A Praia de Itamambuca, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, torna-se o palco principal do surf nacional a partir deste sábado, 19 de julho. O Surf Brasil PRO, terceira e penúltima etapa do Campeonato Brasileiro Profissional de 2026, reúne 180 surfistas de 13 estados em uma disputa acirrada por títulos e recordes. O grande destaque é o pernambucano Douglas Silva, bicampeão em busca de um tricampeonato consecutivo, feito inédito nos 40 anos da história do circuito.
Desafios e nova dinâmica da competição em Itamambuca
Esta edição do Surf Brasil PRO promete intensas disputas na Reserva Nacional de Surf de Itamambuca. O campeonato, que abriu seu formato este ano para incluir mais competidores, conta com 122 surfistas na categoria masculina e 58 na feminina, igualando o maior número de participantes registrado na etapa anterior, em Pernambuco. A diversidade de talentos vindos de 13 diferentes estados reflete o alcance nacional do evento e a estratégia de oferecer mais oportunidades no esporte, fortalecendo a base do surf brasileiro.
A premiação total do circuito nacional, o mais valioso do mundo, é de meio milhão de reais por etapa, com garantias de R$3.000 para os Top-22. As eliminatórias começam já no sábado e terão transmissão ao vivo pelos canais Surf Brasil TV no YouTube, Woohoo e Woohoo Surf na TV fechada, além do XSports na TV aberta, levando a emoção das ondas para todo o país.
Douglas Silva busca feito histórico no campeonato
O campeão Douglas Silva chega à Ubatuba embalado pela vitória na segunda etapa, na Praia do Borete, em Porto de Galinhas, Pernambuco. Sua busca por um terceiro título consecutivo é um dos enredos mais emocionantes da competição, um feito que nenhum surfista alcançou desde o início do circuito profissional em 1987. Este desafio é ainda mais notável, pois apenas o paranaense Peterson Rosa conquistou três títulos em toda a história do circuito, porém em anos alternados (1994, 1999 e 2000), o que sublinha a magnitude do possível recorde de Silva.
O atual bicampeão brasileiro fará sua estreia na quarta rodada, entrando como cabeça de chave. Ele já garante um valor mínimo da premiação desde sua primeira bateria, um privilégio concedido aos surfistas de elite que chegam às fases mais avançadas da competição.
Destaques e ausências importantes no ranking
Entre os outros talentos que prometem agitar as ondas de Itamambuca estão Israel Junior, potiguar que detém o maior somatório do ano nas etapas anteriores com 16,67 pontos na Praia da Taíba, no Ceará, e Bino Lopes, baiano vice-líder do ranking e cabeça de chave número 1 desta etapa. A ausência de Weslley Dantas, atual líder do ranking, é sentida, pois ele optou por não competir em sua cidade natal, Ubatuba, devido a compromissos no Challenger Series, abrindo caminho para que outros surfistas escalem no ranking e disputem a liderança.
Principais nomes na disputa
- Douglas Silva: Bicampeão brasileiro, busca tricampeonato consecutivo.
- Bino Lopes: Vice-líder do ranking, cabeça de chave número 1 desta etapa.
- Israel Junior: Destaque com o maior somatório do ano nas etapas anteriores.
- Wiggolly Dantas: Ex-integrante da elite mundial, retorna à competição em fase avançada.
- Luel Felipe: Campeão da etapa de Ubatuba no ano passado, defendendo o título.
- Suelen Naraisa: Bicampeã brasileira (2009 e 2010), irmã dos Dantas, competindo em casa.
- Luiz Diniz: Campeão de SUP Surf, estreante no circuito profissional de pranchinha.
- Trigêmeas Stefani (Eduarda, Julia e Paula): Jovens talentos de 14 anos, representando a nova geração feminina.
Retornos de campeões e novas oportunidades para surfistas
A etapa também marca o retorno de figuras importantes do surf nacional, como Wiggolly Dantas, que participou da primeira etapa deste ano no Ceará e agora busca melhor posicionamento. Luel Felipe, o pernambucano que foi campeão desta etapa em Ubatuba no ano passado, defenderá seu título em busca de mais uma vitória na Praia de Itamambuca. Outros campeões brasileiros, como Artur Silva, Igor Moraes, Krystian Kymerson e Messias Felix, também estarão nas primeiras baterias, elevando o nível da competição desde o início e demonstrando a força do surf nacional.
