As recentes alegações feitas por Donald Trump, que acusa a China de interferir nas eleições dos Estados Unidos, ameaçam desestabilizar a já frágil trégua diplomática com o líder chinês, Xi Jinping. As declarações foram proferidas na quinta-feira, 17 de julho de 2026, e antecedem uma cúpula bilateral crucial agendada para acontecer em Washington.
O ex-presidente americano intensificou suas críticas de longa data aos sistemas de votação e à administração eleitoral, em um período de desafios para os republicanos nas próximas eleições para o Congresso, previstas para novembro. As acusações focaram-se na China, com Trump alegando que o país obteve, de forma indevida, dados de milhões de eleitores americanos, o que ele descreveu como um “pesadelo sem precedentes para a segurança eleitoral”.
Pequim nega veementemente as acusações e condena a “campanha difamatória”
Em resposta às declarações de Donald Trump, o Ministério das Relações Exteriores da China classificou as acusações como “pura invenção”. A entidade repudiou veementemente as alegações, definindo-as como uma “campanha difamatória maliciosa” que não possui qualquer fundamento.
Lin Jian, porta-voz do ministério, afirmou em coletiva de imprensa na sexta-feira que Pequim não possui qualquer interesse em interferir nas eleições dos Estados Unidos e nunca o fez. O porta-voz instou o governo americano a fazer uma “reflexão profunda” e a cessar as “acusações infundadas” contra a China. Liu Chang, porta-voz da embaixada chinesa em Washington, reiterou que a China “nunca interferiu e nunca interferirá” nas eleições presidenciais dos EUA.
O impacto das declarações na delicada relação entre EUA e China
As novas acusações marcam um afastamento notável do tom mais respeitoso que Trump havia adotado recentemente em relação a Pequim, que Washington considera seu principal rival internacional. Esse discurso pode comprometer a trégua cuidadosamente estabelecida que havia suspendido a guerra comercial entre as duas maiores economias globais no ano passado.
Após impor tarifas elevadas à China em 2025, Trump havia recuado em outubro, impulsionado por preocupações de que o bloqueio retaliatório de Pequim às exportações de metais de terras raras pudesse prejudicar a indústria manufatureira americana. A manutenção de relações positivas é vista como um pilar fundamental para futuros encontros entre os líderes.
Eventos recentes e os próximos encontros bilaterais
A relação entre Estados Unidos e China passou por momentos de aproximação e tensão nos últimos meses, culminando em uma série de compromissos diplomáticos antes das novas acusações de Trump:
- Em maio de 2026, o presidente Xi Jinping recebeu Trump em uma luxuosa visita de Estado, período em que Trump suavizou disputas sobre Taiwan e chamou Xi de “amigo”.
- Posteriormente, Trump convidou Xi para visitar Washington em 24 de setembro de 2026.
- Trump também está considerando participar da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), programada para novembro de 2026 em Shenzhen, na China.
A China, no entanto, ainda não confirmou oficialmente a visita de Xi a Washington, sinalizando que a continuidade dos encontros dependerá da manutenção de um ambiente de relações positivas entre os dois países.
Histórico das acusações anteriores e a avaliação da inteligência americana
Não é a primeira vez que Donald Trump levanta alegações sobre a interferência chinesa em processos eleitorais. Ele tem utilizado essas afirmações para sustentar a narrativa, amplamente contestada, de que a eleição de 2020 – na qual foi derrotado por Joe Biden – foi fraudada contra ele. Durante seu primeiro mandato, autoridades de seu governo declararam publicamente que hackers chineses estavam atacando a infraestrutura eleitoral antes da votação de 2020.
Contrariando essas alegações, uma avaliação detalhada da comunidade de inteligência dos EUA, divulgada em 2021, não encontrou indícios de que qualquer agente estrangeiro, incluindo a China, tenha tentado ou conseguido alterar “qualquer aspecto técnico” do processo eleitoral presidencial de 2020. Isso inclui registros de eleitores, cédulas, apurações ou os resultados finais da eleição.
Motivações políticas internas por trás do recente discurso
Observadores políticos interpretam o discurso recente de Donald Trump como uma estratégia calculada para atender a objetivos políticos internos. A análise inicial de Pequim sobre o pronunciamento indica que as declarações visam mais a consolidação da base eleitoral do que uma reorientação da política externa em relação à China.
É notável que, apesar das fortes acusações, as declarações de Trump, proferidas durante um discurso de 25 minutos na Sala Leste da Casa Branca, não incluíram qualquer apelo direto para punir o governo da China. Essa omissão pode ser um fator que atenue a reação de Pequim, mantendo uma margem para a continuidade do diálogo diplomático no futuro próximo.
