intensificar a concorrência pelos volumes disponíveis no mercado internacional e a elevar os custos das importações de outras procedências, particularmente do Golfo dos Estados Unidos”.
A predominância do consumo de etanol é atribuída à sua crescente competitividade anual em relação à gasolina, conforme análise da Argus. Enquanto isso, a gasolina deve manter um volume de consumo estável em julho, na comparação com o mesmo período de 2025, e registrar uma pequena queda de 1% em agosto. As projeções para o diesel, por sua vez, são influenciadas pelas expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) e pelo desempenho dos setores que mais utilizam o combustível, indicando uma redução anual de 1,4% em julho e um aumento de 3,8% em agosto.
Entre janeiro e junho deste ano, o preço médio do etanol no Brasil teve uma redução de 10,02%, passando de R$ 4,59 para R$ 4,13, segundo informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na semana entre 5 e 11 de julho, o valor do combustível continuou em queda, atingindo R$ 4,06, conforme a mesma agência.
Em contraste, o preço da gasolina comum registrou um aumento, conforme dados da ANP, subindo 4,74%, de R$ 6,32 em janeiro para R$ 6,62 em junho na média nacional. Na mesma semana de 5 a 11 de julho, a gasolina teve uma ligeira baixa, chegando a R$ 6,58.
Além da dinâmica dos preços, os dados do mercado de trabalho também contribuem positivamente para o panorama, de acordo com a Argus. No trimestre encerrado em abril, a taxa de desemprego alcançou 5,8%, representando uma queda de 0,8 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025, conforme revelado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua.
A renda média dos trabalhadores brasileiros avançou 0,3% no trimestre móvel encerrado em abril, em comparação com o trimestre anterior (encerrado em janeiro), atingindo R$ 3.732. Quando comparada ao mesmo período de 2025, houve um crescimento de 5,3%.