O novo formato do Surf Brasil, inaugurado este ano, é projetado para expandir o acesso e permitir que mais surfistas disputem o título nacional e a premiação substancial. Isso já levou à estreia de 75 surfistas nas duas etapas anteriores no Nordeste e agora mais 16, como Luiz Diniz, aproveitam a chance em Ubatuba. Essa abertura representa uma oportunidade valiosa para atletas de todas as idades e especialidades, promovendo a inclusão e o desenvolvimento do esporte.
A crescente força do surf feminino e a renovação de talentos
A categoria feminina, com 58 inscritas, iguala o recorde de participação da segunda etapa em Pernambuco, um claro indicador da crescente força e popularidade do surf entre as mulheres no Brasil. Destaque para a veterana Suelen Naraisa, bicampeã brasileira em 2009 e 2010 e irmã dos renomados Wiggolly e Weslley Dantas, que faz seu retorno ao circuito profissional em casa, Ubatuba, desde 2022. Sua presença é um exemplo de inspiração para as novas atletas.
Além disso, a competição acolhe a nova geração com a presença das jovens trigêmeas do Guarujá, Eduarda, Julia e Paula Stefani, de apenas 14 anos, que farão suas estreias em etapas válidas pelo título brasileiro. Elas integram um grupo de dez novas surfistas que se beneficiam da abertura do circuito, mostrando o potencial e a renovação do esporte.
Representatividade dos estados nas ondas paulistas
Ubatuba sedia o maior encontro de surfistas brasileiros na Praia de Itamambuca, com a presença de atletas de 13 estados. São Paulo se destaca como o estado com a maior representatividade, com 73 dos 180 competidores — 47 homens e 26 mulheres. Em seguida, Ceará contribui com 24 surfistas, Santa Catarina com 18 e o Rio de Janeiro com 17. Essa ampla participação geográfica reflete a difusão do surf por todo o território nacional, evidenciando o alcance e a paixão pelo esporte em diversas regiões do país e a importância do circuito para a integração dos atletas.
Preservação ambiental em foco nas areias de Ubatuba
Além da competição, o Surf Brasil PRO reforça seu compromisso com a sustentabilidade e a conscientização ambiental. No sábado, 25 de julho, data das finais, será realizada uma importante ação de plantio de mudas nativas na área de restinga da Praia de Itamambuca, que recentemente recebeu o título de Reserva Nacional de Surf. A iniciativa, em parceria com o gestor ambiental Duda Tedesco e entidades locais como a Associação Ubatuba de Surf e a Sociedade Amigos de Itamambuca, visa não apenas deixar a praia mais limpa, mas também fortalecer um dos ecossistemas mais importantes do litoral brasileiro.
A restinga desempenha um papel crucial na proteção das dunas, na preservação da biodiversidade e na manutenção da estabilidade da praia, contribuindo significativamente para o equilíbrio natural que torna Itamambuca um dos principais destinos de surf no Brasil. Cada muda plantada representa um compromisso concreto com o futuro da Reserva Nacional de Surf de Ubatuba e a conscientização da comunidade local e visitantes sobre a importância da conservação.
A Confederação Brasileira de Surf e o futuro do esporte
O Surf Brasil é o novo nome de comunicação da Confederação Brasileira de Surf (CBSurf), reconhecida pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e pela International Surfing Association (ISA) como a entidade oficial que administra todas as atividades relacionadas aos esportes com pranchas no Brasil. Fundada em 17 de outubro de 1998, a CBSurf conta com 15 federações estaduais filiadas, demonstrando sua capilaridade e abrangência nacional.
Sob a liderança do presidente Flávio “Teco” Padaratz desde 2022, com Paulo Moura e Brigitte Mayer como vice-presidentes, a confederação adota o lema “De surfista para surfista”. Sua missão é descobrir novos talentos, criar ídolos nacionais e organizar o Campeonato Brasileiro de Surf, além de decidir os campeões em diversas categorias, como Base, Master, Ondas Grandes, Longboard, Stand Up Paddle e Parasurf, com o objetivo primordial de oferecer mais oportunidades e dignificar toda a comunidade do surf brasileiro, desde a base até os profissionais.
