MIT cria robô que voa e nada como pássaro real para monitoramento oceânico

Robô inspirado em passaro

Robô inspirado em passaro - Reprodução Youtube

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolveram um novo robô biomimético, do tamanho de um pássaro, que tem a notável capacidade de nadar e voar utilizando exclusivamente o movimento de suas asas. Esta inovação marca um avanço significativo, pois nenhuma outra máquina de porte semelhante conseguiu replicar esses movimentos complexos sem o auxílio de hélices ou sistemas de lançamento externos.

O desenvolvimento do projeto levou dois anos e contou com a colaboração de instituições renomadas, incluindo o Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça, e uma faculdade localizada no estado de Washington, nos Estados Unidos. Os resultados detalhados do estudo foram recentemente publicados na prestigiada revista Science, destacando a complexidade e a engenhosidade por trás da criação.

Aprendizado com a natureza: o que os pássaros ensinaram aos cientistas

Para desvendar os mecanismos que permitem aos pássaros nadar e voar de forma eficiente com suas asas, a equipe de engenheiros dedicou-se a coletar e analisar dados previamente publicados sobre diversas espécies, como os papagaios-do-mar e os martins-pescadores. Essa abordagem foi fundamental para compreender as estratégias aerodinâmicas e hidrodinâmicas das aves.

A análise aprofundada desses dados revelou a existência de um padrão comportamental distintivo e claro entre as aves que possuem capacidades de mergulho e voo.

Foi observado que aves mergulhadoras de pequeno porte realizam cerca de dez batidas de asa por segundo quando estão no ar, enquanto essa frequência diminui para aproximadamente quatro batidas por segundo ao se deslocarem na água. Esse ritmo específico serviu como uma referência crucial e inspiradora para o design e a programação do novo robô.

Como o robô anfíbio do MIT foi concebido e montado

O protótipo do robô pesa menos de 200 gramas e possui uma estrutura central que aloja uma bateria de longa duração e um motor completamente impermeabilizado. Esse motor é responsável por impulsionar um mecanismo que permite mover as asas em uma cadência pré-determinada. Um pequeno sistema de cauda motorizada foi integrado para inclinar o “nariz” do robô, controlando sua ascensão ou mergulho conforme a necessidade. As asas são compostas por membranas finas que receberam um revestimento especial com partículas repelentes à água, facilitando assim a saída da superfície durante a decolagem.

As asas do robô foram projetadas para serem removíveis e intercambiáveis, permitindo flexibilidade nos testes. A equipe desenvolveu três conjuntos diferentes de asas, com envergaduras que variam entre 0,6 e 0,9 metro. A rigidez foi um aspecto de engenharia de suma importância: asas excessivamente flexíveis não conseguiam manter o robô no ar, enquanto as muito rígidas geravam uma resistência desnecessária na água, comprometendo a eficiência.

Os testes de desempenho seguiram um protocolo rigoroso. O robô era posicionado a cerca de 0,5 metro abaixo da superfície da água, com suas asas e cauda ajustadas em ângulos específicos, e então a equipe observava sua capacidade de emergir, romper a superfície e iniciar o voo. Esses experimentos foram inicialmente conduzidos em um tanque controlado e, posteriormente, replicados em um ambiente natural, o Lago de Genebra, na Suíça.

Próximo à superfície, o robô demonstrou uma velocidade de nado de aproximadamente 0,9 metro por segundo, batendo as asas cerca de cinco vezes por segundo. No ar, ele alcançou uma velocidade de cerca de 6,1 metros por segundo, mantendo uma frequência de batimento semelhante à observada na água. Essas velocidades são totalmente compatíveis com as atingidas por aves mergulhadoras em seu habitat natural, validando o design e a funcionalidade do dispositivo.

Onde o robô será aplicado para beneficiar o meio ambiente?

A equipe de pesquisa tem planos de aprimorar ainda mais o design, reformulando as asas para que elas possam girar. Essa modificação permitirá ao robô realizar manobras com uma agilidade e precisão ainda mais próximas às de um pássaro real. Além disso, estão previstos testes em condições ambientais mais desafiadoras, incluindo cenários com fortes rajadas de vento, para garantir a robustez do dispositivo.

O principal objetivo dos pesquisadores é empregar este inovador dispositivo para o monitoramento detalhado dos oceanos, uma iniciativa que promete tornar esse trabalho significativamente mais rápido e economicamente viável. Atualmente, o uso de navios e sensores fixos para essa finalidade acarreta custos elevados e oferece mobilidade limitada. Com o robô, será possível superar essas barreiras, permitindo a coleta de amostras e dados em locais que são considerados perigosos ou de difícil acesso para seres humanos, revolucionando a pesquisa oceanográfica.