Descoberta perto do Coliseu pode revelar quartel de bombeiros da Roma Antiga

Roma Foto: Roma - Irina Shatilova / Shutterstock.com

Arqueólogos italianos revelaram a possível descoberta de um edifício do século II, com mosaicos e afrescos, nas proximidades do Coliseu. O local, que se acredita ter sido um quartel utilizado pelos antigos bombeiros romanos, representa um achado significativo para o estudo da capital imperial. A informação foi anunciada em 5 de agosto de 2026 pelo escritório arqueológico da cidade de Roma.

Detalhes da recente descoberta arqueológica em Roma

O edifício recém-descoberto está situado no parque da Villa Celimontana, uma antiga residência nobre que remonta ao século XVI, localizada na Colina do Célio, uma das sete colinas históricas de Roma. Até o momento, cinco das oito salas da estrutura foram completamente escavadas, revelando detalhes arquitetônicos e decorativos que fornecem pistas sobre sua função original. Entre os achados mais notáveis estão um mosaico vibrante, que exibe um golfinho, um peixe, uma lagosta e um caranguejo dispostos ao redor de um grande vaso com duas alças. Além disso, foram encontrados vestígios de um teto pintado, decorado com grandes círculos nas cores vermelho e azul, sugerindo um alto nível de sofisticação artística no local.

As evidências que ligam o local aos vigiles romanos

A principal evidência que sustenta a hipótese de que o edifício era um quartel de bombeiros reside no design do mosaico. Este padrão decorativo apresenta uma semelhança marcante com um mosaico anteriormente encontrado em um quartel de bombeiros em Óstia, o antigo porto de Roma, situado a aproximadamente 30 quilômetros da capital. Essa similaridade leva os especialistas a cogitar que o prédio possa ter pertencido à Quinta Coorte dos Vigiles, os bombeiros da Roma Antiga.

Os Vigiles desempenhavam um papel fundamental na proteção da cidade. Não apenas eram responsáveis pelo combate a incêndios, uma ameaça constante em uma metrópole densamente povoada e com muitas construções de madeira, mas também atuavam na manutenção da ordem pública durante a noite. Os quartéis da Quinta Coorte dos Vigiles, localizados perto da Villa Celimontana, utilizavam a água de um aqueduto próximo para suas operações, o que era crucial para a eficiência de suas atividades.

A importância dos vigiles na sociedade da Roma imperial

A confirmação de um quartel dos Vigiles neste local próximo ao Coliseu seria um marco para a arqueologia romana. Os Vigiles, criados pelo Imperador Augusto no ano 6 d.C., eram uma força paramilitar composta principalmente por libertos. Eles eram divididos em sete coortes, cada uma responsável por duas das quatorze regiões administrativas da cidade. Sua existência era vital para a segurança urbana, atuando não apenas contra o fogo, mas também como uma espécie de polícia noturna, prevenindo crimes e mantendo a paz nas ruas escuras da cidade. A presença de suas bases era estratégica, garantindo uma resposta rápida em caso de emergência. A descoberta de mais um quartel oferece uma visão mais completa sobre a logística e a extensão dessa organização crucial para a estabilidade de Roma.

Alternativas e próximos passos para a confirmação do achado

Apesar das fortes evidências, existe uma hipótese alternativa sobre a natureza do edifício. Arqueólogos consideram que o local poderia ter sido uma residência patrícia, ou *domus*, similar a muitas outras encontradas no topo da Colina do Célio. A presença de decorações sofisticadas no edifício, como os mosaicos e afrescos detalhados, poderia corroborar essa interpretação. Para a Superintendência Especial de Roma, o órgão arqueológico responsável, apenas um estudo aprofundado dos materiais escavados e das estruturas expostas poderá fornecer informações definitivas sobre a nova descoberta. As escavações contam com financiamento de fundos de recuperação econômica da União Europeia, alocados no período pós-COVID.

A Villa Celimontana e o contexto da colina do Célio

A Villa Celimontana, onde a descoberta foi feita, é um local de grande riqueza histórica e cultural. Originalmente, a área servia como parte de uma extensa propriedade nobre, transformando-se ao longo dos séculos. A Colina do Célio, por sua vez, é uma das sete colinas originais de Roma e, em tempos antigos, era uma região privilegiada, conhecida por abrigar as suntuosas residências da elite romana. A sobreposição de diferentes períodos históricos neste mesmo espaço, onde uma villa renascentista se assenta sobre vestígios romanos, destaca a densidade e a complexidade da história da cidade, oferecendo um constante campo de estudo para arqueólogos e historiadores.

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