O ex-maratonista olímpico Daniel Nascimento percorreu aproximadamente 400 quilômetros entre o oeste paulista e a capital do estado, sustentando-se com cana-de-açúcar, laranjas recebidas de estranhos e água de postos de combustíveis, ao longo dos 43 dias em que esteve sumido, a partir de 03 de agosto de 2026.
Em um registro em vídeo feito por um agente da Guarda Civil Metropolitana (GCM), o atleta, que está suspenso devido a um caso de doping, relatou ter caminhado até a cidade de São Paulo e detalhou seus métodos de sobrevivência durante o período de desaparecimento.
Daniel Nascimento descreveu seu sustento durante a jornada, afirmando: “Só chupando uma cana. Pedi de vez em quando. Uma laranja ainda para chupar. E depois, quando passava perto do posto de gasolina, tinha que tomar uma água. Mas só levava uma garrafinha, depois tinha que jogar água. Chegou um momento que estava parecendo um camelo.”
Daniel saiu da residência de sua mãe, localizada em Paraguaçu Paulista, em 19 de junho, munido apenas de uma mochila, as roupas que vestia e um boné. Decorridos 43 dias, ele foi localizado no bairro Belém, em São Paulo, depois de ser identificado por um transeunte na rua Ubaldino do Amaral.
Após o reconhecimento, o pedestre alertou a Guarda Civil Metropolitana, que verificou a identidade do esportista. Daniel parecia em boas condições físicas e foi levado ao 30º Distrito Policial, no bairro Tatuapé, onde pôde se reunir com seus familiares.
Na fase em que esteve na capital paulista, Daniel exibia a aparência de quem vive em situação de rua. De acordo com informações da família, ele coletava materiais recicláveis para obter recursos e passava as noites em abrigos públicos.
O que ocorreu durante os dias de seu desaparecimento permanecia desconhecido até o momento. No vídeo gravado pela GCM, Daniel também abordou como monitorava seu próprio corpo durante a caminhada, fazendo uma analogia com a experiência de um atleta. Ele disse: “Estava igual ao camelo. É legal que eu conseguia estabilizar o corpo até para a questão de hidratação. É porque eu gosto de estudar você mesmo, até mesmo a sua própria mente. Igual quando você está dirigindo um carro aqui, você vai indo em uma estrada aqui, ele vai pisando, vai tranquilo. Agora o corredor não, você vai sentindo no corpo, você vai sentindo a brisa, o seu coração.”
Depois de ser reencontrado, Daniel voltou para o convívio familiar e foi levado a uma clínica para iniciar tratamento psicológico. A previsão é que, em breve, ele seja transferido para uma instituição no interior de São Paulo, perto da residência dos parentes, a fim de prosseguir com o acompanhamento.
Walvirene, mãe do ex-maratonista, informou que Daniel começou a ter questões psicológicas depois de ser suspenso por doping. Ela afirmou que o afastamento das competições provocou um estado de depressão que resultou em seu sumiço.
Em outro momento do vídeo, o próprio Daniel compartilhou seus sentimentos sobre a ligação com o atletismo, dizendo: “Era uma coisa que eu mais amava, que eu sentia, sim. É o que me fazia acordar todo dia de manhã cedo. Você poder gastar a energia e pode retornar para a sua casa.”
Em um tom emocionado, Walvirene também comentou sobre o filho depois do reencontro, expressando: “É… Esse aqui é o mais parecido comigo, né? Forte, guerreiro, né? Esperto.”
Histórico do desaparecimento e a suspensão por doping
Daniel estava sumido desde 19 de junho. Aproximadamente um mês após essa data, a família utilizou as redes sociais em busca de informações sobre o paradeiro do atleta. No dia subsequente à postagem, o maratonista celebrou 28 anos, porém distante de seus familiares.
Diante disso, uma onda de compartilhamentos se espalhou pelas plataformas digitais na tentativa de encontrar o corredor, que residia com a mãe em Paraguaçu Paulista, no interior de São Paulo. Ele partiu da casa da família com apenas uma mochila e, desde aquele dia, não havia fornecido nenhum contato.
A família relatou que Daniel lida com um quadro de depressão desde o incidente de doping que encerrou sua carreira em 2025. O impedimento de competir agravou seu estado psicológico, levando ao sumiço. O esportista recebeu uma suspensão de cinco anos, com efeito retroativo a 15 de julho de 2024, e só poderá retornar às disputas em 2029.
