Sítio de 5 mil anos na Inglaterra pode ser protótipo do Stonehenge

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stonehenge - Alzay/Shutterstock.com

Uma extraordinária descoberta arqueológica no condado de Wiltshire, na Inglaterra, está redefinindo o que se sabia sobre as origens do icônico Stonehenge. Especialistas revelaram um sítio de cerca de 5.000 anos, localizado nas proximidades de Bulford, que é considerado um protótipo do famoso monumento de pedras. Este achado é quinhentos anos mais antigo que o complexo de Stonehenge como o conhecemos hoje, oferecendo pistas valiosas sobre o desenvolvimento da engenharia e da observação astronômica pelas comunidades pré-históricas da região. A datação por radiocarbono posiciona o local em 2950 a.C., revelando uma tradição de alinhamentos celestiais que antecede a construção das grandes rochas e sugere um legado cultural de observação solar muito mais antigo do que se pensava.

Desvendando os primeiros traços de um calendário ancestral em Wiltshire

As recentes escavações na área de Bulford trouxeram à luz os vestígios de dois imponentes postes de madeira que, segundo os arqueólogos, funcionavam como um marcador celestial fundamental para as populações da Idade da Pedra. Esses postes, provavelmente feitos de troncos maciços, estavam fincados no solo com uma distância notável de 120 metros um do outro. O que mais impressiona é sua precisão: eles foram alinhados de forma exata aos pontos onde o sol se ergue e se põe durante os solstícios de verão e inverno. Este arranjo, agora datado por radiocarbono em aproximadamente 2950 antes de Cristo, representa a mais antiga evidência conhecida de tal alinhamento astronômico complexo na Grã-Bretanha. A descoberta indica que as populações da Idade da Pedra já possuíam um entendimento sofisticado dos ciclos celestes, utilizando-o não apenas para marcar o tempo, mas também, possivelmente, para organizar suas atividades sociais e religiosas em torno dessas datas significativas.

stonehenge – Casey R Campbell/Shutterstock.com

A sofisticação astronômica por trás das construções primitivas

O meticuloso alinhamento dos postes não é apenas uma curiosidade histórica, mas um testemunho da profunda conexão e dependência que os antigos povos tinham com o cosmos. Para as comunidades pré-históricas, o sol não era apenas uma fonte de luz e calor; ele era um guia fundamental para uma série de atividades cruciais, desde a agricultura e a criação de gado até a determinação de períodos para festivais e rituais. Compreender e prever os solstícios permitia a essas sociedades antecipar as mudanças das estações, garantindo a sobrevivência e a prosperidade através de um planejamento sazonal eficiente. Essa habilidade de observação e registro sistemático do movimento solar sugere uma organização social complexa, capaz de mobilizar recursos e mão de obra consideráveis para erigir estruturas com propósitos cosmológicos e de calendário. O sítio de Bulford, com seu arranjo de madeira, pode ter sido um ponto de encontro vital para o planejamento anual e a celebração de marcos temporais, funcionando como um proto-observatório e centro comunitário.

Evidências de rituais e grandes encontros no sítio arqueológico

Além da engenhosa estrutura dos postes de madeira, as escavações revelaram uma série de fossas cuidadosamente preparadas nas proximidades, indicando a realização frequente de eventos cerimoniais. Dentro dessas depressões no solo, os arqueólogos encontraram uma vasta gama de artefatos que oferecem uma janela fascinante para as práticas e crenças da época. Entre os itens descobertos estão:

  • Fragmentos de cerâmica: sugerem a presença de recipientes para alimentos ou líquidos, possivelmente utilizados em banquetes rituais ou oferendas.
  • Ossos de animais: indicam a ocorrência de grandes banquetes comunitários ou sacrifícios de animais, práticas comuns em celebrações importantes.
  • Uma faca de sílex com significado simbólico: este artefato, cuidadosamente trabalhado, pode ter sido usado em ritos específicos ou como um item de status durante as cerimônias.

A combinação desses achados reforça a hipótese de que o local era um importante centro social e religioso, onde grandes grupos se reuniam periodicamente para celebrar os ciclos naturais e os pontos cruciais do ano, como os solstícios. Essas evidências pictóricas apontam para uma rica vida ritualística, conectada intrinsecamente à observação dos céus e à organização da vida em comunidade.

Como o “proto-Stonehenge” redefine a história do monumento principal

A descoberta deste sítio ancestral em Bulford oferece uma perspectiva revolucionária sobre a gênese de Stonehenge e a evolução das tradições megalíticas na Grã-Bretanha. Antes, muitos imaginavam o complexo de pedras como uma criação singular, quase sem precedentes diretos em termos de escala e complexidade. Agora, compreende-se que Stonehenge emergiu de uma longa e enraizada tradição de observação astronômica e construção de marcos cerimoniais. O fato de os postes de madeira antecederem as pedras em quinhentos anos demonstra uma evolução significativa não apenas nas técnicas construtivas, mas também, e talvez mais importante, na intenção de criar estruturas mais duradouras. A transição da madeira para a pedra pode simbolizar uma busca por maior permanência e um legado mais robusto para as gerações futuras, solidificando a importância desses locais para a identidade cultural e espiritual das comunidades. Isso indica que a grandiosidade de Stonehenge não é um ponto de partida isolado, mas sim um culminar de milênios de conhecimento, prática e crença.

O legado milenar da observação solar e as celebrações atuais

A herança cultural deixada por esses povos antigos continua viva até hoje, especialmente nas celebrações contemporâneas dos solstícios. Milhares de pessoas ainda se reúnem anualmente em Stonehenge e em outros locais históricos e círculos de pedra para presenciar o nascer do sol no solstício de verão e o pôr do sol no solstício de inverno, conectando-se diretamente com as tradições ancestrais. Este novo sítio arqueológico em Bulford aprofunda essa ligação, mostrando que a reverência pelos ciclos solares é uma prática enraizada que remonta a pelo menos cinco milênios. A descoberta não só enriquece o patrimônio histórico e cultural da Inglaterra, como também oferece um elo tangível e fascinante entre o presente e um passado distante, onde o céu era o maior relógio e calendário da humanidade. É um poderoso lembrete de que nossa compreensão do universo e nossa ligação intrínseca com ele são parte fundamental da história e da evolução da civilização humana, manifestada em estruturas que resistem ao tempo.

Maria: Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.