Pesquisa revela supernovas duplas de estrelas binárias em evento cósmico sem precedentes

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supernovas duplas de estrelas binárias em evento cósmico - Reprodução/NASA Foto: supernovas duplas de estrelas binárias em evento cósmico - Reprodução/NASA

Astrônomos investigam a possibilidade de que duas estrelas, ligadas por um passado comum, tenham finalizado seus ciclos de vida de maneira inédita, culminando em duas explosões de supernova.

Essa hipótese emerge de uma pesquisa recém-divulgada na revista “Nature Communications”, que apresenta evidências de que os remanescentes dessas duas explosões estelares se originaram de um único sistema binário.

O que é uma supernova e como ela acontece?

A supernova representa o estágio final e explosivo de estrelas de grande massa, superando o Sol em tamanho. Esse fenômeno ocorre quando o combustível nuclear da estrela se esgota, levando à perda de sua sustentação e a um colapso gravitacional. Tal implosão gera uma explosão luminosa capaz de rivalizar temporariamente com o brilho de uma galáxia inteira.

Para este estudo, os cientistas focaram na área que abriga a Nebulosa da Água-Viva, identificada como IC 443, e outro remanescente, G189.6+3.3, localizados a aproximadamente 6 mil anos-luz do nosso planeta.

A principal questão que motivou a pesquisa era determinar se a proximidade aparente dessas duas estruturas no espaço indicava uma conexão física ou se era meramente uma coincidência visual.

A equipe de investigação utilizou dados coletados ao longo de 16 anos pelo telescópio espacial Fermi da NASA, lançado em 2008, complementando-os com imagens obtidas em diferentes comprimentos de onda de luz para aprofundar a análise.

Os achados revelaram que ambos os remanescentes de supernova ocupam a mesma área espacial e estão a uma distância comparável da Terra.

“Foi um momento verdadeiramente estimulante. Inicialmente, buscávamos apenas compreender a natureza de uma estrutura sutil que se ocultava próxima à mais luminosa IC 443”, afirmou Miltiadis Michailidis, pesquisador da Universidade Stanford e coautor do estudo, sobre as descobertas iniciais.

Este achado é crucial, pois sustenta a teoria de que as duas estrelas progenitoras nasceram simultaneamente, formando um sistema binário — um conjunto de estrelas unidas pela atração gravitacional, um tipo de formação estelar fundamental para a compreensão da evolução de galáxias e sistemas estelares em larga escala.

As análises sugerem que as explosões não ocorreram simultaneamente. A estrela que deu origem a G189.6+3.3 pode ter explodido entre 20 mil e 100 mil anos antes daquela que formou a Nebulosa IC 443.

Tal defasagem temporal não é incomum em pares estelares. Mesmo que nasçam juntas, estrelas binárias podem seguir caminhos evolutivos distintos, com uma atingindo o estágio final de sua vida e explodindo, enquanto a outra persiste por dezenas de milhares de anos antes de seguir o mesmo destino.

Para validar a viabilidade desse cenário, os pesquisadores conduziram simulações abrangendo um milhão de diferentes sistemas estelares binários.

“Com o acúmulo de evidências, passamos a notar que o remanescente recentemente identificado não se tratava de um objeto isolado, mas sim de algo potencialmente ligado fisicamente à Nebulosa IC 443”, complementou o pesquisador Michailidis.

As simulações demonstraram a possibilidade de que pares estelares gerem duas supernovas com dezenas de milhares de anos de diferença, deixando seus respectivos vestígios em proximidade espacial.

Apesar das fortes indicações, os cientistas ainda consideram este sistema como um “candidato”, aguardando confirmação final.

Embora as provas sejam robustas, futuras observações serão cruciais para a confirmação definitiva de que IC 443 e G189.6+3.3 são, de fato, os produtos de duas estrelas que compartilharam uma origem binária.

A pesquisa também contribuiu para um entendimento mais aprofundado de G189.6+3.3, que por um longo período permaneceu obscura devido à forte luminosidade e proximidade da Nebulosa IC 443.

“Descobertas deste tipo são particularmente recompensadoras, pois frequentemente não resultam de uma única observação grandiosa, mas da articulação de diversas provas independentes que, paulatinamente, constroem uma imagem mais ampla”, salientou Michailidis.

Os dados mais recentes confirmam que G189.6+3.3 possui uma estrutura distintiva e interage ativamente com o material circundante no espaço.

Se a conexão for conclusivamente estabelecida, esta descoberta poderá inaugurar uma nova perspectiva sobre a compreensão da evolução de estrelas massivas que coexistem em sistemas binários.

Segundo os astrônomos, um sistema desse tipo seria um “registro histórico” valioso de duas mortes estelares interligadas por uma mesma trajetória, embora ocorridas em épocas distintas.

“Caso seja confirmado, este sistema proporcionaria um laboratório natural de inestimável valor para analisar o ciclo de vida completo de um sistema binário de estrelas massivas. Enquanto a maioria dos remanescentes de supernova guarda apenas o resultado da explosão de uma única estrela, aqui poderemos observar o desfecho de ambos os componentes de um mesmo sistema”, finalizou Michailidis.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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