Amazon supera dependência da Nvidia e projeta faturamento de US$ 50 bilhões com chips

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Nvidia - Matt Gush/ Shutterstock.com

A gigante dos semicondutores Nvidia prepara a divulgação de seu balanço financeiro do primeiro trimestre fiscal de 2027 para o dia 20 de maio, com a expectativa do mercado apontando para um faturamento na casa dos US$ 78 bilhões, o que representaria um salto de 75% no comparativo anual. Embora os papéis da companhia acumulem uma valorização expressiva de 21% neste ano, especialistas do setor financeiro alertam que o alto custo das ações e a chegada de processadores exclusivos de outras marcas podem afastar novos acionistas.

O ritmo frenético de expansão da fabricante esbarra em um obstáculo criado pelo seu próprio sucesso, já que parceiros de peso como Google, Amazon, Meta e OpenAI começaram a fabricar ou encomendar seus próprios componentes de inteligência artificial. Atualmente, o índice de preço sobre lucro da Nvidia orbita a marca de 46 vezes, um patamar elevado que pune severamente qualquer resultado abaixo das expectativas de Wall Street.

Amazon – Jonathan Weiss/shutterstock.com

Barreiras comerciais ameaçam o domínio absoluto no setor de hardware

Durante o encerramento do quarto trimestre fiscal, a corporação registrou uma receita histórica de US$ 68,1 bilhões, marcando um avanço de 73% frente ao mesmo período do ano anterior. O departamento focado em data centers foi o grande motor desse montante, entregando US$ 62,3 bilhões aos cofres da empresa, enquanto a divisão de infraestrutura de redes saltou para US$ 11 bilhões, multiplicando seu tamanho em mais de três vezes e meia.

Por trás desses números superlativos, um movimento silencioso ganha força entre os principais provedores de computação em nuvem, que buscam cortar os laços de exclusividade com a fornecedora atual. A Broadcom, por exemplo, firmou um contrato duradouro com o Google até 2031 para a entrega de unidades de processamento tensorial, além de estruturar aceleradores para a OpenAI e manter uma aliança energética de 10 gigawatts com a Meta, empresa que já recebe silício sob medida há bastante tempo.

Novas opções de processamento alteram a dinâmica de preços da indústria

Essas movimentações envolvem os compradores mais lucrativos do ecossistema, colocando a Broadcom como uma peça fundamental na quebra desse monopólio. Embora a procura pela arquitetura Blackwell continue intensa e o equipamento siga como a escolha principal para o treinamento de modelos complexos, o amadurecimento de tecnologias concorrentes deve forçar uma queda nas margens de lucro, um perigo que ainda não foi precificado pelos investidores.

Para garantir a sustentabilidade de suas operações, as grandes corporações de tecnologia estabeleceram metas claras:

  • Eliminar a submissão a um único fabricante de semicondutores.
  • Criar arquiteturas sob medida que atendam às exigências de seus próprios softwares.
  • Garantir poder de barganha para reduzir custos operacionais e prazos de entrega.
  • Embutir inovações proprietárias diretamente nos servidores de seus data centers.

Estratégia de infraestrutura própria coloca a Amazon em posição de vantagem

Nesse cenário de transição, a Amazon desponta como um porto seguro para quem busca lucrar com a revolução do aprendizado de máquina sem depender de uma única fabricante. O braço de semicondutores da varejista, que engloba as linhas Trainium, Graviton e Nitro, já rompeu a barreira dos US$ 20 bilhões em faturamento anual, registrando uma expansão de três dígitos nos primeiros meses de 2026.

Durante a última apresentação de resultados, o diretor-executivo Andy Jassy destacou que, caso essa divisão de hardware operasse como uma companhia independente, sua receita bateria a marca de US$ 50 bilhões, colocando-a no pódio global do setor. Esse sucesso espelha o movimento bem-sucedido que a Apple fez anos atrás ao abandonar a Intel por chips próprios, provando que a verticalização funciona, o que ajudou a impulsionar a Amazon Web Services a um salto de 28% no primeiro trimestre, somando US$ 37,6 bilhões.

Procura por componentes exclusivos esgota estoques de servidores na nuvem

A força dessa estratégia fica evidente nos US$ 225 bilhões em contratos já firmados exclusivamente para o uso da arquitetura Trainium. Desenvolvedoras de ponta, como OpenAI e Anthropic, já direcionam uma quantidade massiva de energia para rodar seus sistemas nos servidores da varejista, fazendo com que a geração Trainium2 esgotasse rapidamente, enquanto a versão Trainium3, lançada no início de 2026, e até mesmo a futura linha Trainium4, já acumulam filas de espera.

Produzir o próprio hardware gera um ciclo de retroalimentação positiva para os serviços de hospedagem da companhia. Para sustentar esse ritmo, a empresa injetou US$ 43,2 bilhões em infraestrutura apenas no trimestre inicial, com planos de alcançar US$ 200 bilhões até o fim de 2026, um volume de gastos que carrega o risco de ociosidade caso o entusiasmo global com a inteligência artificial sofra uma freada brusca.

Mesmo com os altos investimentos, a corporação fundada por Jeff Bezos entrega uma blindagem financeira inexistente na concorrente de chips. Ao mesclar o domínio do comércio eletrônico com a liderança em servidores e a fabricação de componentes, a empresa negocia suas ações com um múltiplo de 32 vezes o lucro, um desconto considerável que atrai quem prefere estabilidade aliada a um crescimento tecnológico agressivo.

Visão de futuro premia modelos de negócios com múltiplas fontes de renda

Avaliando o horizonte de investimentos no setor de tecnologia, a gigante do varejo digital consolida-se como uma escolha defensiva, mas com alto teto de valorização. Sua infraestrutura de internet garante uma entrada constante de capital, independentemente das oscilações na venda de processadores, ao passo que a atual líder do mercado de placas de vídeo depende quase que exclusivamente da manutenção dos preços altos e da demanda contínua dos data centers.

O histórico da indústria de tecnologia indica que as margens de lucro exorbitantes tendem a cair assim que novas soluções se provam eficientes e escaláveis. Diante dessa inevitável correção de mercado, a Amazon construiu uma fortaleza comercial, unindo a inovação de seus próprios circuitos eletrônicos a uma base de clientes fiel e altamente rentável.

Maria: Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.