O governo brasileiro programou, na segunda-feira, 20 de julho de 2026, uma nova fase de testes técnicos com o objetivo de elevar a mistura de etanol anidro na gasolina para 35% (E35). Esta etapa, que deve começar em setembro, foca na definição de critérios rigorosos para avaliar o impacto do novo combustível em diferentes motores e componentes de veículos.
Cronograma de avaliações e os efeitos esperados na frota brasileira
O planejamento inclui a introdução temporária da mistura E32 por um período de 180 dias, começando em agosto. Essa fase intermediária é crucial para monitorar o desempenho mecânico dos automóveis antes de qualquer mudança para o teor de 35% de etanol.
As autoridades técnicas dedicam atenção especial a determinadas categorias da frota veicular, pois elas podem ser mais suscetíveis aos efeitos de uma maior concentração de biocombustível:
- Carros de fabricação mais antiga: inclui veículos equipados com carburadores ou sistemas de injeção eletrônica não adaptados a misturas mais concentradas.
- Motocicletas que usam exclusivamente gasolina: esses modelos frequentemente exibem maior sensibilidade durante a partida em temperaturas baixas.
- Automóveis importados: particularmente aqueles de marcas premium, cujos ajustes de fábrica não foram desenvolvidos para as condições do mercado brasileiro.
Redução de custos e o papel da legislação atual
Embora a mistura E35 estivesse originalmente programada para ser implementada somente no final da década, conforme a Lei do Combustível do Futuro, sancionada em outubro de 2024, as discussões sobre sua antecipação ganharam força. Essa aceleração reflete a necessidade de encontrar soluções para estabilizar os valores da gasolina no mercado nacional.
Contexto das análises de desempenho já realizadas
Qualquer modificação na composição da gasolina exige validações operacionais anteriores, como ocorreu com a introdução da mistura E30 em agosto de 2025. Naquela ocasião, os testes foram coordenados pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT).
- E30 (30% de etanol): Implementado em agosto de 2025, os testes do IMT com uma frota variada mostraram poucas falhas em carros, mas dificuldades na partida de motocicletas.
- E32 (32% de etanol): Prevista para agosto de 2026, esta fase consiste em uma avaliação contínua de 180 dias para monitorar a durabilidade e o funcionamento de componentes dos motores.
- E35 (35% de etanol): Com testes programados para setembro de 2026, os critérios técnicos e protocolos ainda estão sendo definidos, com a liberação comercial em fase de análise preliminar.
O Instituto Mauá de Tecnologia utilizou a mistura E32 como um referencial de segurança nas suas análises. Isso permitiu uma avaliação mais precisa da dirigibilidade e da eficácia na partida a frio dos veículos que participaram dos ensaios.
